Educação é a chave para o futuro do país: Uma análise do movimento grevista das Universidades Federais

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Por Tino Ansaloni Publicado em 17/05/2012, 21:39 - Atualizado em 20/05/2012, 14:56
Não podemos acreditar que haja governos capazes de pensarem que sem educação haja a ascensão de um povo. O Brasil é um país em crescimento econômico e social contínuo, agora alcançando o nível de nação que compete com outros, já considerados grandes no cenário mundial. Não é à toa que faz parte do mais novo bloco econômico do planeta, o BRIC–Brasil, Rússia, Índia e China. Entretanto, neste país territorial, alguns setores que atendem diretamente o público estão sempre em defasagem em relação a outros, mesmo na América Latina. É o caso da educação, doente desde as séries iniciais do ensino fundamental até os cursos de pós-graduação. Se um dia os funcionários públicos foram o bode expiatório de um candidato a presidente da República, que os chamava de “marajás”, e conseguiu se eleger a partir de mentiras sobre profissionais que sempre tentaram dar o melhor de si para o atendimento público (digamos, a princípio, que alguns em Brasília de fato o eram), continuamos hoje a julgar os mesmos profissionais como herdeiros de salários imensos e capazes de tornarem toda uma classe como privilegiada: é mentira. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ao congelar o salário desses servidores, desestruturou economias diversas, criando desequilíbrios até hoje mantidos em nossa sociedade. Professores e técnico-administrativos das universidades públicas estão entre as classes que sofrem mais sanções do governo federal. Talvez este governo não considere que cidadãos graduados e pós-graduados possam tornar o Brasil melhor. De certa forma, os últimos presidentes, considerando os dois governos de Lula, conseguiram seus objetivos: um cidadão bem formado academicamente, prefere trabalhar em empresa privada a se tornar professor competente em universidade pública, não porque não queira ser professores, mas porque precisa sobreviver em um mundo onde a educação parece ter caído em descrédito. Alguém pode questionar: mas a Universidade não cresce ano após ano? O número de cursos e de alunos não aumenta consideravelmente de semestre para semestre? A realidade é outra, meu amigo... O REUNI - Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais - ampliou o número de cursos e, consequentemente, também o número de alunos, mas não estruturou as universidades com laboratórios, bibliotecas, outros espaços físicos e professores com salários satisfatórios, já que a contratação de novos professores, em grande parte não é consolidada. Se no passado, um professor era responsável por uma disciplina, hoje pode o ser por quatro, ganhando o mesmo salário, a saber, bem menor do que o que ganharia se aplicasse seus conhecimentos em outras empresas, muitas das quais sequer pensariam em preparar indivíduos para o amanhã. Em movimento nesta tarde, dia 17 de maio, primeiro dia da greve nacional dos docentes das universidades federais, que foi deflagrada no último dia 15, a Praça Tiradentes, nosso querido espaço que há mais de 300 anos assiste impávido a tantos eventos, pôde abrigar centenas de alunos e professores da UFOP e de outras instituições, em luta por seus direitos constitucionais. Sem aumento salarial há mais de dois anos, ansiosos por desejarem mais recursos para a pesquisa e para a extensão, insistindo em querer transformar nosso país em uma nação melhor para todos, ali se reuniram alunos de todos os cursos, alguns dos quais de outras instituições, professores com mestrado, doutorado e pós-doutorado com o mesmo objetivo e pessoas vinculadas à educação, com o objetivo de tornar público o nível de insatisfação com o tratamento recebido pela nossa presidente e por outras autoridades responsáveis pela gestão de recursos públicos. Alunos com nariz de palhaço e fantasiados de todos os tipos, batiam latas e bradavam pelo direito de terem uma universidade melhor. Matheus, aluno do curso de artes cênicas, vestido completamente de palhaço, disse à nossa equipe que assim se travestia porque a educação brasileira é de fato um grande circo, um palhaçada. O sociólogo e professor da UFOP, Ubiratan Vieira, lotado no Instituto de Ciências Sociais e Aplicadas, nos informou da perplexidade que se sente quando se vê um governo ondese gastam milhões em estádios de futebol, oferecer 4% para professores e funcionários que há mais de dois anos não sabem o que é ter um centavo a mais no salário. Segundo ele, a postura da presidente é absolutamente inadmissível. A professora e psicóloga Margareth, do Departamento de Educação do ICHS, estava visivelmente abalada e nos informou que é muito triste ver a educação tomando este rumo no Brasil. Os gritos de guerra e os cartazes erguidos por todos os presentes eram bastante atraentes quanto ao aspecto de como a educação vem sendo tratada pelas autoridades brasileiras:“educação não é migalha”, “ é ou não é piada de salão, ter dinheiro para a copa e não ter para a educação”, “eu sou estudante, eu quero estudar, mas o governo não uer deixar”, entre outros brados. O professor Luís Antônio Rosa Seixas, ex-presidente da ADUFOP, uma vez que houve nova posse de diretoria no último dia 15, nos expôs a real situação das universidades federais no Brasil: inchamento pelo REUNI, professores estressados e doentes, insatisfação de professores, alunos e técnico-administrativos quanto às políticas de progressão de carreira e de reajuste salarial, entre outros fatores, contribuem muito para a queda de produção e desmotivação de trabalho na UFOP bem como em todas as universidades federais. Ainda segundo ele, houve um pequeno reajuste em 2010 e ficou negociado que até 31 de agosto de ano passado haveria proposta de ascensão profissional e incentivo na carreira, promessa não cumprida pelo governo federal. A greve é importante agora, porque se ela não existir, os profissionais terão que esperar até 31 de agosto para a definição das mesmas propostas sugeridas no ano passado, que podem ser abortadas pelo governo federal inclusive no próprio dia 31. É preciso haver colaboração de todos os acadêmicos para que a UFOP consiga seus objetivos. Em seu lugar, tomou posseo professor David Pinheiro, que também estava presente no movimento. Eles nos sugerem que a população pode acompanhar o movimento através do site www.adufop.com.br. Após o evento na Praça Tiradentes, os grevistas, acompanhados de seus alunos, atravessaram o centro da cidade, inclusive a Rua São José, e se direcionaram à Reitoria, onde houve ocupação pacífica e quando o vice-reitor, em substituição ao reitor que se achava ausente, pronunciou seu discurso de apoio ao movimento. Novos encontros foram agendados em Mariana, na Praça Tiradentes e no Morro do Cruzeiro, para os próximos dias. O comando de greve local continua trabalhando em prol de toda a comunidade acadêmica e solicitou aos presentes que se mantivessem em equipe. Policiais que acompanharam o evento afirmaram ter sido ele lícito e totalmente pacífico. Elisabeth Camilo

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