“A infeliz postura popular perante as ações policiais” na Coluna Moacir Lemos

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Por JornalVozAtiva.com Publicado em 26/07/2016, 18:08 - Atualizado em 26/07/2016, 18:30
Por Moacir Lemos Antes mesmo de me alongar sobre o tema, preciso salientar que a postura aqui criticada não se perfaz para toda a população de uma forma genérica. Por óbvio, só condiz com uma significativa massa menos instruída e fragilmente manipulável, a qual, infelizmente, compõe grande parte da sociedade brasileira. Esse paradigma não é uma novidade. Os questionamentos por brasileiros que integram o crescente grupo que valorizam e cooperam com a atividade policial para com aqueles de posicionamento rudimentar é visto de forma recorrente em redes sociais, muitas das vezes em comparação a postura em países mais desenvolvidos que exalta a ação policial, parabenizando os agentes e muitas das vezes cooperando espontaneamente com intervenção da Polícia. "É impossível salvar o rebanho se ele protege o lobo." Essa máxima traduz muito bem a ideia que aqui quero trazer. Melhor que essa ilustração, somente a dinâmica de fatos verídicos. Para isso, usaremos dois exemplos recentes, um deles com atuação da Polícia Civil, outro com a Polícia Militar. No primeiro tem-se a Operação Belerofonte, cujos alvos foram traficantes de substâncias anabolizantes em várias cidades do estado. A Operação que não se reduz apenas a um dia de execução de mandados, já tinha prendido quatro pessoas, sendo dois indivíduos em flagrante na cidade de Ouro Preto pelo comércio das substâncias proibidas e dois por posse ilegal de arma de fogo da cidade de Conselheiro Lafaiete, onde, frisa-se, os investigadores da Polícia Civil em Ouro Preto encontraram, ocasionalmente durante a investigação de tráfico, fortes elementos que demonstravam o planejamento de duplo homicídio a ser cometido pelos investigados. Motivo pelo qual adiantou-se a polícia investigativa e reprimiu os autores antes mesmo da data prevista para o cumprimento dos demais mandados e dessa forma conseguiu salvar duas vidas. Pois bem, o ocorrido já deveria ser suficiente para justificar a investigação, e que tivesse o Estado dispensado milhões de reais em gastos com pessoal e logística. Ao salvar uma vida que seja, vejo que estariam os fundos bem gastos, posto que é para isso que serve o dinheiro do contribuinte e não para eventos esportivos e caprichos políticos. Dessa forma, vislumbrado o poderio criminoso dos investigados angariado unicamente pela venda de anabolizantes até então não reprimida, foi organizado um dia de cumprimento de mandados. Os quais, observa-se, conseguiu a Polícia Civil com muita lástima. Neste dia foram conduzidos oito indivíduos mediante uma ação absolutamente proporcional, onde optou a PCMG por agir com mais cautela, evitando-se arrombar os imóveis tanto quanto possível, utilizando um efetivo mínimo para cada residência, o qual seria quatro policiais, e com apoio do Núcleo de Operações Aéreas do órgão a fim de salvaguardar maior eficácia na execução dos trabalhos, evitando-se fugas e na preservação da integridade dos policiais e pessoas envolvidas. Na ação foram conduzidas oito pessoas, todas de posse de substâncias proibidas e nenhum incidente ocorrido, embora dois dos investigados tenham apresentado resistência que justificariam o uso da força bruta, a exemplo quando um deles tentou repelir a ação sacando de uma faca. Observo que por extrema destreza e, por que não dizer, bondade dos policiais, continuou o indivíduo ileso. Por fim o dia de operação atingiu o fim desejado, no entanto não pareceu ser o desejado por toda a população local. Várias críticas foram tecidas, claro que em meio a muitos elogios desse setor que exalto de cidadãos que buscam a ordem e justiça, mas pedras foram lançadas por aqueles que vêem com mais alegria o açoite que o reconhecimento positivo. Não tendo como questionar a lisura da ação, a legalidade, a inocorrência de uso de força, passou-se a censurar que o crime em apreço seria de pequena relevância e que o aparato utilizado seria exorbitante. Ora, se é de pequena monta um crime que a pena mínima é cominada em 10 anos de reclusão, vejo que sobram apenas uns cinco tipos delituosos que valem a pena coibir por ter pena maior que essa. Somente a título de exemplo, os autores presos que cogitavam o homicídio responderão apenas por posse ilegal de arma de fogo, cuja pena mínima é um ano. Cabendo fiança na própria delegacia. Claro é que se para os oito conduzidos houvessem sido localizadas oito armas, essa fração da população se veria satisfeita por puro desconhecimento da gravidade de um crime e de outro, mesmo sendo assim um resultado muito inferior. A idéia que busco trazer já se reduz suficientemente clara ao cidadão comum, porém quero exemplificar utilizando palavras de colegas que muito admiro: choca-me não haver um questionamento sequer quanto a utilização da aeronave da Polícia Civil para jogar pétalas para a passagem da tocha olímpica, mas serem suscitadas diversas expressões de insatisfação quando a Polícia Civil salva vidas. Porque ressalta-se, não estamos falando apenas das duas vidas salvas anteriormente, me refiro as diversas que as substâncias proibidas comercializadas ceifam e que o povo finge ou não quer ver. Eu mesmo tive um grande amigo que morreu aos 25 anos por infarto devido ao uso de anabolizantes na sua adolescência. E tenho certeza que todos podem citar um caso semelhante. Bem disse um colega que quando um condutor sofre um acidente o helicóptero dos Bombeiros Militares cumpre com sua obrigação e realiza o resgate. Falamos de uma única vida, mas que, ao meu modesto ver, sobrepõe em muito o custo até da aeronave quanto mais de seu combustível. Se a Operação Belerofonte pôde salvar uma vida que seja de ficar dias em tratamento em uma UTI, quanto isso economizou para os cofres públicos? Especialistas em saúde pública atribuem o valor médio de R$4.800 para cada dia de internação em uma UTI. Dez dias de um único paciente exorbitam em muito o gasto de uma operação como esta.O fato ocorrido com a Polícia Militar em Ouro Preto corrobora a ideia acima e traz dúvidas se é desejo do povo que a Polícia atue. Em um evento festivo recente na principal praça da cidade a PMMG, verificando informações repassadas pelos próprios populares abordou um indivíduo que, segundo informações do órgão, resistiu à abordagem, sendo necessária sua imobilização. Momento em que os policiais receberam vaias e latas arremessadas em sua direção por civis que sequer tinham conhecimento de causa da ação. Por fim, estava o autor armado em meio ao público e aqueles que compõem pequeno grupo a quem se deve reconhecer pelo bom senso aplaudiram a ação. A Polícia Civil esteve de greve por poucos dias esse ano. O povo enfrentou mais filas, alguns não foram atendidos e o fim que era almejado pelo movimento, que seria justamente suscitar a insatisfação popular a qual impacta muito o governo não foi nem de longe alcançado. Ao contrário, quando a Polícia trabalha se vê uma algazarra em questionamento. Será mesmo que quer o povo brasileiro que a Polícia trabalhe? Até quando será que os Policiais irão aceitar serem açoitados para proteger quem demonstra não desejar tal proteção? Existe alguma dúvida de que seria mais confortável ao policial deixar de acordar às duas horas da manhã para realizar uma operação sem verba indenizatória de viagem, sem sequer ter o salário em dia como ocorre nos dias atuais? Sempre digo que a parte mais fácil é com o bandido. Arrombar porta, trocar tiros, neutralizar uma ação violenta é a parte fácil. Sempre disse que o nosso maior obstáculo está nos burocratas, aqueles que apreenderam tudo sobre crime e polícia nos livros, que analisam uma situação real no conforto de uma cadeira e por vezes (salvo valorosas exceções) fogem ao esperado que seria subsidiar a atuação policial na busca da ordem, consistindo em verdadeiro empecilho. O que poderia fazer com o que tal obstáculo valesse a pena ser transposto seria ao menos a satisfação agradecida da vítima, a sociedade. Sem isso, o que sobra para motivar a Polícia? Posto que aquele que prende e se expõe a risco, recebe sua remuneração da mesma forma que aquele policial que se oculta atrás de um balcão e lhe atende mal. Vejo um país que a política é a mais pura expressão do povo, visto que povo é a maioria e os que assim como eu pensam tem a vontade vencida. Um povo que exige a corrupção e não que a combata como gostam apenas de dizer, uma maioria que pede um jeitinho quando é abordada em uma blitz, que gosta mesmo é do “pão e circo” ou pior ainda, contenta-se apenas com o “circo”, um aglomerado de pessoas que sentiria muito mais, a ponto de irem a rua guerrear, a retirada do futebol de sua rotina do que de sistema de educação, segurança ou saúde públicos. A qualquer momento esse povo vai acabar por conseguir o que deseja e, nesse momento, o cão pastor ao ouvir os gritos murchará a orelha e voltará a dormir.

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