“Displicência é a palavra que define”, na nova Coluna Templo Alvinegro, com Samuel Senra

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Por Tino Ansaloni Publicado em 25/11/2016, 18:32 - Atualizado em 17/02/2017, 12:56
Samuel Senra é Graduando em Jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto Poderia começar descrevendo, lance a lance, o que foi esse primeiro jogo da decisão entre Atlético e Grêmio, mas não o farei de imediato, tenhamos calma em meio a esse desastre, então, vamos primeiramente ao que mais interessa. O Galo, jogando em casa e com o Mineirão lotado, com direito a um belo mosaico e foguetório na entrada da equipe, não teve a postura que se imaginava, aquela de quem se diz guerreiro e que acredita até o fim. O time foi totalmente apático e instável como vem sendo nas últimas rodadas. Não criamos nada e assistimos ao Grêmio mandar e desmandar na partida. Além disso, a nossa defesa é fraca, muito fraca e mal treinada! Quanto ao Erazo já está mais do que claro: ele não pode ser o titular, tanto é que foi descartado do elenco flamenguista. Precisamos urgentemente de um zagueiro que substitua a altura o nosso capitão Leonardo Silva, um zagueiro que seja inteligente e raçudo o suficiente para tomar decisões sensatas e que saiba se posicionar dentro de campo. Gabriel jogando praticamente sozinho, com as péssimas atuações de Erazo, Júnior Urso e Carlos César, ainda se salvou ao marcar um gol e ao tirar uma bola em cima da linha. As críticas não param por aí. Nosso meio-campo de prestígio, composto por Cazares, Robinho e Maicosuel apenas figuraram. Lucas Pratto, que em boa parte do jogo não tocou na bola, deve ter sentido falta das armações de Messi pela Seleção Argentina. Pois é, perdemos o jogo no meio-campo. Nossas estrelas, além de não ajudarem na marcação, não armaram nada, nenhuma jogada. Foram vários passes errados que originaram os lances de gols do adversário, e que gols! Nos meus tempos de pelada diríamos que fomos juvenis, quanta displicência para uma final de campeonato!!! Cazares, apagado, errou um passe na saída de bola que acarretou no primeiro gol e o segundo não foi diferente. Júnior Urso me lembrou Roberto Carlos pela Seleção Brasileira na Copa de 2006, quando ajeitou o meião no gol da França que eliminou o Brasil. Depois de uma cobrança rápida de falta, Pedro Rocha recebeu sozinho no meio-campo, fintou sem esforços todos os nossos defensores e marcou o segundo tento. Saiu comemorando eufórico e levou cartão amarelo ao tirar a camisa. Já estávamos esperando pelo pior até que Pedro Rocha, de novo ele, após cometer falta clara em Carlos César, recebeu o segundo amarelo e foi expulso. A torcida Alvinegra imediatamente ecoou o canto de “Eu Acredito” e, até mesmo eu, que estava indignado, fiquei convicto de uma reação. O Grêmio pareceu sentir a perda de seu principal atacante, que até então tinha convertido os dois únicos gols da partida. O Atlético, em vantagem numérica, partiu em busca da reação. Com uma jogada de escanteio cobrada por Fábio Santos na pequena área, achou Gabriel livre, que bateu de primeira em um chute forte, um tiro potente e indefensável com a perna direita que estufou as redes de Marcelo Grohe. O gol representou a força do grito que estava preso em nossas gargantas, fazendo com que todos nós tivéssemos certeza que o empate estava por vir. Errado, pois a palavra displicência definiu bem a nossa postura durante todo o jogo. Aos 45 da etapa final, Robinho perdeu a bola em lance bobo no meio-campo, armando o contra-ataque que liquidaria de vez com a partida. Até mesmo minha Vó Maria, sempre otimista com o Galo, desistiu e desligou a televisão. E a culpa foi de quem? Do Victor é que não foi. Ele que foi o único presente na amargurada derrota, totalmente isento de culpa. E como disse nosso General no final da partida, “faltou vergonha na cara de todos nós e postura para não dar os espaços que demos para que chegassem”. Uma coisa nós sabíamos bem, o Marcelo Oliveira andava treinando mal esse time e deu no que deu. Sua demissão, mesmo em momento delicado, e contestada por alguns, foi mais que justificável. Time que disputa títulos não pode ter postura apática e amedrontada. O Grêmio deu um nó tático no nosso time que fez parecer que ficar com a bola nos pés não fazia parte do plano. Faltou posse de bola, faltou troca de passes, faltou maldade, faltou experiência, faltou padrão tático, faltou garra, faltou tudo e mais um pouco. Roger é cotado para assumir a equipe. O homem que deu liga ao time gremista, esse mesmo time que nos venceu de forma incontestável no nosso erro e no contra-ataque. Imagina, seria até roteiro de filme. O renegado é buscado na Europa, onde está se aperfeiçoando, para, justamente, enfrentar o time que fora cria sua há alguns meses atrás. Mas isso ficará apenas na imaginação. Daniel Nepomuceno acabou de confirmar Diogo Giacomini técnico do Sub-20, como treinador interino à frente do Galo nesses últimos jogos, inclusive no segundo jogo da final. Parece que a demissão de Marcelo foi apenas um basta e um aviso de que a apatia e a falta de garra de todo o elenco está sendo acompanhada de perto pela diretoria. Mas quem caiu foi o comandante do navio. O Galo voltará a campo domingo, às 17h, no Independência, onde pegará o São Paulo pela penúltima rodada do Brasileirão. Quarta que vem viaja até o Rio Grande do Sul para pegar o Grêmio novamente em jogo válido pela final da Copa do Brasil. Agora é torcer e orar, porque do jeito que as coisas estão, vai ser difícil levantar esse caneco. Porém, como bom Atleticano que sou, Eu Acredito!

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