Cronista narra descobertas durante caminhada entre Paracatu de Baixo e Águas Claras

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Por Antoniomar Lima Publicado em 21/07/2021, 14:39 - Atualizado em 21/07/2021, 14:39
Antoniomar Lima Já publicou dois livros de poesias pela UFOP. Crédito – Arquivo pessoal. Siga no Google News

Na crônica anterior, falei dos benefícios das caminhadas, mas não entrei em detalhes sobre as peripécias que ocorreram da caminhada entre Paracatu de Baixo e Águas Claras.  Vamos a elas.

Com o sol a pino em nossos cocurutos íamos apreciando a paisagem e os sítios que encontrávamos. Fizemos num desses sítios uma parada obrigatória para bebermos uma água.

O dono do sítio era um senhor idoso chamado Djalma que nos recebeu muito bem em sua propriedade, na qual, fazia parte do itinerário até chegarmos a Águas Claras. Essa parada durou cerca de quinze minutos, tempo de intervalo de uma partida de futebol. Depois retomamos o caminho. De um lado e de outro só tínhamos diante dos olhos capoeiras e alguns pequenos pântanos que se destacavam e a presença de jacus que apareciam de repente, depois sumiram pela mata adentro assustados. E, é claro que entendíamos, pois, éramos nós que estávamos invadindo o seu território.

Os jacus foram uma atração e uma distração diante do deslumbramento que a natureza ao redor nos proporciona. Passamos aperto foi quando encontramos uma boiada naquele lugar distante, na qual um boi zebu fez menção de avançar sobre nós a ponto de nos fazer pensar em darmos meia volta. Mas, a nossa salvação – abaixo de Deus – foi que, próximo dali avistamos o caseiro que nos tranquilizou e orientou a passarmos do lado de cima, pois fazendo assim não correríamos perigo. Mesmo com as pernas tremendo, cruzamos o sítio – ufa! -, sãos e salvos.

Duas horas de caminhada, atravessando sítios que, aparentemente pareciam abandonados, esquecidos pelos fundões, não era para menos passarmos por esse e outros pequenos apertos.

Mas, por fim, o alívio tomou conta de nós quando estávamos próximos de Águas Claras. E eu, minha esposa e filho, estávamos preocupados com o Sr. João Rodrigues Teixeira de setenta e quatro anos (74) que ia nos conduzindo destemidamente como um profeta pelo caminho que, apesar da idade, nem um minuto sequer reclamou de fadiga ou coisa parecida, esbanjando saúde e disposição, até alcançarmos o distrito de Águas Claras e, assim recuperarmos as forças para regressamos a Mariana de ônibus.

Laudate Dominum!

Sobre o autor

Em "Coisas do Cotidiano", o escritor, poeta e graduando em Letras pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Antoniomar Lima, pretende percorrer “esse espaço fronteiriço, entre a grandeza da história e a leveza atribuída à vida cotidiana”.

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