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Mineração na região do Itacolomi, Lavras Novas e Chapada avança em fase de licenciamento e mobiliza comunidades em Ouro Preto

Mobilização popular se mostra decisiva para influenciar o licenciamento e proteger o território, os recursos naturais e a vida.
Publicado em Urgente
Data de publicação: 29/04/2026 13:43
Última atualização: 29/04/2026 15:24
Foto - Região montanhosa da Chapada é somente um dos atrativos da região    /   Crédito - Bernardo Fortes
Foto - Região montanhosa da Chapada é somente um dos atrativos da região / Crédito - Bernardo Fortes

A possibilidade de implantação de projetos minerários no entorno do Parque Estadual do Itacolomi tem intensificado o debate público em Ouro Preto. Com processos em andamento e ainda sem licença definitiva, moradores de distritos como Lavras Novas, Chapada e outras comunidades rurais já iniciaram mobilizações para acompanhar e influenciar os rumos das decisões.

Processos de mineração estão em fase decisiva

Os dois principais projetos identificados na região são conduzidos pela Rio Manso Mineração Ltda., com o Projeto Tesoureiro, e pela BHP Billiton Brasil Ltda., com o Projeto Rancharia – Fase 2.

No caso da Rio Manso, o processo de licenciamento ambiental (PA/SLA nº 2568/2025) está enquadrado na modalidade LAC1, (Licença Ambiental Concomitante – Fase 1) é um procedimento simplificado em Minas Gerais que unifica as etapas de Licença Prévia (LP), Licença de Instalação (LI) e Licença de Operação (LO) em uma única fase. É voltada para empreendimentos de pequeno/médio porte e baixo/médio potencial poluidor, agilizando a regularização.

O empreendimento prevê lavra a céu aberto de minério de ferro e já apresentou EIA (Estudo de Impacto Ambiental) e RIMA (Relatório de Impacto Ambiental). São documentos técnicos obrigatórios exigidos no licenciamento ambiental de empreendimentos com potencial de degradação. O EIA é o estudo detalhado, enquanto o RIMA é um resumo acessível para consulta pública, garantindo transparência, além de ter avançado em etapas como a aprovação de compensação florestal. No entanto, isso não significa autorização para início das atividades, já que o processo ainda depende de análise técnica e decisões dos órgãos ambientais, porém a necessidade de articulação popular é necessária.

Já o projeto da BHP, classificado como de grande porte e alto potencial poluidor (classe 4), também está em fase de licenciamento e exige EIA/RIMA obrigatório. Diferente do caso anterior, esse processo já teve audiência pública solicitada formalmente, inclusive por entidades e por um grupo de cidadãos, o que amplia o espaço de participação social e pode impactar diretamente o andamento do projeto.

Reuniões comunitárias marcam reação popular

Na noite de 27 de abril de 2026, no distrito de Lavras Novas, em Ouro Preto, foi realizada uma reunião que marcou o início de uma mobilização mais organizada contra os projetos minerários previstos para o entorno do Parque Estadual do Itacolomi. O encontro reuniu comunidade local, ambientalistas e representantes da sociedade civil, que discutiram os impactos ambientais e socioeconômicos da mineração, além de estratégias de atuação nas próximas etapas do licenciamento, como a participação em audiências públicas e o acompanhamento técnico dos processos.

Essas reuniões têm como foco:

  • compartilhamento de informações sobre os processos de licenciamento;
  • análise dos impactos ambientais e socioeconômicos previstos;
  • organização para participação em audiências públicas;
  • articulação com instituições e movimentos ambientais.

A mobilização já é considerada crescente, com adesão de moradores de diferentes localidades, incluindo áreas urbanas e rurais que podem ser afetadas direta ou indiretamente pelos empreendimentos.

Comunidade Reune Lavras Novas Discussao Mineracao Regiao
Comunidade reunida na noite de 27/04/2026 no distrito de Lavras Novas

Impactos ambientais e turísticos estão no centro do debate

Os estudos apresentados pelas empresas e os pareceres técnicos já divulgados indicam uma série de impactos relevantes. Entre os principais pontos de atenção estão:

  • supressão de vegetação nativa da Mata Atlântica e de campos rupestres;
  • riscos a nascentes e cursos d’água que alimentam cachoeiras e represas da região;
  • aumento significativo do tráfego de caminhões, com centenas de viagens diárias;
  • poluição sonora, atmosférica e visual;
  • impactos diretos sobre a fauna, flora e paisagem natural.

Além disso, a área onde os projetos estão previstos é considerada de alta sensibilidade ambiental, integrando a zona de amortecimento do parque e regiões reconhecidas como prioritárias para conservação da biodiversidade.

Ecoturismo e economia local em risco

Distritos como Lavras Novas e Chapada têm no turismo sustentável uma das principais bases econômicas. Trilhas, cachoeiras e a tranquilidade da vida no campo são fatores que atraem visitantes durante todo o ano.

A possível instalação de atividades minerárias próximas a esses locais levanta preocupações sobre:

  • perda de atratividade turística;
  • impactos na qualidade de vida dos moradores;
  • desvalorização de empreendimentos ligados ao turismo;
  • mudanças no perfil socioeconômico das comunidades.

Participação popular influencia decisões

Com os processos ainda em andamento, especialistas reforçam que este é o momento mais importante para a atuação da sociedade. A legislação ambiental prevê mecanismos de participação, como audiências públicas e manifestações formais, que podem influenciar o resultado final dos licenciamentos.

A mobilização já iniciada pelas comunidades de Ouro Preto indica que o debate está longe de ser encerrado. Pelo contrário: o cenário atual aponta para uma disputa entre modelos de desenvolvimento — mineração ou preservação — que será definida, em grande parte, pela capacidade de organização e participação da população local.

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