- Resumo IA
• Debate sobre mineração no entorno do Parque Itacolomi intensifica em Ouro Preto.
• Projetos da Rio Manso e BHP em fase de licenciamento ambiental.
• Comunidades locais se organizam contra impactos ambientais e socioeconômicos.
• Reuniões discutem impactos ambientais e estratégias de participação em audiências.
• Ecoturismo e economia local em risco devido à mineração planejada.
• Participação popular crucial para influenciar decisões sobre projetos minerários.Observação: O resumo é gerado por IA e revisado pela redação.

A possibilidade de implantação de projetos minerários no entorno do Parque Estadual do Itacolomi tem intensificado o debate público em Ouro Preto. Com processos em andamento e ainda sem licença definitiva, moradores de distritos como Lavras Novas, Chapada e outras comunidades rurais já iniciaram mobilizações para acompanhar e influenciar os rumos das decisões.
Processos de mineração estão em fase decisiva
Os dois principais projetos identificados na região são conduzidos pela Rio Manso Mineração Ltda., com o Projeto Tesoureiro, e pela BHP Billiton Brasil Ltda., com o Projeto Rancharia – Fase 2.
No caso da Rio Manso, o processo de licenciamento ambiental (PA/SLA nº 2568/2025) está enquadrado na modalidade LAC1, (Licença Ambiental Concomitante – Fase 1) é um procedimento simplificado em Minas Gerais que unifica as etapas de Licença Prévia (LP), Licença de Instalação (LI) e Licença de Operação (LO) em uma única fase. É voltada para empreendimentos de pequeno/médio porte e baixo/médio potencial poluidor, agilizando a regularização.
O empreendimento prevê lavra a céu aberto de minério de ferro e já apresentou EIA (Estudo de Impacto Ambiental) e RIMA (Relatório de Impacto Ambiental). São documentos técnicos obrigatórios exigidos no licenciamento ambiental de empreendimentos com potencial de degradação. O EIA é o estudo detalhado, enquanto o RIMA é um resumo acessível para consulta pública, garantindo transparência, além de ter avançado em etapas como a aprovação de compensação florestal. No entanto, isso não significa autorização para início das atividades, já que o processo ainda depende de análise técnica e decisões dos órgãos ambientais, porém a necessidade de articulação popular é necessária.
Já o projeto da BHP, classificado como de grande porte e alto potencial poluidor (classe 4), também está em fase de licenciamento e exige EIA/RIMA obrigatório. Diferente do caso anterior, esse processo já teve audiência pública solicitada formalmente, inclusive por entidades e por um grupo de cidadãos, o que amplia o espaço de participação social e pode impactar diretamente o andamento do projeto.
Reuniões comunitárias marcam reação popular
Na noite de 27 de abril de 2026, no distrito de Lavras Novas, em Ouro Preto, foi realizada uma reunião que marcou o início de uma mobilização mais organizada contra os projetos minerários previstos para o entorno do Parque Estadual do Itacolomi. O encontro reuniu comunidade local, ambientalistas e representantes da sociedade civil, que discutiram os impactos ambientais e socioeconômicos da mineração, além de estratégias de atuação nas próximas etapas do licenciamento, como a participação em audiências públicas e o acompanhamento técnico dos processos.
Essas reuniões têm como foco:
- compartilhamento de informações sobre os processos de licenciamento;
- análise dos impactos ambientais e socioeconômicos previstos;
- organização para participação em audiências públicas;
- articulação com instituições e movimentos ambientais.
A mobilização já é considerada crescente, com adesão de moradores de diferentes localidades, incluindo áreas urbanas e rurais que podem ser afetadas direta ou indiretamente pelos empreendimentos.

Impactos ambientais e turísticos estão no centro do debate
Os estudos apresentados pelas empresas e os pareceres técnicos já divulgados indicam uma série de impactos relevantes. Entre os principais pontos de atenção estão:
- supressão de vegetação nativa da Mata Atlântica e de campos rupestres;
- riscos a nascentes e cursos d’água que alimentam cachoeiras e represas da região;
- aumento significativo do tráfego de caminhões, com centenas de viagens diárias;
- poluição sonora, atmosférica e visual;
- impactos diretos sobre a fauna, flora e paisagem natural.
Além disso, a área onde os projetos estão previstos é considerada de alta sensibilidade ambiental, integrando a zona de amortecimento do parque e regiões reconhecidas como prioritárias para conservação da biodiversidade.
Ecoturismo e economia local em risco
Distritos como Lavras Novas e Chapada têm no turismo sustentável uma das principais bases econômicas. Trilhas, cachoeiras e a tranquilidade da vida no campo são fatores que atraem visitantes durante todo o ano.
A possível instalação de atividades minerárias próximas a esses locais levanta preocupações sobre:
- perda de atratividade turística;
- impactos na qualidade de vida dos moradores;
- desvalorização de empreendimentos ligados ao turismo;
- mudanças no perfil socioeconômico das comunidades.
Participação popular influencia decisões
Com os processos ainda em andamento, especialistas reforçam que este é o momento mais importante para a atuação da sociedade. A legislação ambiental prevê mecanismos de participação, como audiências públicas e manifestações formais, que podem influenciar o resultado final dos licenciamentos.
A mobilização já iniciada pelas comunidades de Ouro Preto indica que o debate está longe de ser encerrado. Pelo contrário: o cenário atual aponta para uma disputa entre modelos de desenvolvimento — mineração ou preservação — que será definida, em grande parte, pela capacidade de organização e participação da população local.

















