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Ouro Preto revela os mistérios da Quaresma: o significado das cores e do “jejum do olhar”

Das fachadas dos casarões ao interior das igrejas seculares, a antiga Vila Rica utiliza uma simbologia única para narrar a…
Publicado em Semana Santa 2026
Data de publicação: 02/04/2026 12:41
Última atualização: 02/04/2026 12:47
Ouro Preto veste-se de tradição: entenda o simbolismo das cores e ritos que transformam a cidade na Semana Santa. Crédito - Reprodução/PMOP.
Ouro Preto veste-se de tradição: entenda o simbolismo das cores e ritos que transformam a cidade na Semana Santa. Crédito - Reprodução/PMOP.

Caminhando pelas ruas de Ouro Preto durante a Quaresma e a Semana Santa, podemos perceber uma mudança na alma da cidade. A antiga Vila Rica se transforma visualmente: janelas e fachadas de casarões históricos, museus e outros prédios ganham bandeiras em tons de roxo, vermelho e branco, enquanto o interior das igrejas se recolhe em um silêncio visual, com imagens cobertas. Mas o que esses símbolos comunicam?

Entender esses ritos é fundamental para mergulhar na experiência de um dos maiores museus a céu aberto do Brasil. A ornamentação não é apenas estética; é um código secular que narra os passos da Paixão de Cristo. De acordo com a Introdução Geral do Missal Romano (IGMR), documento oficial da Igreja Católica, as cores na liturgia têm a finalidade de exprimir os mistérios da fé e o sentido da vida cristã ao longo do ano. Em Ouro Preto, essa tradição transborda dos altares das igrejas para as fachadas.

A narrativa visual em Ouro Preto ganha vida através da paleta litúrgica. O roxo, cor predominante da Quaresma, convida à penitência, ao luto e à conversão, preparando o espírito para o recolhimento da Sexta-feira Santa. Já o vermelho evoca o sangue derramado e o fogo purificador, marcando o ápice do sacrifício de Jesus no Domingo de Ramos e na Paixão. Por fim, o branco surge iluminando as igrejas e as casas como a cor da alegria: manifesta-se na Quinta-feira Santa e triunfa na Páscoa, celebrando a ressurreição.

O Jejum do Olhar: a tradição de cobrir as imagens

Uma das tradições que mais despertam a curiosidade de quem visita as matrizes e capelas de Ouro Preto é o chamado “Jejum do Olhar”, o costume secular de ocultar as imagens sacras sob panos roxos durante o período quaresmal. Essa prática antiga propõe um verdadeiro retiro espiritual visual, partindo do princípio de que, diante do mistério do sofrimento de Cristo, as representações materiais tornam-se insuficientes para expressar a magnitude do sacrifício divino.

Ao substituir o brilho dos altares pelo tom sóbrio do roxo, a ornamentação induz à introspecção e ao silêncio dos sentidos, preparando o espírito para que a alegria da Ressurreição reverbere com maior intensidade no Sábado Santo, quando as imagens são finalmente reveladas. Para os fiéis, o rito configura um convite à oração interna e ao desapego visual; para o visitante, representa a oportunidade única de testemunhar um cenário que preserva heranças litúrgicas centenárias e mantém vivo o rico patrimônio imaterial das cidades históricas mineiras.

Patrimônio Imaterial e Turismo Cultural

A ornamentação urbana de Ouro Preto durante este período é um esforço conjunto. A Prefeitura Municipal de Ouro Preto, por meio da Secretaria de Cultura e Turismo (SECULT-OP), mantém a logística de paramentar prédios públicos e museus, reforçando a identidade da cidade como guardiã das tradições mineiras. Essa identidade é o que atrai milhares de turistas anualmente. Nossa cidade está viva em cada detalhe, das bandeiras de tecido que balançam nas janelas coloniais ao silêncio do Sábado Santo, quando a cidade aguarda, em vigília, a celebração da vida.

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Texto: Bruno Willens/Revisão: Victor Stutz

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