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Indiciamentos da Operação Rejeito reforçam preocupações sobre projetos minerários em Ouro Preto

PF cita mineração na região de Botafogo e indicia 34 pessoas
Publicado em Polícia, Urgente
Data de publicação: 28/06/2026 19:18
Última atualização: 28/06/2026 19:35
Operação Rejeito teve sua primeira fase deflagrada em setembro de 2025 e investiga um suposto esquema de fraudes envolvendo licenciamento ambiental e mineração em Minas Gerais. Foto: Divulgação/Polícia Federal.
Operação Rejeito teve sua primeira fase deflagrada em setembro de 2025 e investiga um suposto esquema de fraudes envolvendo licenciamento ambiental e mineração em Minas Gerais. Foto: Divulgação/Polícia Federal.

Os recentes indiciamentos anunciados pela Polícia Federal no âmbito da Operação Rejeito voltaram a colocar a Serra do Botafogo, em Ouro Preto, no centro das discussões sobre mineração, proteção ambiental e fiscalização dos processos de licenciamento em Minas Gerais.

Relatados pela corporação na mesma semana e obtidos pelo O Fatoros documentos da PF alcançam desde o diretor-geral da Agência Nacional de Mineração (ANM) até empresários que já apareciam em outras fases de investigações e voltam a aparecer no centro do esquema

A Polícia Federal concluiu um dos inquéritos da operação e indiciou dezenas de pessoas, entre empresários, agentes públicos e integrantes de órgãos ligados ao setor mineral e ambiental. As investigações apontam a existência de uma organização criminosa que teria atuado para obter licenças ambientais e títulos minerários de forma irregular, utilizando supostos esquemas de corrupção, tráfico de influência, lavagem de dinheiro, fraudes documentais e crimes ambientais.

Embora a investigação tenha abrangência estadual e envolva diversos empreendimentos minerários, a Serra do Botafogo, em Ouro Preto, aparece entre as áreas citadas pela Polícia Federal por concentrar projetos minerários ligados aos investigados.

Comunidade já havia demonstrado preocupação em várias manifestações

Muito antes da conclusão dos inquéritos, moradores da comunidade de Botafogo, entidades ambientais, pesquisadores e movimentos sociais vinham manifestando preocupação com o avanço da mineração na região.

Nos últimos meses, diversas mobilizações públicas reuniram moradores, representantes de instituições ambientais e especialistas em defesa da preservação da Serra do Botafogo, área considerada de grande importância ambiental, paisagística, hídrica e cultural para Ouro Preto.

Entre as principais reivindicações estavam a necessidade de maior transparência nos processos de licenciamento, a proteção das nascentes, da biodiversidade e das comunidades tradicionais, além da preservação da paisagem da região.

As manifestações ganharam força após denúncias envolvendo intervenções ambientais e questionamentos sobre projetos minerários previstos para a localidade.

Operação investiga esquema bilionário

Segundo a Polícia Federal, a organização investigada teria estruturado uma rede de empresas utilizada para viabilizar empreendimentos minerários por meio de supostas fraudes em processos administrativos e ambientais.

As investigações apontam que o grupo teria buscado influenciar decisões em órgãos públicos responsáveis pelo licenciamento, fiscalização e autorização de atividades minerárias.

De acordo com os investigadores, os projetos ligados ao grupo possuíam elevado potencial econômico e parte deles estaria localizada em áreas ambientalmente sensíveis ou protegidas.

Os relatórios finais também apontam que parte dos investigados teria atuado na obtenção de autorizações consideradas irregulares para exploração mineral, além da utilização de empresas e estruturas societárias destinadas a ocultar patrimônio e movimentação financeira.

Indiciamento não representa condenação

O indiciamento representa a conclusão da investigação policial quanto à existência de indícios de autoria e materialidade dos fatos apurados.

A partir desta etapa, caberá ao Ministério Público Federal analisar o material produzido pela Polícia Federal para decidir pelo eventual oferecimento de denúncia à Justiça, arquivamento ou solicitação de novas diligências.

Os investigados têm direito ao contraditório e à ampla defesa durante todo o processo judicial.

Caso repercute diretamente em Ouro Preto

Em Ouro Preto, os novos desdobramentos reforçam a importância do debate sobre o equilíbrio entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental.

A Serra do Botafogo tornou-se um dos principais símbolos dessa discussão nos últimos anos, mobilizando moradores, instituições e órgãos públicos em torno da necessidade de garantir segurança jurídica, proteção ambiental e transparência na análise de empreendimentos minerários.

Com a conclusão dos inquéritos da Operação Rejeito, a expectativa agora é pela manifestação do Ministério Público Federal sobre os próximos passos do caso, que poderá ter reflexos importantes para os projetos minerários investigados e para o futuro das áreas em análise no município.

Mais riscos ambientais com a mineração na região

Os desdobramentos da Operação Rejeito ocorrem em um momento em que Ouro Preto vive um amplo debate sobre a expansão da atividade minerária em diferentes regiões do município. Nos últimos meses houve reuniões comunitárias, manifestações populares, audiências públicas e discussões técnicas envolvendo projetos de mineração na Serra do Botafogo, na zona de amortecimento do Parque Estadual do Itacolomi e no entorno dos distritos de Lavras Novas, Chapada e Santo Antônio do Salto.

As mobilizações reuniram moradores, pesquisadores da Universidade Federal de Ouro Preto e entidades ambientalistas que demonstraram preocupação com possíveis impactos sobre nascentes, recursos hídricos, patrimônio histórico, biodiversidade, turismo e qualidade de vida das comunidades. O tema também extrapolou o âmbito municipal, motivando requerimentos para audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais e ampla cobertura da imprensa regional, evidenciando que o avanço de novos empreendimentos minerários no território ouro-pretano passou a ocupar lugar central no debate sobre o futuro ambiental, econômico e cultural da região.

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O Jornal Voz Ativa continuará acompanhando os desdobramentos do caso e abrirá espaço para manifestações das empresas, órgãos públicos e demais envolvidos, em respeito ao contraditório e à ampla defesa.

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