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Tentativas de golpes pelo WhatsApp aumentam no Brasil; veja como proteger sua conta; JVA registra onda de mensagens suspeitas

Telefones cadastrados nos contatos do Jornal Voz Ativa receberam diversas abordagens suspeitas nos últimos dias
Publicado em Polícia
Data de publicação: 08/09/2026 12:03
Última atualização: 08/09/2026 12:12
Jornal Voz Ativa registra aumento de mensagens suspeitas e tentativas de fraude recebidas pelo WhatsApp.
Jornal Voz Ativa registra aumento de mensagens suspeitas e tentativas de fraude recebidas pelo WhatsApp.

Nos últimos dias, números de telefone utilizados pelo Jornal Voz Ativa passaram a receber com maior frequência mensagens suspeitas pelo WhatsApp. Algumas das abordagens chamaram ainda mais a atenção por partirem de números já existentes nas listas de contatos, situação que reforça o alerta para o possível comprometimento de contas e para novas estratégias utilizadas por golpistas.

O Jornal Voz Ativa mantém mais de 5 mil números de telefone cadastrados em sua agenda de contatos, reunidos ao longo de anos de atuação jornalística, atendimento ao público, relacionamento com fontes, anunciantes, instituições, leitores e grupos de WhatsApp. Esse volume ajuda a explicar por que os aparelhos utilizados pelo portal recebem tantas tentativas de fraude: quanto maior a rede de contatos e a exposição do número em comunicações profissionais, redes sociais e canais de atendimento, maior também a probabilidade de abordagens maliciosas, mensagens disparadas em massa e tentativas de engenharia social.

Isso não significa que a agenda do JVA tenha sido invadida, mas que números amplamente utilizados e conhecidos tendem a entrar com mais frequência no radar de golpistas, especialmente em um cenário de crescimento generalizado das fraudes digitais no Brasil.

A percepção registrada em Ouro Preto, no entanto, está inserida em um problema muito maior.

Dados divulgados recentemente mostram que as tentativas de fraudes digitais vêm ocorrendo em grande escala em todo o Brasil, com o celular e, especialmente, os aplicativos de mensagens ocupando posição de destaque entre os meios utilizados pelos criminosos.

Segundo dados do relatório O Estado dos Golpes no Brasil 2026, divulgados pela CNN Brasil em agosto, foram contabilizadas cerca de 34 bilhões de tentativas de golpes digitais entre março de 2025 e fevereiro de 2026. O levantamento estima uma média de mais de 200 abordagens por brasileiro adulto no período. Entre as vítimas, 64% apontaram o WhatsApp como canal utilizado na fraude.

Outro levantamento, divulgado pela Agência Brasil, mostra que somente no primeiro semestre de 2026 foram identificados mais de 9 milhões de indícios de fraude, entre casos suspeitos e confirmados. O número representa crescimento de 10,26% em relação ao segundo semestre de 2025. O celular apareceu em 78% das ocorrências analisadas.

Portanto, apesar de não haver dados públicos suficientes para afirmar que Ouro Preto esteja enfrentando um aumento proporcionalmente maior do que outras regiões, os números indicam que as tentativas observadas localmente fazem parte de um cenário nacional de crescimento e sofisticação das fraudes digitais.

Mensagem de um conhecido também pode ser golpe

Um dos pontos que mais podem confundir a vítima é receber a mensagem de um telefone que já está salvo na agenda.

Isso não significa necessariamente que o celular daquela pessoa tenha sido fisicamente “clonado”. Em muitos casos, criminosos conseguem assumir ou conectar-se indevidamente à conta do WhatsApp, obter uma linha por meio de fraude conhecida como SIM swap, ou utilizar técnicas de engenharia social para se passar pela vítima.

No SIM swap, por exemplo, o número telefônico da vítima é transferido irregularmente para outro chip controlado pelo criminoso. A própria Anatel reconhece esse tipo de fraude como uma ameaça capaz de permitir outros golpes, inclusive financeiros.

Há ainda golpes nos quais o próprio usuário, induzido pelo criminoso, fornece o código recebido por SMS ou autoriza sem perceber a conexão de outro aparelho à sua conta.

Por isso, até mesmo uma mensagem aparentemente enviada por um conhecido deve ser confirmada por outro meio quando envolver pedido de dinheiro, Pix, códigos, senhas, links ou situações apresentadas como urgentes.

Verificação em duas etapas dificulta o roubo do WhatsApp

Uma das principais medidas recomendadas pelo próprio WhatsApp é ativar a verificação em duas etapas.

No aplicativo, o usuário deve acessar Configurações > Conta > Verificação em duas etapas > Ativar e criar um PIN. Também é recomendável cadastrar um endereço de e-mail para recuperação.

Esse PIN é diferente do código de seis dígitos enviado por SMS quando o número do WhatsApp é registrado. Com a verificação em duas etapas ativada, o criminoso enfrenta uma barreira adicional mesmo que consiga obter o código de registro.

O WhatsApp é categórico em outra recomendação: o código de verificação recebido por SMS ou ligação nunca deve ser compartilhado com ninguém. Se um código chegar sem que o próprio usuário tenha solicitado, pode haver uma tentativa de registrar aquela conta em outro aparelho.

Confira quais aparelhos estão conectados à sua conta

Outro cuidado importante é verificar periodicamente os dispositivos autorizados a acessar o WhatsApp.

Em Configurações > Dispositivos conectados, é possível visualizar computadores, celulares adicionais e outros aparelhos que permanecem associados à conta. Caso apareça algum dispositivo desconhecido, ele deve ser desconectado imediatamente.

O próprio WhatsApp recomenda essa conferência frequente e orienta os usuários a manterem as notificações ativadas para serem avisados sobre tentativas de conexão de aparelhos desconhecidos.

Sete cuidados podem dificultar a ação dos golpistas

Para celulares pessoais ou utilizados profissionalmente, como os números de atendimento de empresas e veículos de comunicação, algumas medidas aumentam consideravelmente a proteção:

  1. Ative a verificação em duas etapas do WhatsApp e cadastre um e-mail seguro para recuperação.
  2. Nunca informe o código de seis dígitos recebido por SMS, nem o PIN da verificação em duas etapas.
  3. Confira regularmente “Dispositivos conectados” e remova qualquer aparelho desconhecido.
  4. Nunca escaneie QR Codes ou digite códigos de vinculação enviados por desconhecidos, mesmo que a mensagem alegue ser do suporte do WhatsApp.
  5. Proteja também o e-mail, a conta Google ou Apple e a conta da operadora com autenticação em dois fatores, pois essas contas podem ser utilizadas na recuperação de acessos.
  6. Se o celular perder o sinal da operadora repentinamente e sem explicação, entre imediatamente em contato com a operadora. Isso pode ser sinal de uma troca irregular de chip (SIM swap).
  7. Diante de pedidos inesperados de dinheiro ou informações sigilosas vindos até mesmo de conhecidos, confirme a identidade da pessoa por ligação ou outro canal antes de realizar qualquer ação.

E se a conta do WhatsApp já tiver sido tomada?

O WhatsApp orienta o proprietário a registrar novamente o próprio número no aplicativo e inserir o código de seis dígitos recebido por SMS ou ligação. Quando o número é registrado novamente dessa forma, os outros dispositivos conectados à conta são desconectados.

Também é importante avisar imediatamente familiares, amigos, clientes e contatos profissionais, já que o criminoso pode utilizar a conta comprometida para pedir dinheiro ou tentar novas fraudes.

O episódio observado nos telefones do Jornal Voz Ativa serve, portanto, como alerta. A mensagem pode chegar de um número desconhecido, mas também pode aparecer no celular com o nome e a foto de alguém conhecido.

Com golpes cada vez mais baseados em engenharia social, a principal regra continua simples: desconfie da urgência, não compartilhe códigos e confirme a identidade de quem está do outro lado antes de clicar, pagar ou fornecer qualquer informação.

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