- Resumo IA
• Semana Santa de Ouro Preto destaca-se com o emocionante Sermão do Encontro.
• Momento relembra Maria encontrando Jesus a caminho do Calvário.
• Dom Danival Milagres enfatiza a renovação da fé e compaixão.
• Sermão aborda sofrimento mundial e chama à caridade e solidariedade.
• Convite à conversão e reflexão sobre pecados pessoais.
• Celebração em Ouro Preto reforça tradição e emoção católica.Observação: O resumo é gerado por IA e revisado pela redação.

Assista a transmissão que fizemos, ao vivo, abaixo do texto e a transcrição do Sermão, na íntegra
A tradicional Semana Santa de Ouro Preto viveu um de seus momentos mais marcantes no Domingo de Ramos, com a realização do Sermão do Encontro, na Praça Tiradentes. A celebração reuniu fiéis, turistas e moradores para acompanhar o simbólico encontro entre as imagens do Senhor dos Passos e de Nossa Senhora das Dores, em uma das manifestações religiosas mais emocionantes de Minas Gerais.
O rito relembra o momento em que Maria encontra Jesus a caminho do Calvário, carregando a cruz. Em Ouro Preto, esse episódio da Paixão de Cristo ganha força especial entre o casario histórico, o silêncio da multidão e a profunda devoção que atravessa gerações.
Neste ano, o sermão foi proferido por Dom Danival Milagres, que conduziu uma reflexão sobre o verdadeiro sentido da presença dos fiéis na celebração. Em sua mensagem, o bispo destacou que o momento não deve ser vivido apenas como uma tradição a ser observada, mas como uma oportunidade real de encontro com Jesus, de conversão interior e de renovação da fé.
Ao meditar sobre o olhar entre mãe e filho, no encontro entre Nossa Senhora das Dores e o Senhor dos Passos, Dom Danival ressaltou a força espiritual da compaixão. Segundo ele, Maria representa a presença amorosa que consola e fortalece, mesmo diante da dor extrema.
O sermão também chamou atenção para a necessidade de olhar para o sofrimento do mundo atual. Violência, fome, desigualdade, corrupção e crises sociais foram lembradas como cruzes ainda carregadas por muitos irmãos e irmãs. A reflexão propôs que a fé cristã se traduza em caridade, solidariedade e compromisso com a dignidade humana.
Outro ponto central da mensagem foi o chamado à conversão durante a Semana Santa. Ao recordar as palavras de Jesus às mulheres de Jerusalém — “não choreis por mim, chorai por vós mesmas e por vossos filhos” —, o pregador convidou os fiéis a refletirem sobre os próprios pecados, a reconciliação com Deus e a busca sincera por uma vida nova.
Realizado em um dos cenários mais emblemáticos de Ouro Preto, o Sermão do Encontro reafirma a força da tradição católica na antiga capital mineira. Mais do que um ato religioso, a celebração se consolida como expressão de fé, patrimônio cultural e experiência de profunda emoção para quem acompanha a Semana Santa na cidade.
Sermão do Encontro – Dom Danival Milagres
“Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo.”
— Para sempre seja louvado.
Queridos irmãos e irmãs,
Estamos todos reunidos neste dia tão abençoado do Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor. A liturgia que hoje celebramos nos convida a acolher Jesus como o Messias, aquele que entra em Jerusalém sob os clamores de “Hosana”, que significa: salva-nos, por favor.
A esse clamor, no qual está escondida a esperança do povo, Jesus responde doando a sua própria vida na cruz.
Hoje, ao longo da celebração da Santa Missa, tivemos a oportunidade de ouvir o relato da Paixão. E agora, aqui reunidos nesta praça, contemplamos uma das cenas mais comoventes desse caminho: o encontro de Maria com seu Filho, que carrega a pesada cruz em direção ao Calvário.
Sabemos que, naquele momento, talvez não tenham podido se aproximar ou se tocar. Mas foi um encontro profundo. Um encontro de olhares. E, nesse silêncio, a Mãe transmite ao Filho o consolo, a força e a fidelidade necessários para cumprir até o fim a missão recebida do Pai.
Ao contemplarmos essa cena, somos convidados a fixar também o nosso olhar em Jesus, autor e consumador da nossa fé.
Meus irmãos e minhas irmãs,
A nossa presença aqui não pode ser apenas a de quem assiste. Somos chamados a viver este momento com profundidade, como uma verdadeira experiência de fé. A nossa presença deve nos levar, com Maria, a viver o sentimento da compaixão.
Compadecer-se de Jesus, que sofre. E aprender a nos compadecer também de tantos irmãos e irmãs nossos que continuam carregando suas cruzes.
Cruz do sofrimento causado pela violência, pelas guerras, pela fome e por tantas outras dores provocadas pelos pecados sociais e também pelos nossos próprios pecados.
Foi pelos nossos pecados que Jesus sofreu e morreu.
Por isso, estar aqui é mais do que acompanhar uma tradição. É rezar. É mergulhar no mistério da nossa salvação. É permitir que este encontro renove a nossa fé e dê novo sentido à nossa vida.
Esta praça, lugar de encontro entre as pessoas, torna-se hoje lugar de encontro com Jesus.
E esse encontro deve nos transformar. Deve nos impulsionar a viver a fé através da caridade, sendo presença de esperança na vida de quem sofre — assim como Maria foi presença de amor junto ao seu Filho.
No caminho até o Calvário, Jesus encontrou muitas pessoas.
Encontrou a multidão.
Encontrou as mulheres de Jerusalém.
Encontrou Simão Cireneu.
Talvez tenha sentido a ausência de muitos dos seus discípulos.
Mas encontrou, sobretudo, a sua Mãe.
E nós? Por que estamos aqui?
Estamos aqui apenas para assistir? Ou para viver, de fato, o nosso encontro com Jesus?
Naquela multidão, havia muitos curiosos, desejosos de ver mais um espetáculo de dor e violência. Outros acompanhavam o cortejo apoiando a condenação de Jesus. Muitos não o reconheceram como o Messias.
Como recorda o evangelista João:
“Veio para os seus, mas os seus não o acolheram.”
Entre a multidão, porém, havia também mulheres que choravam. E a elas Jesus dirige uma palavra forte:
“Mulheres de Jerusalém, não choreis por mim. Chorai por vós mesmas e por vossos filhos.”
Com essas palavras, Jesus não se apresenta como vítima. Ele transforma a violência que sofre em ato de amor. Ele se entrega pela humanidade pecadora, para que todos tenham vida.
Por isso, Ele nos convida à conversão.
Chorar por nós mesmos é reconhecer o peso do pecado em nossa vida. É perceber como, muitas vezes, buscamos uma felicidade sem Deus — e acabamos encontrando o vazio.
Somos chamados, neste tempo da Semana Santa, a nos reconciliar com Deus. A buscar o sacramento do perdão. A fazer uma verdadeira confissão.
Para que, morrendo com Cristo para o pecado, possamos ressurgir com Ele para uma vida nova.
Esse choro é semelhante ao de Pedro, que, após negar Jesus, ao encontrar o seu olhar, chorou amargamente.
É preciso reconhecer, com sinceridade, o peso do pecado que carregamos — o mesmo peso que Jesus levou sobre a cruz.
Mas Jesus também nos convida a chorar por nossos filhos.
E isso significa viver a compaixão.
Compadecer-se daqueles que hoje também são condenados à morte:
vítimas da violência,
do crime organizado,
do tráfico de drogas,
da fome,
da falta de moradia digna.
A Igreja, neste tempo, nos chama a olhar para essas realidades. A ser presença solidária, profética, junto aos que sofrem.
Vivemos em uma sociedade marcada por pecados sociais: corrupção, injustiça, desigualdade, impunidade.
Ninguém pode ser verdadeiramente feliz diante de Deus quando constrói sua vida sobre a desonestidade — seja no desvio de recursos públicos, no crime ou em qualquer forma de injustiça.
Infelizmente, as consequências desses pecados recaem sobre os mais pobres.
E diante dessa realidade, ecoam palavras que permanecem atuais:
“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a ter vergonha de ser honesto.”
Não podemos chegar a esse ponto.
Não podemos ter vergonha de ser honestos.
Não podemos compactuar com o pecado do mundo.
Meus irmãos e minhas irmãs,
Ao contemplarmos o encontro de Maria com Jesus, somos chamados a viver também o nosso encontro com Ele.
Um encontro que transforma.
Que converte.
Que renova.
Que nos faz sair daqui diferentes.
Que nos impulsiona a viver a fé com autenticidade, com amor e com compromisso com o próximo.
Cristo carregou sobre si os nossos pecados.
Para nos libertar.
Para nos dar vida nova.
Amém.

















