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TCU aponta falhas no monitoramento de R$ 132 bilhões para reparação de Mariana

Auditoria da Corte de Contas alerta para fragilidades no Programa de Transferência de Renda para atingidos.
Publicado em Noticias
Data de publicação: 08/07/2026 11:44
Última atualização: 08/07/2026 11:44
Comunidade de Bento Rodrigues atingida pelo rompimento da Barragem de Fundão. Crédito — Antônio Cruz/Agência Brasil.
Comunidade de Bento Rodrigues atingida pelo rompimento da Barragem de Fundão. Crédito — Antônio Cruz/Agência Brasil.

O Tribunal de Contas da União (TCU) acendeu um sinal de alerta sobre a execução do Novo Acordo do Rio Doce, firmado para reparar os danos do trágico rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG). Segundo a Corte de Contas, existem fragilidades importantes nos mecanismos de monitoramento e na avaliação dos resultados do pacto judicial bilionário.

O processo de acompanhamento foi conduzido pela Unidade de Auditoria Especializada em Agricultura, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (AudSustentabilidade). O foco é a fiscalização do montante estimado em R$ 132 bilhões, verba destinada a um robusto conjunto de ações de restauração ambiental, compensação e reparação integral.

Um dos pontos mais críticos destacados pela auditoria do TCU envolve o Programa de Transferência de Renda (PTR). O projeto, desenhado especificamente para amparar financeiramente os pescadores profissionais e agricultores familiares severamente afetados pelo desastre de 2015, apresenta falhas nos controles de elegibilidade e na liberação dos pagamentos.

Além do PTR, o tribunal demonstrou forte preocupação com o futuro econômico da região. De acordo com o relatório, há profundas “incertezas” sobre as condições reais para que a atividade pesqueira seja retomada de forma sustentável na Bacia do Rio Doce.

O TCU também apontou indefinições na modelagem financeira e na operacionalização do Fundo de Reestruturação da Aquicultura e Pesca (Frap).

“Persistem fragilidades relacionadas à consolidação de indicadores, à integração das informações produzidas pelos diversos órgãos envolvidos e à disponibilização de instrumentos capazes de permitir o acompanhamento tempestivo da implementação das ações previstas”, relatou o ministro Jhonatan De Jesus, relator do processo.

Ministérios têm 60 dias para apresentar plano para a pesca

Diante do cenário de indefinição, o TCU determinou que o Ministério da Pesca e Aquicultura e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) tomem providências imediatas.

As pastas têm o prazo de 60 dias para elaborar o Plano Anual de Aplicação dos Recursos (PAAR) do Frap, limitando-se aos rendimentos que já foram acumulados. O documento deverá ser encaminhado diretamente ao Comitê do Rio Doce, órgão responsável por coordenar a execução do acordo judicial.

O próprio Comitê do Rio Doce foi alvo de observações da Corte de Contas. O tribunal avaliou que a existência do comitê ainda não resultou em uma capacidade prática e efetiva de coordenação, monitoramento e avaliação integrada das metas estabelecidas.

  • O Desastre: Em novembro de 2015, o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), causou severos impactos socioeconômicos e ambientais em dezenas de municípios de Minas Gerais e do Espírito Santo.
  • O Acordo: Homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2024, o Novo Acordo do Rio Doce previu o repasse de R$ 100 bilhões por parte das empresas responsáveis ao longo de 20 anos.
  • Destinação: O dinheiro é gerido pela União, pelos estados de Minas Gerais e do Espírito Santo, além dos municípios atingidos, visando o custeio de políticas públicas e a recuperação ambiental da bacia hidrográfica.
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