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STJ decide que ex-presidente da Vale volta a ser réu por crime em Brumadinho

A Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) formou maioria para retomar a ação penal contra Fábio Schvartsman.
Publicado em Noticias
Data de publicação: 08/04/2026 16:47
Última atualização: 08/04/2026 16:47
A decisão foi tomada na terça-feira (7), concluindo um julgamento iniciado em setembro de 2025. | Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A decisão foi tomada na terça-feira (7), concluindo um julgamento iniciado em setembro de 2025. | Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A batalha judicial sobre as responsabilidades pelo rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, ocorrido em 2019, ganhou um novo capítulo decisivo. Na última terça-feira (7), a Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou que o ex-presidente da mineradora, Fábio Schvartsman, volte a figurar como réu no processo que apura as 272 mortes causadas pela tragédia.

A decisão atende a um recurso do Ministério Público Federal (MPF) e reverte o trancamento da ação penal, que havia sido concedido pelo Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6) em março de 2024. Com isso, Schvartsman volta a responder por homicídio duplamente qualificado com dolo eventual, além de crimes ambientais.

O entendimento do tribunal

O julgamento, iniciado em setembro de 2025, foi concluído com o voto de desempate do ministro Og Fernandes. Para a maioria do colegiado, o tribunal anterior excedeu suas competências ao realizar uma análise profunda de provas durante um habeas corpus — etapa que deveria ocorrer apenas na instrução processual.

O relator, ministro Sebastião Reis, acompanhado por Rogério Schietti Cruz, sustentou que a denúncia do MPF apresenta indícios suficientes de autoria e materialidade para que o executivo seja julgado. No entanto, o placar de 3 votos a 2 revelou divergências: o ministro Carlos Pires Brandão argumentou que não seria razoável exigir que o principal executivo da companhia dominasse dados técnicos detalhados de todas as estruturas da empresa.

Repercussão entre as vítimas

A decisão foi recebida com alívio e satisfação pela Avabrum (Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos). O advogado Paulo Martins, que atua na assistência de acusação, afirmou que o STJ corrigiu um erro processual grave.

“Os ministros entenderam que o trancamento foi indevido. Existem indícios contundentes que justificam o processo”, destacou Martins. Apesar da vitória, ele demonstrou preocupação com os votos divergentes, que classificou como “não razoáveis” diante da gravidade do tema.

Próximos passos do processo

Com a nova decisão, o processo retorna à primeira instância, permitindo que Fábio Schvartsman seja julgado ao lado dos demais acusados (pessoas físicas e jurídicas). Embora a defesa ainda possa apresentar novos recursos, a assistência de acusação acredita que o entendimento do STJ deve prevalecer nas instâncias superiores.

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