Reverso do Óbvio: ‘Os incels são um perigo para a sociedade?’, por Sarah Tempesta

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Por Sarah Tempesta Publicado em 14/10/2019, 10:11 - Atualizado em 14/10/2019, 10:11
Sarah Tempesta é bióloga, colunista no site Global Sustentável e está sempre em busca do reverso do óbvio.

“Incel é uma referência a membros de uma sub cultura online que se definem como incapazes de encontrar um parceiro romântico ou sexual, apesar de desejarem ter, um estado que descrevem como inceldom. Auto-identificados “Incels”, são quase exclusivamente homens heterossexuais.” Normalmente não estudam, não trabalham e não lhe conferem vida social...” (fonte: Incel anônimo).

As impressionantes gerações que apareceram, depois que envelhecemos.

Observamos e pensamos: O que fizemos de errado? Será que esquecemos de dar aos jovens os discos da Big Mama Thornton? Sim, porque certamente algo está errado, ironia à parte, talvez os “Incels”, não gostem de música, porque música agrega e traz afeto com outras pessoas, os “Incels” não querem conhecer pessoas, são anônimos e silenciosos, mas estão entre nós, o tempo todo.

Conheci um Incel, faz poucos dias. Conversando sobre games (eu não jogo vídeo game, mas sou da geração Odissey, o vídeo game jurássico que antecedeu o Atari), enfim, eu puxei assunto e o Incel me disse que jogava com pessoas do mundo todo, eu não sei pronunciar os nomes dos jogos, o Incel também me disse que eles passam uma média de dez horas online! E não trabalham, não estudam e quando namoram é virtual, nunca e jamais presencial, eles preferem assim, basicamente são sustentados pelos pais e pouco se interessam por faculdade e não se interessam por nada.

Quando você inicia uma conversa com um Incel, é um cenário meio Arcade Fire, um cenário seu, não do Incel. Os “Incels”, não se definem ou criam colunas musicais, ou colunas teatrais, ou subversão tórrida aquecida pelos hormônios da adolescência para que possamos identificá-los em algum lugar do mundo! Eles não estão nesse mundo, no mundo deles tem oxigênio, vídeo game, apps, zonas de conforto e zonas de perigo, sempre na deep web, na deep web morava o perigo, agora não mora mais, todo mundo acessa.

Eu acreditava, na minha ingênua existência nesse planeta, que tristeza era não trabalhar, não estudar e não ter o que comer.

Os “Incels”, nascem tristes, simplesmente assim, tão tristes como aqueles saquinhos de supermercado que vagam vazios pelos asfaltos.

O que virá depois dos “Incels”?

Os “Incels”, não são um perigo para a sociedade, nós somos o perigo para eles, em nossos mundos razoavelmente organizados e egoístas e sempre nos sentido ultrajados pelo senso sociológico e em nossos devaneios filosóficos e apreensivos em sobreviver em meio ao caos que nós mesmos criamos, as nossas crianças cresceram, não são mais crianças, também não são adultos robóticos, são somente “Incels”.    

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