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Qual é a extensão real dos tapetes da Semana Santa em Ouro Preto? A resposta surpreende até quem participa há décadas da tradição

Vídeo percorre o trajeto entre Pilar e Conceição e revela o tamanho real dos tapetes
Data de publicação: 04/04/2026 19:02
Última atualização: 04/04/2026 19:04
Rua Cônego Simões com muro e calçamento históricos ornamentados na Semana sanra de 2014      /   Crédito - Tino Ansaloni
Rua Cônego Simões com muro e calçamento históricos ornamentados na Semana sanra de 2014 / Crédito - Tino Ansaloni

Durante décadas, uma ideia se repetiu entre moradores, visitantes e até em publicações da mídia: os tapetes devocionais da Semana Santa em Ouro Preto teriam cerca de 4 quilômetros de extensão. O número virou referência — quase um consenso.

Mas será que ele é real?

Antes da resposta, é preciso compreender o que está por trás dessa tradição que atravessa gerações e transforma a cidade em um dos maiores cenários de fé do Brasil.


Uma madrugada que mistura fé, arte e memória

Na noite que antecede a Procissão da Ressurreição, no Sábado Santo e madrugada do Domingo da Ressurreição, as ruas históricas se tornam palco de um verdadeiro mutirão. Moradores, famílias inteiras e voluntários ocupam ladeiras e becos para confeccionar os tapetes com materiais simples, mas carregados de significado: serragem colorida, flores, areia, borra de café e outros elementos naturais.

E há um aspecto essencial que mantém essa tradição viva: os tapetes têm caráter totalmente comunitário. Qualquer pessoa pode participar e ajudar — desde que utilize temas religiosos em sua criatividade, preservando o sentido devocional da tradição.

Hoje, no entanto, a dinâmica de produção mudou em parte. A maior parte da serragem utilizada já chega tingida e é fornecida pela Prefeitura de Ouro Preto, geralmente em cores mais limitadas. Com isso, tornaram-se mais raras as iniciativas independentes com variações de tonalidades e materiais.

Ainda assim, alguns moradores mantêm viva essa tradição artesanal e criativa. É o caso do empresário Flavio Niquini, na Rua do Ouvidor, que junto à família e amigos voluntários, segue inovando com cores diferenciadas e novos materiais, sem perder a essência comunitária. Outro destaque é Rodrigo Câmara, proprietário do antiquário e espaço de artes Casa Câmara, que no Largo do Rosário, utiliza criatividade e técnica para dar identidade própria aos tapetes. Citamos só como exemplo, sem deixar de dar o devido valor a vários ourtos grupos que têm um carinho especial pelo momento.


Memórias que vêm do interior e da solidariedade

O jornalista Tino Ansaloni relembra com emoção como tudo era feito antigamente:

“Os vizinhos se organizavam o ano inteiro. Guardavam borra de café, papel picado, palha de arroz, serragem… até pó de couro, que hoje não é mais usado por causa dos produtos químicos.”

“Meu pai trazia de caminhão, do interior do município, a palha de arroz e o cipreste.”

“Era o momento de todo mundo se juntar. Tingir a serragem, dividir tarefas… e também pegar o toco de madeira e o facão para picar o cipreste. O cherio da planta marcava a época.”

E havia também gestos de generosidade que marcaram época:

“O saudoso Chico, da padaria do Dico (desde 1933) levava de madrugada, em cesta de bambu, os pães quentinhos para quem estava fazendo os tapetes.”


Desafios atuais e o convite à participação

Mesmo com o apoio constante da Fundação de Arte de Ouro Preto (FAOP), que atua diretamente na confecção dos tapetes, ainda há desafios.

Em diversos pontos do trajeto, trechos ficam sem decoração, especialmente em áreas onde há imóveis fechados ou sem moradores. Nessas situações, o espírito comunitário se torna ainda mais necessário.

A tradição segue aberta: qualquer pessoa pode colaborar ao encontrar espaços sem tapetes, ajudando a manter a continuidade visual e simbólica do percurso.


Um percurso que atravessa a história

O trajeto dos tapetes permanece o mesmo todos os anos, ligando a Basílica de Nossa Senhora do Pilar ao Santuário de Nossa Senhora da Conceição.

A alternância ocorre apenas na organização e na direção do percurso da Procissão da Ressureição:

  • Anos pares: Paróquia do Pilar – saída da Basílica do Pilar
  • Anos ímpares: Paróquia da Conceição – saída do santuário da Conceição

O vídeo que revelou a verdade

Diante de tantas versões ao longo dos anos, a reportagem percorreu todo o trajeto, registrando em vídeo cada trecho do caminho.


A revelação: quanto mede, de fato?

Ao contrário do que se tornou comum afirmar, o percurso dos tapetes não chega a 4 quilômetros.

A extensão real é de aproximadamente 1,7 quilômetro.


Mais do que a distância, uma tradição viva

Mais do que números, os tapetes representam fé, memória, trabalho coletivo e identidade cultural.

São 1,7 km de história construída por mãos voluntárias — e abertas a todos que desejam participar.

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Ouro Preto Sem Filtro e assista o trajeto @op100filtro

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