
Uma iniciativa pioneira desenvolvida em Mariana alcançou destaque em nível nacional pelo seu impacto social e humanitário. O projeto “Restaurando linguagens afetivas com homens que cumprem a Lei Maria da Penha”, concebido no Laboratório de Linguagens Afetivas (Lalia), é um dos grandes vencedores da edição 2026 do Prêmio CNJ Juíza Viviane Vieira do Amaral, promovido pelo Conselho Nacional de Justiça.
Idealizada pela arteterapeuta, artista e egressa da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Andreia Donadon Leal, a proposta foca no combate e na prevenção da violência doméstica e familiar praticada contra mulheres e meninas, oferecendo caminhos transformadores para o Sistema de Justiça brasileiro.
Arteterapia como caminho para a não violência
Diferenciando-se das abordagens tradicionais, o Lalia atua diretamente no processo de reeducação de homens que respondem a sanções da Lei Maria da Penha. O pilar metodológico do laboratório combina dinâmicas expressivas, trabalhos manuais e atividades literárias.
De acordo com Andreia Donadon Leal, o uso da arteterapia permite questionar e ressignificar padrões culturais associados à masculinidade.
“A Arteterapia configura seu diferencial, uma vez que proporciona reflexões acerca da educação masculina e abre possibilidades para a compreensão de que delicadeza não diminui a masculinidade. Assim, trabalhos manuais, com barro, e textuais, com poesia, demonstraram, ao longo do projeto, ser capazes de abrandar impulsos violentos e fazer emergir linguagens não violentas”, ressalta a coordenadora.
Parceria institucional e equipe multidisciplinar
O Laboratório de Linguagens Afetivas é fruto de uma colaboração interinstitucional entre a Academia de Letras, Artes e Ciências Brasil (Alacib-Mariana) e o Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (TJMG). As atividades práticas ocorrem na Casa de Cultura de Mariana e no âmbito da Comarca local.
Além de Andreia Donadon Leal, a equipe responsável pela coordenação reúne profissionais de diversas áreas do conhecimento e da comunidade acadêmica da UFOP:
O reconhecimento do CNJ reforça a importância do fortalecimento de práticas restaurativas e de metodologias humanizadas como ferramentas essenciais no enfrentamento à violência de gênero em Minas Gerais e no Brasil.

Com informações da ACI/UFOP



















