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Ouro Preto e Mariana podem ser proibidas pela Justiça de executar músicas em eventos públicos

Após decisão contra contra Ubá, Ecad afirma que cidades históricas podem ter novas ações judiciais que atingem carnaval, festivais e…
Publicado em Noticias, Urgente
Data de publicação: 19/05/2026 16:51
Última atualização: 19/05/2026 16:51
Praça Tiradentes em tarde de Carnaval com palco e foliões    /   Crédito - Tino Ansaloni
Praça Tiradentes em tarde de Carnaval com palco e foliões / Crédito - Tino Ansaloni

A possibilidade de Ouro Preto e Mariana sofrerem restrições judiciais para execução de músicas em eventos públicos pode preocupar setores culturais, turísticos e comerciantes das duas cidades históricas mineiras. O alerta surge após decisão da Justiça de Minas Gerais que determinou a suspensão da execução musical em eventos promovidos pela Prefeitura Municipal de Ubá sem regularização junto ao ECAD (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição).

Segundo o Ecad, as prefeituras de Ouro Preto e Mariana seguem inadimplentes em relação ao pagamento de direitos autorais de músicas executadas em eventos públicos, mesmo após ações judiciais relacionadas aos carnavais e outras festividades realizadas nos últimos anos.

De acordo com o órgão responsável pela arrecadação e distribuição dos direitos autorais musicais no Brasil, novas ações judiciais deverão ser ajuizadas contra os dois municípios mineiros. A medida é baseada na Lei de Direitos Autorais (Lei nº 9.610/98), que estabelece que compositores, intérpretes e artistas devem ser remunerados sempre que suas músicas forem executadas publicamente, inclusive em eventos gratuitos organizados pelo poder público.

Decisão judicial em Ubá acende alerta em Minas Gerais

A decisão envolvendo Ubá chamou atenção em todo o estado ao determinar que a prefeitura suspenda imediatamente a execução pública de músicas em eventos municipais até que haja licenciamento prévio junto ao Ecad.

Na sentença, a Justiça destacou que eventos públicos e gratuitos não estão isentos do pagamento dos direitos autorais, entendimento já consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O município também foi obrigado a apresentar contratos, notas fiscais e documentos relacionados aos eventos realizados para cálculo dos valores que deixaram de ser pagos aos autores das músicas executadas.

O caso passou a ser acompanhado com atenção em cidades turísticas e culturais, especialmente aquelas com grandes calendários de festas populares, shows e festivais.

Mariana teria mais de 10 anos sem recolhimentos

Segundo informações do Ecad, a Prefeitura de Mariana estaria há mais de uma década sem realizar pagamentos relacionados ao uso de músicas em eventos públicos municipais.

O órgão afirma que a dívida envolve não apenas o Carnaval, mas também outros eventos tradicionais da cidade, como Expo Mariana, Festival de Inverno, Arraiá Cidade Alta e festas de aniversário do município. O montante estimado gira em torno de R$ 1 milhão.

Ainda conforme o Ecad, o município não teria avançado em negociações para regularização e já responde judicialmente por débitos relacionados aos direitos autorais.

Ouro Preto teria dívida estimada em R$ 2 milhões

Em relação à Prefeitura Municipal de Ouro Preto, o Ecad afirma que a situação também é antiga e envolve diversos eventos públicos realizados ao longo dos últimos anos.

Entre os eventos citados estão Carnaval, Festival de Inverno, Festa do Trabalhador, Expo Ouro e comemorações oficiais do município. Segundo o órgão, a dívida estimada é de aproximadamente R$ 2 milhões.

O gerente regional do Ecad em Minas Gerais, Enio Medeiros, afirmou que a prefeitura ouro-pretana chegou a firmar um acordo judicial de parcelamento em 2025, mas o pagamento não teria sido cumprido integralmente.

“Fizemos várias tentativas de negociação com as duas prefeituras, mas não tivemos êxito. A prefeitura de Ouro Preto chegou a firmar um acordo judicial no ano passado, mas não cumpriu o parcelamento, pagando três parcelas somente”, declarou o representante do Ecad.

Impacto pode atingir eventos culturais e turismo

A possibilidade de restrições judiciais preocupa porque Ouro Preto e Mariana possuem forte calendário cultural e turístico durante todo o ano, movimentando hotéis, restaurantes, comércio, bares, artistas locais e trabalhadores ligados ao setor de eventos.

Uma eventual proibição de execução musical poderia impactar diretamente festas tradicionais, festivais culturais, apresentações artísticas e grandes eventos promovidos pelas administrações municipais.

Itabirito em dia com ECAD

Segundo o gerente regional do ECAD em Minas Gerais, Enio Medeiros, a situação de Itabirito é diferente da enfrentada por Ouro Preto e Mariana, cidades que formam a região dos Inconfidentes. Durante entrevista ao Jornal Voz Ativa, ele afirmou que o município mantém os pagamentos relacionados aos direitos autorais musicais em dia e possui boa relação institucional com o órgão arrecadador. “Itabirito é um município que a gente tem uma relação muito harmoniosa, muito amistosa e é uma prefeitura bastante correta com o Ecad, recolhe regularmente todos os eventos”, declarou. O gerente citou ainda o Julifest como exemplo de evento realizado com regularidade no recolhimento dos direitos autorais.

Prefeituras foram procuradas

O Jornal Voz Ativa entrou em contato com a Prefeitura de Ouro Preto e com a Prefeitura de Mariana para solicitar posicionamento oficial sobre as declarações do Ecad e sobre a possibilidade de novas ações judiciais envolvendo o uso de músicas em eventos públicos.

Até o fechamento desta matéria, os municípios ainda não haviam encaminhado resposta.

O Jornal Voz Ativa, fiel ao seu compromisso com o Dever de Informar, publicará integralmente as respostas dos municípios tão logo haja retorno oficial por parte das administrações municipais.

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