Ocultar anuncios
Ao Vivo

33ª Reunião Ordinária de 2026

Role para baixo para ler nossas matérias
Vale Patrim 18-05-2026
ALMG Violencia - 16 a 30/04/2026
Saneouro 17/09/2025
PMOP 26/08/2025
Cooperouro 04/08/2025

Justiça britânica nega novo recurso da BHP sobre rompimento de barragem em Mariana

Decisão da Corte de Apelação de Londres mantém responsabilidade da mineradora por desastre ambiental
Publicado em Noticias
Data de publicação: 06/05/2026 11:47
Última atualização: 06/05/2026 11:50
Ruínas de casas do distrito de Bento Rodrigues, destruído pela lama da Barragem de Fundão. Crédito - Léo Rodrigues/Agência Brasil.
Ruínas de casas do distrito de Bento Rodrigues, destruído pela lama da Barragem de Fundão. Crédito - Léo Rodrigues/Agência Brasil.

A mineradora BHP sofreu uma nova derrota jurídica no Reino Unido. A Corte de Apelação de Londres negou o pedido da companhia para recorrer da decisão que a aponta como responsável pelo colapso da barragem de Fundão, ocorrido em 2015, na cidade de Mariana (MG).

Esta nova negativa consolida a jurisprudência britânica sobre o caso, reafirmando que a gigante do setor mineral pode, sim, ser julgada e responsabilizada internacionalmente por uma das maiores catástrofes ambientais da história brasileira.

Histórico de Derrotas nos Tribunais Ingleses

O revés mais recente é um desdobramento de uma série de tentativas frustradas da mineradora em encerrar o litígio no exterior:

  • Novembro de 2023: A Suprema Corte de Londres concluiu que a BHP possui responsabilidade direta pelo desastre, dado que controlava a Samarco em uma joint venture com a Vale.
  • Janeiro de 2024: O primeiro pedido de recurso foi negado. Na época, magistrados britânicos destacaram que os argumentos da empresa careciam de uma “perspectiva real de sucesso”.
  • Maio de 2026: A Corte de Apelação de Londres encerra a tentativa mais recente de levar o caso adiante, mantendo a validade do processo.

Com a decisão, a ação segue para as próximas etapas, que incluem a análise detalhada dos nexos de causalidade entre o rompimento e os prejuízos individuais, além da eventual definição de valores indenizatórios.

A Defesa da BHP e o Acordo no Brasil

Em nota oficial, a BHP Brasil reiterou seu compromisso com a reparação dos danos e informou que manterá uma defesa “robusta” na justiça inglesa. A companhia aposta na tese de que o Novo Acordo do Rio Doce, firmado no Brasil em 2024 e orçado em R$ 170 bilhões, é o caminho mais eficiente para a resolução do conflito.

“A decisão da Justiça inglesa em 2024 reconheceu programas de indenização e validou quitações já assinadas, o que pode excluir cerca de 40% dos reclamantes do processo no Reino Unido”, afirmou a mineradora.

Até o momento, a BHP destaca os seguintes números da reparação:

  • Indenizações: Mais de 625 mil pessoas já foram indenizadas.
  • Valores: R$ 30 bilhões desembolsados apenas no primeiro ano do acordo de 2024.
  • Expectativa: A empresa projeta que os julgamentos sobre danos na Inglaterra só sejam finalizados após 2030.

O Impacto da Tragédia de Mariana

O rompimento da barragem de Fundão, em novembro de 2015, não foi apenas uma falha de engenharia, mas um desastre humanitário e ecológico. O episódio resultou na morte de 19 pessoas e despejou milhões de toneladas de rejeitos de minério de ferro na bacia do Rio Doce, atingindo o litoral do Espírito Santo e destruindo ecossistemas inteiros.

A continuidade do processo no exterior é vista por associações de vítimas como uma esperança de justiça complementar às ações que tramitam no sistema judiciário brasileiro.

Matérias Salvas