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Inconfidência em Ouro Preto: discurso de Angelo Oswaldo contra escolas cívico-militares gera reação de Mateus Simões

Troca de declarações marca solenidade de entrega da Medalha da Inconfidência
Publicado em Noticias
Data de publicação: 21/04/2026 15:34
Última atualização: 21/04/2026 15:39
Fotos - Angelo Oswaldo, prefeito de Ouro Preto e Mateus Simões, governador de Minas Gerais  -  Tino Ansaloni
Fotos - Angelo Oswaldo, prefeito de Ouro Preto e Mateus Simões, governador de Minas Gerais - Tino Ansaloni

A tradicional cerimônia da Medalha da Inconfidência, realizada nesta terça-feira (21) em Ouro Preto, foi marcada por um embate público entre o prefeito da cidade e o governador em exercício de Minas Gerais. O episódio trouxe para o centro do debate a proposta estadual de implantação de escolas cívico-militares.

A solenidade, realizada na Praça Tiradentes e no Centro de Convenções da UFOP, tradicionalmente dedicada à memória de Tiradentes, ganhou contornos políticos após os discursos das autoridades.


Prefeito defende educação democrática e critica militarização

Em sua fala, o prefeito Angelo Oswaldo fez uma defesa enfática da educação pública com base em valores democráticos e criticou, de forma indireta, o modelo de escolas cívico-militares defendido pelo Governo de Minas.

Ao resgatar o papel histórico da cerimônia criada por Juscelino Kubitschek, o prefeito afirmou que Ouro Preto representa uma “escola cívico-militante, não militarista”, destacando que o civismo deve estar associado à formação crítica e à liberdade.

Segundo ele, a educação precisa “iluminar a consciência crítica e fomentar o compromisso da cidadania”, rejeitando modelos baseados em disciplina militar.

O prefeito também evocou o pensamento de Rui Barbosa para reforçar a crítica ao militarismo, classificando-o como incompatível com os princípios da República.


Governador reage e critica “ataque aos militares”

Durante seu discurso, o governador em exercício Mateus Simões reagiu à fala do prefeito e classificou como inadequado o que chamou de “politização” de um momento cívico.

Sem citar diretamente o prefeito, Simões afirmou que houve “descortesia” e criticou o que considerou um ataque às instituições militares. Em resposta, pediu que militares presentes se levantassem para receber homenagem, destacando o papel das forças de segurança e das Forças Armadas.

O governador também reforçou valores como liberdade, família e respeito às instituições, afirmando que “não há nenhum valor que se sustente se a liberdade não se sustenta”.

Ainda em sua fala, Simões destacou o papel das polícias e das instituições na proteção da sociedade, além de defender a importância de reconhecer aqueles que atuam na segurança pública.


Prefeito rebate e acusa desrespeito

Após a cerimônia, o prefeito Angelo Oswaldo voltou a se manifestar e criticou duramente a postura do governador em posicionamento publicado nas redes sociais .

Em declaração pública, afirmou que Simões foi “grosseiro, deseducado e desrespeitoso”, alegando que a reação do chefe do Executivo estadual atingiu não apenas sua fala, mas também os próprios militares presentes.

O prefeito reiterou que sua crítica não foi direcionada às Forças Armadas, mas ao modelo de escolas cívico-militares. “Nós não queremos escolas cívico-militares, queremos escolas cívico-militantes, que militem no civismo, na educação e na pedagogia”, declarou.

Ele também acusou o governador de utilizar a cerimônia para fins políticos, classificando a proposta como um projeto pessoal voltado a setores ideológicos.


Debate expõe divergências sobre educação em Minas

O episódio evidencia uma divergência mais ampla sobre os rumos da educação pública em Minas Gerais. De um lado, o Governo do Estado defende a adoção do modelo cívico-militar como alternativa de gestão e disciplina escolar. De outro, a Prefeitura de Ouro Preto sustenta uma visão pedagógica baseada na formação crítica e democrática.

A troca de declarações durante uma das mais importantes cerimônias cívicas do estado reforça o peso político do tema e indica que o debate deve ganhar novos capítulos nos próximos meses.


Tradição marcada por tensão política

Criada em 1952, a Medalha da Inconfidência é uma das mais importantes honrarias de Minas Gerais e simboliza o compromisso do estado com os ideais republicanos.

Neste ano, no entanto, além das homenagens e celebrações, o evento ficou marcado por um embate que ultrapassou o campo simbólico e trouxe à tona disputas contemporâneas sobre educação, política e o papel das instituições no Brasil.

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