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Brasil conviveu com mais de 34 bilhões de tentativas de golpes digitais em 2025, estima ONG internacional

Relatório da GASA revela que cada adulto do país foi alvo de mais de 200 abordagens criminosas virtuais
Publicado em Brasil, Noticias
Data de publicação: 21/09/2026 17:13
Última atualização: 21/09/2026 17:13
Pessoa manuseia smartphone para visualizar mensagens digitais, principal canal utilizado para abordagens de golpes no Brasil. Imagem ilustrativa. Crédito — Reprodução / Freepik
Pessoa manuseia smartphone para visualizar mensagens digitais, principal canal utilizado para abordagens de golpes no Brasil. Imagem ilustrativa. Crédito — Reprodução / Freepik

A segurança no ambiente virtual segue em alerta vermelho no país. Um relatório global divulgado durante o Brazil Anti-Scam Forum, em São Paulo, aponta que a população adulta brasileira enfrentou, em média, 201,6 tentativas de fraudes cibernéticas no período de 12 meses encerrado em fevereiro de 2026. Ao todo, estima-se que mais de 34 bilhões de abordagens criminosas tenham sido disparadas contra cidadãos em todo o território nacional.

O levantamento “O Estado dos Golpes no Brasil 2026”, elaborado pela Global Anti-Scam Alliance (GASA), traz dados preocupantes sobre a reincidência: 34% dos prejudicados caíram em armadilhas financeiras mais de uma vez. A pesquisa, que compõe um mapeamento realizado em mais de 40 nações, ouviu cerca de mil pessoas no país para analisar a exposição, a interação, os custos e as medidas defensivas contra o crime digital.

Canais mais utilizados e a rapidez dos ataques

De acordo com o estudo, 81% dos adultos brasileiros relataram ter sido contatados por golpistas. Dentre os que chegaram a interagir (39%), uma em cada quatro pessoas sofreu perdas financeiras ou teve dados pessoais comprometidos. A agilidade das investidas chama a atenção: 42% das vítimas perderam quantias em dinheiro em questão de poucas horas ou até minutos.

As ligações telefônicas e os aplicativos de mensagens lideram como os principais vetores de fraude, somando 71% dos casos. O WhatsApp se consolida na ponta do ranking de plataformas mais exploradas (64%), seguido pelo Gmail (32%), Instagram (22%) e YouTube (6%). Entre as abordagens mais frequentes estão os falsos anúncios de compras online (22%), ofertas de dinheiro inesperado (17%) e promessas enganosas de vagas de emprego (17%).

Para Renata Salvini, diretora do capítulo brasileiro da GASA, os números evidenciam a urgência de uma resposta integrada entre autoridades, setor bancário, empresas de tecnologia e sociedade. Ela destaca que a constante reincidência revela um ciclo de vulnerabilidade que precisa ser combatido com educação digital e mecanismos eficientes de bloqueio.

Dificuldades de identificação e o papel do setor financeiro

Reconhecer uma cilada digital ainda é um desafio para 41% da população. Além disso, 40% das vítimas só se deram conta da fraude após o alerta de terceiros ou de instituições financeiras.

No âmbito da prevenção e suporte, os bancos e corretoras lideram a avaliação positiva dos usuários. Segundo estimativas da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), cerca de R$ 5 bilhões são aplicados anualmente em sistemas de proteção e combate a fraudes. A Polícia aparece em seguida na percepção de eficiência, enquanto as operadoras de telecomunicações figuram nos piores índices de avaliação. Apesar dos esforços, a recuperação dos valores subtraídos permanece baixa: apenas 20% das vítimas conseguiram reaver o dinheiro total ou parcialmente.

Impacto na saúde mental e prejuízos bilionários

O levantamento revela que os danos causados por crimes cibernéticos vão além do bolso. Cerca de 76% dos afetados relataram impactos moderados ou graves em seu bem-estar emocional, manifestando sintomas como ansiedade e desconfiança contínua.

Em termos econômicos, a GASA calcula que 16,5 milhões de brasileiros sofreram prejuízos financeiros diretos, totalizando R$ 21,2 bilhões — uma média de R$ 1.287 por pessoa lesada. A diferença em relação às estimativas do ano anterior decorre de um aprimoramento na metodologia de checagem e validação dos dados declarados pelos entrevistados.

Especialistas reforçam que a notificação formal dos incidentes às autoridades e às plataformas é essencial para derrubar perfis fraudulentos, rastrear padrões criminosos e evitar que novas pessoas façam parte das estatísticas.

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