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Faleceu dona Maria do Carmo, a matriarca do Passa Dez de tantas memórias ouro-pretanas

O nome Passa Dez evoca lembranças que atravessam gerações em Ouro Preto. Lugar simples, de alma interiorana e atmosfera acolhedora,…
Publicado em Noticias
Data de publicação: 31/10/2025 11:09
Última atualização: 31/10/2025 11:14

O nome Passa Dez evoca lembranças que atravessam gerações em Ouro Preto. Lugar simples, de alma interiorana e atmosfera acolhedora, onde o cheiro de chouriço acebolado se misturava ao som das risadas, da conversa boa e do barulho da água correndo nas valas onde os próprios clientes lavavam seus carros. Era o encontro entre o trabalho, o lazer e a amizade — e, no coração de tudo isso, estava a Dona Maria do Carmo, figura generosa e serena que marcou a história da cidade.

Ao lado dos filhos, noras e netos, Dona Maria ajudou a erguer, no início da década de 1980, aquele espaço que se tornaria um refúgio bucólico dos ouro-pretanos. Situado num dos recantos mais agradáveis da cidade, o Bar do Passa Dez fazia esquecer a correria da vida urbana — parecia uma casa de campo aberta para receber os moradores da cidade e amigos.

Ali, entre o cheiro do tempero e o frescor da água abundante, muitos encontraram sossego, amizade e boas histórias. As porções, principalmente de chouriço e linguiça, preparadas com capricho e simplicidade, tornaram-se marca registrada, e a fama do lugar se espalhou. Não era apenas um bar — era um ponto de encontro da cidade, uma extensão da própria casa dos frequentadores, onde o tempo parecia correr mais devagar.

Maria do Carmo foi, acima de tudo, uma mulher de fibra. Mãe dedicada, construiu com seus filhos uma trajetória de trabalho e afeto. O filho mais velho, Cacá, herdou o espírito empreendedor da família, fundando o Disk Cerveja Passa Dez, o primeiro serviço de entrega de bebidas de Ouro Preto. Sua morte, em julho de 2020, foi sentida por toda a comunidade.

Dona Maria do Carmo despede-se aos 94 anos deixando um legado de simplicidade, união e acolhimento — virtudes que resistem ao tempo e permanecem vivas na memória de todos que, um dia, sentaram-se à sua mesa ou lavaram seus carros nas valas do Passa Dez, entre uma prosa e outra.

O Jornal Voz Ativa presta, assim, sua homenagem à mulher que ajudou a construir não apenas um estabelecimento, mas um símbolo da Ouro Preto de outrora — aquela cidade de encontros sinceros, de cheiro de comida boa e de amizades que o tempo não apaga.

Velada na Capela Velório, próxima à rodoviária de Ouro Preto, Maria do Carmo Souza, será sepultada às 16h desta sexta-feira, 31 de outubro de 2025, no Cemitério da Igreja do Senhor Bom Jesus de Matozinhos, com o carinho de familiares, amigos e admiradores.

Era viúva de João Custódio de Souza (in memoriam) e mãe de José Geraldo de Souza (Poloti), Wanderley Antônio de Souza (in memoriam) e José Carlos de Souza (Cacá – in memoriam). Deixa netos, bisnetos, noras, sobrinhos, primos e uma legião de amigos e admiradores que guardam, com ternura, a lembrança de sua presença firme e doce.

Dona Maria do Carmo parte deixando lembranças que resistem, como a saudade dos tempos em que o trabalho, a amizade e o acolhimento se misturavam num só lugar — um lugar que continuará vivo na memória afetiva de Ouro Preto.

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