É oficial! Ouro Preto-MG será tema da Escola de Samba São Clemente no Carnaval 2020

A informação foi confirmada por Milton Cunha, comentarista de Carnaval da TV Globo e Renato Almeida Gomes, presidente da São Clemente, em entrevista ao Jornal Voz Ativa, na noite desta quinta-feira (13/06), no Centro de Artes e Convenções da Universidade Federal de Ouro Preto.

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Por João Paulo Silva Publicado em 14/06/2019, 13:16 - Atualizado em 04/07/2019, 23:40
Foto- Secretário Felipe Vechia, prefeito Júlio Pimenta, Milton Cunha e Renato Almeida, após entrevista durante o lançamento do Festival de Turismo de Ouro Preto. Crédito-Tino Ansaloni.

Ouro Preto e Minas Gerais estarão inseridas como tema da Escola de Samba São Clemente, do Rio de Janeiro, no Carnaval 2020. A informação foi confirmada por Milton Cunha, comentarista de Carnaval da TV Globo e Renato Almeida Gomes, presidente da escola, ambos esbanjando simpatia em entrevista ao Jornal Voz Ativa, na noite desta quinta-feira (13/06), no lançamento do Festival de Turismo na cidade histórica.

Com “O Conto do Vigário”, enredo já definido para o próximo Carnaval, a agremiação da Zona Sul carioca, levará para a avenida o barroco mineiro, as histórias de minas e a cultura ouro-pretana ao maior evento cultural do mundo. A expressão popular designa como o povo brasileiro é enganado em determinadas situações.

“A escola da comunidade de Botafogo irá explorar a origem da expressão conto do vigário. É a história da rivalidade de duas paróquias de Ouro Preto pela posse da imagem de Nosso Senhor dos Passos, mas também é uma grande homenagem ao barroco”, disse Milton Cunha.

Milton Cunha também revelou, em primeira mão, alguns detalhes das alegorias como: carro abre-alas “ferrérico”, anjos de Aleijadinho, Igreja do Pilar, Igreja da Conceição, os Jacubas e Mocotós.

Renato Almeida Gomes, presidente da Escola de Samba São Clemente, disse que a ideia veio do carnavalesco Jorge Silveira. “Eu disse a ele que precisávamos fazer um carnaval maior, já que a disputa está tão grande no Rio de Janeiro. Então ele veio, fez uma pesquisa e achou a ideia maravilhosa”.

Gomes também revelou alguns detalhes sobre o desfile. “Primeiro e segundo setor, mais de mil componentes, todos vêm falando de Ouro Preto. Uma história super rica e que engrandece a todos os brasileiros”.

Como não poderia faltar, a histórica da agremiação carnavalesca Clube Zé Pereira dos Lacaios também será explorada no desfile da São Clemente. “O Zé Pereira, essa agremiação centenária, também será homenageada, bem como a Sinhá Olímpia. Um verdadeiro caldeirão cultural. Incrível essa cidade, quanto causo, quanta história Ouro Preto tem! E nunca acaba! ”, completou Milton.

Milton Cunha e Renato Almeida afirmaram também que haverá um período de intercâmbio entre Ouro Preto e Rio de Janeiro. “Vamos trazer oficinas de bateria, mestre sala e porta bandeira, além de desenho de figurino e enredo. A intenção é mostrar como a gente faz e conhecer também o toque da bateria daqui, que é tão específico. Duas cidades importantes culturalmente, mostrando como cada uma faz o seu carnaval”.

Após a entrevista e durante o lançamento do Festival de Turismo de Ouro Preto, Felipe Vechia, Secretário de Turismo Indústria e Comércio e o prefeito da cidade, Júlio Pimenta, anunciaram e comemoraram a escolha de Ouro Preto, como tema da Escola.

Pela primeira vez, na cidade, foi mostrada a camisa com arte e o tema da São Clemente.

Leia a sinopse, autoria do carnavalesco Jorge Silveira, da Escola de Samba São Clemente sobre o enredo o ‘Conto do Vigário’ que em 2020 levará a história de Ouro Preto para a Marquês de Sapucaí e para o mundo naquele que é considerado o maior show da Terra.

A regra é clara”: nesta terra inventada, é certo o desacerto.

Frase forte. Porém, é mais forte ainda o histórico de malandragem que assola Pindorama. O tempo passa e fica cada vez mais difícil enxergar uma luz no fim do túnel.  A capacidade da malandragem de se reinventar encontrou sombra e água fresca no Brasil: já faz tempo que tem gente tirando proveito da gente, ficando com a fatia maior do bolo. A inocência e esperteza travam um duelo secular por essas bandas. Do peixe pequeno ao espadaúdo, a arte de se dar bem sem muito esforço se proliferou em nossa nação sem noção. O engano é oficial: e isso vem de longe…

Nossa história começa cercada pelas Minas Gerais. Na Minas dourada, barroca, ao som de sinos nas torres de igrejas e carroças rangendo pelas vielas e ladeiras – lá pelos idos do século XVIII, mais precisamente na rica Ouro Preto. Uma terra de tanta fartura mineral que despertou a atenção de pessoas dispostas a desfrutar de tamanha prosperidade sem muito esforço. Mas digo que o ponto inicial de nossa saga não começa com a cobiça pelo ouro. Nosso marco inicial é pitoresco e envolve os personagens mais improváveis: uma santa, um burro e um vigário.

Naquela ocasião, duas igrejas disputavam uma imagem de Nossa Senhora. A animada querela era entre as paróquias do Pilar e da Conceição. Para resolver a questão, um dos dois vigários – o da igreja do Pilar – propôs uma forma no mínimo criativa de solucionar o problema: “Amarrem a santa num burrico. Coloquem-na entre as duas paróquias. Deus guiará o inocente animal até a casa que deverá abrigar a Santa Imagem! ”

Assim foi feito. Lá vai o burrico pelas ladeiras de Ouro Preto, carregando no lombo a imagem da Mãe de Deus e a fé da boa gente do lugar. No entanto, o povo não contava com a astúcia do vigário: era esperto o santo homem! O pároco que teve a ideia fez a proposta com tudo já planejado, uma vez que já era seu o burro apostado! O bichinho só seguiu o caminho de casa! Muitas outras versões existem para esse caso, mas para nós fica esse como o registro mais válido, já que é por causa disso que toda vez que alguém é por uma boa história enganado, diz a pessoa ter caído no “conto do Vigário”.

O episódio acima ilustra de maneira bem jocosa o espirito da coisa. Essa malandragem encontrou terreno fértil na colônia controversa, sem rumo e sem lei, onde essa vigarice criou raiz. Desde que os portugueses aqui chegaram, sempre teve alguém dando um jeito de se dar bem em cima da inocência alheia. Do mais humilde ao mais poderoso, sempre surge uma história bem contada, de alguém querendo levar vantagem. Sem orgulho, carregamos essa chaga da enganação, é verdade. Sempre surge um novo malandro reinventando a malandragem – e foi com o crescimento das grandes cidades, cheias de novas oportunidades, que os vigaristas encontraram terreno fértil para aplicar seus golpes sobre os incautos.

Do “bilhete premiado” à “máquina de fazer dinheiro”, a criatividade dos enganadores em aplicar golpes em nosso país desafia o bom senso. Até quando o homem pisou na Lua teve gente dobrando o povo no papo, anunciando a corretagem: “não perca essa chance! Vende-se um terreno na Lua! Na minha mão é mais barato! ” Seria cômico, se não fosse trágico. É fato contado e documentado. Os folhetins do século passado registraram os feitos em manchetes, como aqueles datados de julho de 1969 que, enquanto a Apollo 11 tocava o solo lunar, um sergipano chegou a fechar negócio com dois fazendeiros de Minas Gerais, que ficaram animados com a possibilidade de ter a posse de ótimos logradouros vizinhos a São Jorge. Olhai por nós, oh pai!

E por falar no Gerente Celeste, nessa jornada é preciso ter fé. E como tem gente fazendo uso da boa-fé do brasileiro.  O papel do interlocutor com o Divino profissionalizou-se, capitalizou-se e burocratizou-se. Tá cheio de esperto, se dizendo santo, cobrando taxa e sobretaxa por um lugar no céu: verdadeiros lobos em pele de cordeiro. O milagre tem seu preço! No mercado da fé, ganha mais quem vender mais promessas. O povo, coitado, sofrido e sem opção, é isca fácil para aqueles que fazem de ofício a oração. “Trago a pessoa amada em três dias! ” Mas não seja por isso: “Ele” está vendo tudo com atenção. Um dia a Casa Celeste cai!

No Brasil, a malandragem é institucional, carimbada, registrada e homologada em 10 vias no cartório. Este rincão não é para amadores: de dois em dois anos o povo tem que escolher a melhor promessa. Toda vez a esperança se renova, até a primeira curva torta: depois de eleito, o malandro deixa o povo à deriva. Pelo voto, se vende as maiores ilusões. E como sabem contar histórias esses candidatos a “malandro oficial”. Antes de ter seu voto, prometem mundos e fundos; depois de eleitos, cada um vai cuidar dos seus próprios interesses. Já o povo, por sua vez, insiste em trocar seu voto por dentadura.

Passa o tempo, mas não passa a vigarice do malandro. Ele se adapta, se “atualiza”, viraliza, cai na rede. E o povo vai na onda. Compra gato por lebre, perde o sustento suado, é feito de gato e sapato. A modernidade não assusta a malandragem: o vigarista se adapta! Vende inverdades à rodo, sem temer o amanhã. Vende o produto que nunca se viu: “Fake News”! “Fake News”! “Fake News”!

O papo é reto, direto e franco: abra o olho brasileiro. Já dizia o saudoso Bezerra da Silva que “malandro é malandro e mané é mané”. Nesta terra inventada, é certo o desacerto, mas cabe a nós dar um freio. O certo é o certo; fora disso, é alheio.”

G.R.E.S. São Clemente, como tudo começou

Como pode um jogo criado na Inglaterra se tornar tão popular no Brasil?

Nenhum esporte mobiliza tanto os brasileiros quanto o futebol. A explicação está na facilidade de se praticar, até com laranjas a população jogava e se divertia. Foi dessa forma que o esporte se popularizou, criando a convicção de que o Brasil joga “o melhor futebol do mundo”, graças à ginga, e a valorização do drible, o que o diferencia dos demais países.

Acompanhando o interesse pelo esporte, no ano de 1951, jovens do bairro de Botafogo, participavam de uma equipe nas cores azul e branca chamada São Clemente Futebol Clube, em homenagem a rua que moravam. Frequentemente faziam excursões para jogar em outras comunidades. Numa dessas excursões, com destino à Bananal – RJ, o grupo se reuniu em frente à Vila Gauí existente até hoje na Rua São Clemente nº 176 no bairro de Botafogo, Cidade do Rio de Janeiro e, enquanto aguardava o início da viagem Ivo da Rocha Gomes avistou na porta de uma quitanda, duas barricas vazias de uva, que de imediato transformou em instrumentos de percussão para uma animada batucada.

À empolgação foi tanta, que Ivo resolveu criar a partir daquele momento um “bloco de sujo” que passou a desfilar no Carnaval pelo bairro de Botafogo com a cor azul e branca.

Os primeiros ensaios foram realizados no estacionamento da autopeça Cia Iansa na Rua São Clemente, sob o efêmero brilho de simples gambiarras, pequenos grupos se organizavam ao redor de uma bandeira, ao som de alguns poucos instrumentos cantando e sambando.

No carnaval de 1952 o bloco desfilou pela primeira vez nas cores azul e branco e o samba foi da autoria de Nelson Escurinho com a seguinte letra:

Vamos cantar à melodia
Trazida do meu coração
Vamos esquecer a tristeza cruel da desilusão
Da melodia fiz um poema
Que canto nas noites de solidão
Eu era tão feliz

Vivia na maior desilusão
Hoje não me resta mais nada
Só existe no meu coração
E neste samba que é um poema
Que canto nas noites de solidão

(Texto retirado do site oficial da São Clemente)

As oficinas carnavalescas da São Clemente chegam a Ouro Preto a partir de agosto para um intercâmbio de ideias e enriquecimento mútuo de ambas as cidades.

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Milton Cunha, comentarista de Carnaval da TV Globo e Renato Almeida Gomes, presidente da São Clemente, em entrevista ao Jornal Voz Ativa. Crédito-Reprodução.

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