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Duplicação da BR-356: Rota da Liberdade apresenta cronograma de obras e busca tranquilizar moradores sobre desapropriações

Concessionária detalha investimentos, anuncia melhorias já executadas e afirma que eventuais remoções serão discutidas com comunidades
Publicado em Noticias, Urgente
Data de publicação: 10/06/2026 17:25
Última atualização: 10/06/2026 17:25
Representantes da Rota da Liberdade e profissionais da imprensa regional durante café com a imprensa realizado em Mariana para apresentação dos investimentos previstos na concessão da BR-356 e demais rodovias do trecho administrado pela empresa. Foto: Divulgação/Rota da Liberdade.
Representantes da Rota da Liberdade e profissionais da imprensa regional durante café com a imprensa realizado em Mariana para apresentação dos investimentos previstos na concessão da BR-356 e demais rodovias do trecho administrado pela empresa. Foto: Divulgação/Rota da Liberdade.

A duplicação da BR-356, uma das obras de infraestrutura mais aguardadas das últimas décadas na Região dos Inconfidentes, continua mobilizando moradores, comerciantes, lideranças comunitárias e autoridades de Ouro Preto e Mariana. Ao mesmo tempo em que a população reconhece a necessidade de melhorias na principal ligação entre as cidades históricas e a Região Metropolitana de Belo Horizonte, cresce a preocupação de famílias e empreendedores que vivem ou mantêm atividades às margens da rodovia.

O tema voltou ao centro das discussões nesta quarta-feira (10), durante um café com a imprensa promovido pela concessionária Rota da Liberdade, em Mariana. O encontro reuniu jornalistas da região, integrantes da diretoria da empresa e representantes das áreas de engenharia, obras e relações institucionais.

A proposta foi apresentar os primeiros resultados dos cerca de 80 dias de operação da concessionária e esclarecer dúvidas sobre os investimentos previstos para os próximos anos, especialmente aquelas relacionadas às futuras obras de duplicação da BR-356.

Desde março deste ano, a Rota da Liberdade é responsável pela administração de aproximadamente 190 quilômetros das rodovias BR-356, MG-262 e MG-329, trecho que atravessa 11 municípios mineiros e conecta Nova Lima a Rio Casca.

Segundo a empresa, o contrato prevê investimentos estimados em R$ 5 bilhões ao longo dos próximos 30 anos.

Preocupação com desapropriações domina debates públicos

Embora a apresentação tenha abordado diversos aspectos técnicos da concessão, foi a questão das possíveis desapropriações que dominou boa parte das perguntas feitas pelos jornalistas presentes.

O assunto já foi pauta de audiências promovidas pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais e também motivou discussões recentes nas câmaras municipais de Ouro Preto e Mariana.

Em vários pontos da BR-356, especialmente nos perímetros urbanos de Cachoeira do Campo, Amarantina, Passagem de Mariana, Vila São Vicente e trechos próximos ao acesso de Mariana, moradores manifestam preocupação sobre o futuro de imóveis localizados próximos à faixa de domínio da rodovia.

Durante o encontro, o diretor institucional da concessionária, Marconi Zanoni, reconheceu que a apreensão da população é legítima, mas ressaltou que ainda não existem definições sobre quais imóveis poderão ser impactados pelas futuras obras.

A empresa explicou que os projetos atualmente existentes são funcionais e serviram como base para a modelagem da concessão. Os projetos executivos, que irão definir exatamente por onde passarão as intervenções, ainda serão desenvolvidos ao longo dos próximos anos.

Por esse motivo, a concessionária considera prematuro qualquer levantamento definitivo sobre possíveis desapropriações.

“Ainda estamos na fase de estudos e desenvolvimento dos projetos. Qualquer informação definitiva sobre áreas atingidas dependerá das soluções de engenharia que serão adotadas futuramente”, explicou a equipe técnica da empresa.

Concessionária promete diálogo e tratamento humanizado

Outro ponto enfatizado durante a reunião foi o compromisso da empresa em manter diálogo com moradores, associações comunitárias, prefeituras e órgãos públicos.

Segundo os representantes da concessionária, eventuais desapropriações serão conduzidas dentro dos procedimentos legais e acompanhadas por equipes especializadas.

A empresa informou que os processos deverão envolver avaliações imobiliárias, análises sociais e negociações individuais com cada família eventualmente impactada.

Os dirigentes também destacaram que não existe qualquer previsão de remoções compulsórias sem negociação prévia.

A fala buscou tranquilizar moradores que demonstram receio diante de experiências passadas envolvendo desapropriações e reassentamentos em diferentes regiões de Minas Gerais.

“Cada situação será analisada individualmente. Ninguém será surpreendido por decisões unilaterais. O compromisso é construir soluções de forma transparente e respeitosa”, afirmou a concessionária.

Obras estruturais começam a partir do terceiro ano

Apesar da grande expectativa em torno da duplicação, a empresa explicou que as intervenções mais robustas ainda estão previstas para os próximos anos.

O cronograma apresentado prevê que as obras de ampliação da capacidade viária sejam executadas entre o terceiro e o sexto ano da concessão.

O pacote de investimentos contempla:

Principais obras previstas

  • 78,7 quilômetros de duplicação;
  • 65,4 quilômetros de acostamentos;
  • 40,6 quilômetros de terceiras faixas;
  • 22,9 quilômetros de correções geométricas de curvas;
  • 6,8 quilômetros de vias marginais;
  • 11 passarelas para pedestres;
  • Área de escape na Serra da Santa, em Itabirito;
  • Contorno viário de Amarantina;
  • Balança eletrônica de pesagem sem parada em Cachoeira do Campo;
  • Ponto de parada e descanso para caminhoneiros em Amarantina;
  • Bases operacionais de atendimento ao usuário em Ouro Preto, Mariana e Ponte Nova.

A concessionária informou que a meta é concluir a duplicação integral do trecho da BR-356 entre Itabirito, Ouro Preto e Mariana dentro do período estabelecido pelo contrato.

Rodovias já recebem melhorias emergenciais

Enquanto os projetos de ampliação são desenvolvidos, a concessionária concentra esforços no chamado Plano de 100 Dias, voltado para a recuperação das condições básicas de segurança e trafegabilidade.

De acordo com os dados apresentados, já foram realizadas 532 operações de tapa-buraco, resultado que superou em 35% a meta inicialmente prevista.

Também foram executadas ações de limpeza de drenagens, recuperação de erosões, revitalização de sinalização horizontal e vertical, instalação de dispositivos refletivos e roçadas ao longo das faixas de domínio.

A empresa destacou que muitos dos problemas encontrados decorrem de anos de manutenção insuficiente da infraestrutura rodoviária.

Segundo os engenheiros responsáveis, diversos sistemas de drenagem estavam completamente obstruídos, situação que contribuiu para processos erosivos observados em vários pontos da BR-356 e das demais rodovias concedidas.

Atendimento ao usuário terá estrutura permanente

Outro destaque da apresentação foi a futura implantação da estrutura operacional da concessão.

Até março de 2027, a previsão é que o sistema conte com:

  • Três ambulâncias para atendimento pré-hospitalar;
  • Três guinchos de atendimento;
  • Equipes de inspeção de tráfego funcionando 24 horas por dia;
  • Caminhão de combate a incêndios;
  • Equipes para recolhimento de animais;
  • Monitoramento por câmeras em todo o trecho concedido;
  • Centro de Controle Operacional integrado.

A concessionária também confirmou a futura disponibilização de canal 0800, ouvidoria e demais sistemas de atendimento ao usuário.

Turismo e desenvolvimento regional

Durante a reunião, os representantes da empresa destacaram que a melhoria das condições da BR-356 poderá trazer impactos positivos para o turismo, para a logística e para a economia regional.

A expectativa é que a redução dos tempos de deslocamento e o aumento da segurança viária fortaleçam o fluxo turístico para cidades como Ouro Preto, Mariana, Itabirito e os distritos históricos da região.

Além disso, a concessionária informou que pretende priorizar a contratação de trabalhadores e fornecedores locais, ampliando a geração de emprego e renda nos municípios atendidos.

Enquanto os primeiros serviços já transformam a paisagem das rodovias, a principal mensagem transmitida pela Rota da Liberdade foi a de que o processo de duplicação ainda está em fase inicial e que as discussões sobre eventuais impactos sociais deverão ocorrer gradualmente, acompanhadas por estudos técnicos e diálogo permanente com as comunidades.

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