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CNBB denuncia exclusão de indígenas Tupiniquim e Guarani no Novo Acordo do Rio Doce após desastre-crime em Mariana

Moção da Comissão Justiça e Paz cobra reparação justa pelo rompimento da barragem de Fundão, em 2015.
Publicado em Noticias
Data de publicação: 03/03/2026 16:52
Última atualização: 03/03/2026 16:52
Distrito de Bento Rodrigues, em Mariana (MG), atingido pelo rompimento de duas barragens de rejeitos da mineradora Samarco em 2015 Antonio Cruz/ Agência Brasil
Distrito de Bento Rodrigues, em Mariana (MG), atingido pelo rompimento de duas barragens de rejeitos da mineradora Samarco em 2015 Antonio Cruz/ Agência Brasil

A Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP), ligada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), emitiu uma moção em defesa dos povos indígenas Tupiniquim e Guarani, duramente impactados pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), ocorrido em 2015.

O texto, produzido durante o 5º Encontro da Rede Brasileira de Justiça e Paz, critica a omissão desses grupos no Novo Acordo do Rio Doce, que já liberou mais de R$ 1,6 bilhão em medidas reparatórias para áreas contaminadas. O pacto total, firmado em 2024, prevê R$ 132 bilhões em ações ao longo de 20 anos.

“A marginalização dos povos originários nas tratativas do novo acordo do Rio Doce perpetua um padrão de agressões e mutismo”, destaca o manifesto.

Residentes de Aracruz (ES), as comunidades Tupiniquim e Guarani ainda lidam com os estragos do maior crime ambiental do Brasil, quando 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério de ferro e sílica envenenaram o rio Doce, alcançando o Espírito Santo e o oceano.

Impactos Persistentes no Rio Doce e nas Comunidades Indígenas

O rio Doce representa o cerne da vida para Tupiniquim e Guarani. A lama tóxica devastou a pesca, a agricultura familiar e as tradições ancestrais, com os poluentes se espalhando por centenas de quilômetros. Responsável pelo desastre, a mineradora Samarco – controlada por Vale e BHP Billiton – deixou um legado de destruição que persiste até hoje.

A CBJP menciona com preocupação protestos recentes, como o bloqueio da ferrovia Piraqueaçu em Aracruz, em 2025. Cerca de 200 famílias indígenas Tupiniquim paralisaram o ramal ferroviário, expondo ao Brasil que os efeitos do rompimento da barragem de Fundão em Mariana seguem sem solução plena. As reivindicações incluem a inclusão efetiva nos planos de reparação e o cumprimento da consulta prévia, livre e informada.

Consulta Prévia: Direito Garantido pela OIT e Ignorado no Acordo

A consulta prévia é um pilar de proteção para povos tradicionais, previsto na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), adotada em 1989 e incorporada ao ordenamento brasileiro em 2002. Ela assegura que comunidades indígenas participem de deliberações sobre projetos que afetem seus territórios, evitando decisões impostas.

O antigo acordo de reparação, assinado logo após o crime ambiental em Mariana, favoreceu as mineradoras em prejuízo dos atingidos. O Novo Acordo do Rio Doce amplia os recursos e a voz popular, mas falha ao excluir grupos como Tupiniquim e Guarani, sem o devido diálogo.

“Impulsionemos a consulta pública com protocolos indígenas, livre, prévia e informada, para que a reparação seja definida por e para vocês”, conclama a moção da CNBB.

Essa posição reforça a luta por justiça ambiental e direitos indígenas, destacando a necessidade de inclusão total no Novo Acordo do Rio Doce. Compartilhe se você apoia a causa e acompanhe atualizações sobre o rompimento da barragem de Fundão.

CTA tradição Jornal Voz Ativa

Com informações do portal Brasil de Fato

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