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Atacada por cachorro, menina tem vida salva por médicos no hospital João XXIII

Somente em 2021, a unidade atendeu 146 casos de agressões de cães. Neste ano, já foram 42 pessoas atendidas no hospital

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Por Aline Castro Alves Publicado em 09/05/2022, 17:01 - Atualizado em 09/05/2022, 18:13
Foto – Procedimento pré-cirúrgico no Hospital João XXIII. Crédito – Divulgação. Siga no Google News

Podia ter sido o fim quando Luiza, de apenas 1 ano e 4 meses, foi atacada por um cachorro da raça Rottweiler. Mas foi apenas o começo de uma corrida contra o tempo até chegar ao Hospital João XXIII, da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), onde ela foi atendida por uma equipe altamente preparada. 

Eram 18 horas do dia 24 de setembro de 2021 quando o ataque aconteceu, na cidade de Pará de Minas, localizada no interior do estado, onde ela recebeu os primeiros atendimentos. A transferência para o Hospital João XXIII ocorreu algumas horas depois, comovendo toda a equipe pela gravidade do caso. 

“A Luiza sofreu arrancamento de todo o couro cabeludo, além de uma fratura óssea no crânio, e chegou à unidade em estado de choque. Como não havia possibilidade, no caso dela, de cobertura cutânea e não seria possível usar a técnica que chamamos de “retalhos”, já que ela ainda é muito pequena, a única opção que nos restava era a matriz dérmica, que é uma tela biológica”,  relata a cirurgiã plástica do HJXXIII Vivian Lemos.

Como o HJXXIII não tinha o material necessário, a equipe solicitou o apoio do presidente da Sociedade Regional de Cirurgia Plástica de Minas Gerais, Wagner Rocha, que conseguiu a liberação dessa matriz, excepcionalmente para a Luiza,  por meio de um mandado judicial. “Foi uma medida de emergência, com o objetivo de salvar a vida, necessária para que ela pudesse se recuperar e saísse da condição de urgência. Depois disso, ainda conseguimos a liberação de uma segunda matriz, sem a necessidade de medida jurídica. Com isso, reconstruímos o couro cabeludo por completo para depois fazer o enxerto”, detalha Vivian. 

A mãe da criança, Flávia Guimarães Silva Faria, é só elogios ao hospital. “Ficamos 60 dias no João XXIII, onde ela foi muito bem cuidada. Não tenho como agradecer a equipe.  A Luiza teve um atendimento excelente, fizeram tudo o que podiam por ela. É um hospital espetacular!”, afirma.

Novas cirurgias

Atualmente, Luiza está com 1 ano e 10 meses e segue sendo acompanhada pela cirurgia plástica do HJXXIII. “Nosso principal objetivo, quando ela chegou, era salvar sua vida. Hoje, seguimos em tratamento para tentar amenizar a sequela que ficou, que é a paralisia facial do lado direito, comprometendo seu sorriso e o olhinho”, aponta a cirurgiã plástica Vivian Lemos.

Para isso, a criança passou por uma nova cirurgia, que contou com o apoio, como voluntárias, da cirurgiã plástica Raquel Batista - especialista em paralisia facial -  e das  otorrinolaringologistas do Hospital das Clínicas Helena Maria Gonçalves Becker e Letícia Paiva Franco - que trabalham com monitorização e eletroneurofisiologia. “Realizamos a cirurgia de reanimação facial da Luiza. Após a sua recuperação, ela deverá complementar seu tratamento com fonoaudiólogo e fisioterapeuta e, possivelmente,  em um futuro próximo passar por outra cirurgia para reabilitação completa”, explica Vivian. 

Escassez de profissionais 

A médica chama a atenção para a importância da cirurgia plástica reparadora e comenta sobre a falta de profissionais no mercado. “Se a gente não tiver cirurgiões plásticos formados fica difícil atender à grande demanda de pessoas com sequelas que necessitam dos procedimentos cirúrgicos, seja por necessidades estéticas ou motoras. Essa é nossa filosofia, ajudar essas pessoas. Ter cirurgiões com habilidades para lidar com retalhos e com toda essa logística que envolve  o planejamento cirúrgico de casos como estes que tratamos aqui - desde quando recebemos o paciente até a sua reabilitação e reinserção na sociedade - é extremamente importante”.

Cirurgia Plástica no João XXIII

A equipe de cirurgia plástica do Hospital João XXIII é a segunda que mais realiza cirurgias no hospital. Isso sem falar dos procedimentos cirúrgicos que são feitos na Unidade de Pequenos Ferimentos (UPF) e no Centro de Tratamento de Queimados (CTQ).  

Além disso, participa da Comissão de Prevenção e Tratamento de Lesões, colaborando com o treinamento oferecido para melhorar a assistência no Complexo Hospitalar de Urgência e Emergência da Fhemig. 

De acordo com a coordenadora da cirurgia plástica do Complexo e do CTQ, Kelly Araújo, além das vítimas de mordeduras caninas, grande parte do atendimento é feito a vítimas de animais peçonhentos e queimaduras (com líquidos quentes , combustíveis , chama direta ou produtos químicos), pessoas que se acidentaram no trabalho  e, principalmente, no trânsito (pedestres, motociclistas e ocupantes de outros veículos).  

“Com a organização da Rede de Urgência e Emergência,  incluindo o trabalho do Samu e dos Bombeiros,  pacientes com complexidade  extrema de ferimentos são levados ao hospital e recebem atendimento especializado da nossa equipe, em tempo hábil”, contextualiza Kelly. 

Hoje, a unidade já conta com a matriz dérmica para atender outros pacientes que necessitarem, quando não houver a possibilidade de recorrer aos retalhos cirúrgicos. 

Arquivo pessoal Vivian Lemos 

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