Alerta! Igreja em risco, em Ouro Preto-MG

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Por Tino Ansaloni Publicado em 25/06/2019, 19:51 - Atualizado em 04/07/2019, 23:46

Mesmo após incêndio que colocou em risco a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, no bairro de mesmo nome, na cidade patrimônio da Humanidade, Ouro Preto, em Minas Gerais, o risco continua.

Não há sistema de câmeras que possa dar cabo desse vandalismo. Não há vigilância que dê fim às visitas às escadas durante as madrugadas frias de Ouro Preto.

A foto acima, capa dessa matéria, foi feita no feriado de Corpus Christi de 2019, portanto, há 6 dias. 

Assista aqui: Fogo destrói porta da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, em Ouro Preto-MG

 

 

Após uma porta inteira vir ao chão, em chamas, na madrugada de 11/03, as marcas de fogo, colocado por vândalos, nas portas laterais da Igreja, continuam sendo encontradas.

Claramente e evidentemente que as pessoas que usam as escadarias para inúmeros fins, acendem velas e restos de embalagens no intuito de queimar mais uma porta histórica, ou a Igreja inteira.

Na última ocorrência, um taxista que é membro da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, passava em trabalho na madrugada, pelo Largo do Rosário, quando viu a luz das chamas que já consumiam a porta, ligando imediatamente para os bombeiros, que chegaram em tempo hábil e debelaram o incêndio.

Alguns templos católicos históricos da cidade não tem cercamento de seu adro, como é o caso da Igreja de Nossa Senhora do Rosário. Luminárias (lampiões) típicos da cidade têm frequentemente vidros e lâmpadas quebrados, de modo que, na penumbra, as ações sejam facilitadas.

Sobre a Igreja de Nossa Senhora do Rosário

A Igreja de Nossa Senhora do Rosário, em Ouro Preto-MG, foi tombada por sua importância cultural. Projeto atribuído ao artista Antônio Pereira Sousa Calheiros.

IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
Nome atribuído: Igreja de Nossa Senhora do Rosário
Localização: Largo do Rosário – Ouro Preto – MG
Número do Processo: 75-T-1938
Livro do Tombo Belas Artes: Inscr. nº 248, de 08/09/1939
Observações: O tombamento inclui todo o seu acervo, de acordo com a Resolução do Conselho Consultivo da SPHAN, de 13/08/85, referente ao Processo Administrativo nº 13/85/SPHAN.

Descrição: A Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos foi formalmente constituída em 1715, e funcionou inicialmente na Matriz de Nossa Senhora do Pilar. Já no ano seguinte, adquiriu capela própria no Bairro do Caquende.

Por ocasião da procissão conhecida como “Triunfo Eucarístico”, realizada em Vila Rica no ano de 1733, em que se procedeu o traslado da imagem do Santíssimo Sacramento da primitiva capela do Rosário para a Matriz do Pilar, construíram os Irmãos do Rosário a rua que tomou posteriormente o nome de rua do Sacramento (atual Getúlio Vargas) para a passagem desta procissão.

Em troca desse benefício, em 1761 a Irmandade obteve do Senado da Câmara, concessão de um amplo terreno, próximo à capela primitiva, onde foi construída a atual Igreja do Rosário, cujo risco é atribuído ao artista Antônio Pereira Sousa Calheiros.

Diante da lacuna na documentação, não se pode datar com precisão a época de início das obras. Pode-se, entretanto, com base no testamento do mestre de obras José Pereira dos Santos, inferir que as obras da Igreja do Rosário já se encontravam bastante adiantadas em meados de 1762, uma vez que no referido documento já se fala em ajuste de novos portais em lugar de óculos. Sua história é também obscura com relação ao período que compreende os anos de 1762 e 1781, visto que o mais antigo livro de Receita e Despesa da Irmandade do Rosário, localizado pelo historiador Cônego Trindade, tem como data inicial o ano de 1781.

Em 1784, Manuel Francisco de Araújo é contratado para fazer o risco da empena e frontispício, obras estas arrematadas no ano seguinte por José Ribeiro de Carvalhais, já incluindo também as torres.

As obras foram executadas no período compreendido entre os anos de 1784 e 1793. A decoração interna do templo iniciou-se por volta de 1784, cabendo a Manuel José Velasco a execução de dois altares. O entalhador José Rodrigues da Silva realizou entre 1790 e 1792, cinco altares colaterais, os quais receberam pintura e douramento dos artistas Manuel Ribeiro Rosa e José Gervásio de Sousa. Este último, além da pintura da capela-mor em 1798/99 e dos altares de Santo Antônio, São Benedito e Santa Efigênia, executou também os painéis da sacristia, entre 1792 e 1794. A construção do adro data de 1820, obra de Manuel Antônio Viana e José Veloso Carmo. Finalmente, em 1822/1823, foram feitos o coro, tapavento e portas de almofadas para a capela-mor.

O monumento passou por obras de restauração nos anos de 1869 e 1882, através de verbas concedidas pelo Governo Provincial. Dentre as obras realizadas no século XX, merece destacar a de 1935/36, sob a coordenação da antiga Inspetoria de Monumentos Nacionais, compreendendo, entre outros serviços gerais, a confecção de grades de ferro para a galilé, até então fechada com velhas cancelas de madeira, e de 40 bancos de madeira para a nave. Tanto as grades quanto os bancos foram desenhados pelo pintor paulista J. Wasth Rodrigues.

A Igreja de Nossa Senhora do Rosário é considerada pelos especialistas como a expressão máxima do barroco colonial mineiro. É composta por planta elíptica, com corredores em torno da capela-mor e sacristia quadrangular na extremidade. O frontispício cilíndrico apresenta três arcos no primeiro pavimento, três portas sacadas no segundo e, como coroamento um frontão trilobado. O uso da cantaria se manifesta nas arcadas, entablamento, frontão, consolos e coruchéis que, em contraste com o branco do frontão e da cimalha que arremata o entablamento, proporciona um efeito imponente ao frontispício. Segundo Paulo Ferreira Santos, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário teria sofrido influência das igrejas de São Pedro dos Clérigos das cidades do Porto e Rio de Janeiro, como também da igreja de San Carlo Alle Quattro Fontane, de Francesco Boromini. A cadeia de influências inclui ainda a Igreja de São Pedro dos Clérigos de Minas Gerais e São Francisco de Assis de Ouro Preto.

Internamente, a monumentalidade é conferida pelos elementos arquitetônicos, como as pilastras toscanas que delimitam o espaço interno da nave. Já os altares, executados entre 1784 e 1792 por Manuel Velasco e José Rodrigues da Silva, são de uma simplicidade extrema, predominado o aspecto pictórico. Em número de seis, estão sob a invocação dos santos da Irmandade de Rosário dos Pretos. Quanto à imaginária, as imagens de Santo Antônio da Núbia e São Benedito são atribuídas ao Padre Antônio Félix Lisboa, meio-irmão do Aleijadinho, mas sem prova documental. Por outro lado, os Livros de Receita e Despesa da Irmandade apontam um pagamento a Manuel Dias da Silva e Sousa pela fatura de cinco imagens de madeira em 1800-1801.

Fonte: Iphan.

 

 

 

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