Advogado Bernardo Campomizzi faz discurso emocionado sobre projeto de revitalização da Praça Gomes Freire

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Por João Paulo Silva Publicado em 13/11/2019, 11:04 - Atualizado em 13/11/2019, 11:03
“A lama não sairá de nós e não deve ser lavada”, discursou Bernardo Campomizzi. Crédito-João Paulo Teluca Silva.

O advogado especialista em Direito Ambiental e Minerário, Bernardo Campomizzi Machado, esteve presente na Audiência Pública sobre o projeto de Revitalização da Praça Gomes Freire – O Jardim. O encontro aconteceu nesta segunda-feira (11), no Centro de Convenções Alphonsus de Guimarães, em Mariana (MG).

Campomizzi fez um discurso emocionado onde criticou “os algozes que se apropriam da comunicação”, a exploração minerária na região, falou da simbologia do Jardim para os marianenses e lembrou o rompimento da Barragem de Fundão em 2015.

Além de morador da primeira capital do Estado, onde sua família também reside há mais de 60 anos, Campomizzi é diretor na 172ª Subseção da OAB/MG, além de conselheiro do Codema e do Compat de Mariana.

Leia abaixo o texto na íntegra.

"Quem somos e o que queremos, marianenses?"

Congratulo ao Guarany, ao Marianense, ao Olimpic, ao Bandeirantes, ao Ponte Branca, ao São Caetanense, ao Huracan, ao Tumulto e a tantos outros times. Somos todos Juma! À cultura do futebol que permeou o imaginário marianense por incontáveis e inesquecíveis anos, todos vividos no Jardim. Congratulo ao colégio, ao estadual, ao Benevides, ao Gomes Freire, ao Soares Ferreira, ao Cempa, às escolas de Mariana, todas vividas no Jardim.

À 15 de novembro, à Santa Cecília, à São Sebastião, à 8 de dezembro, às bandas de música de Mariana, todas vividas no Jardim. Ao Centro, ao Barro Preto, ao São Pedro, à Vila Maquiné, à Chácara, às Cabanas, à Prainha, aos bairros de Mariana, todos vividos no Jardim.

À Academia Marianense de Letras, às Associações de Bairros e Distritos, à procissão das almas, ao Zé Pereira da Chácara, ao carnaval, à cultura popular, todos vividos no Jardim. Aos palhaços, às bailarinas, aos músicos, aos poetas, aos artistas, aos historiadores, aos cavaleiros, aos foliões, aos turistas, aos marianenses, todos vividos no Jardim.

Somos filhos daqueles que frequentaram o Jardim para comemorar vitórias, chorar derrotas, abraçar amigos, beijar na boca, tomar cerveja, recitar versos, ouvir música, trocar ideias, jogar conversa fora, rir de palhaços, deixar o tempo passar, simplesmente passear. Somos filhos do Jardim.

Jardim da infância, Jardim da juventude, Jardim da alegria, Jardim do amor, Jardim da eternidade, Jardim de nós. Nossa Mariana.

Hoje querem renovar o Jardim transformando-o em Praça. Projeto moderno, originado de um crime que não se cala e não vai se calar nunca. A lama não sairá de nós e não deve ser lavada.

Nossos algozes se apropriam da comunicação, da informação. Têm dinheiro.

Erramos no passado recente. Não soubemos administrar, não soubemos eleger.

Nem por isso, podem se apropriar de nós, de nossas ideias, de nossas culturas, de nossa Mariana.

Somos forjados de um canto de sereia, a mineração.

Proporcionou-nos cultura, riqueza, miséria e morte. A condução dos nossos destinos sempre foi dos algozes. Basta.

Temos história, temos memória. Somos marianenses. Na dor e na alegria. Assumimos nossos erros. Doa a quem doer.

Precisamos de cuidado, só.

Temos outras prioridades.

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