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Agosto Dourado reforça importância da amamentação e do acolhimento à saúde mental das mães

Amamentar vai muito além do peito – vínculo também se constrói com acolhimento, afirma psicóloga
Publicado em Brasil
Data de publicação: 11/08/2026 12:05
Última atualização: 11/08/2026 12:05
Imagem ilustrativa. Crédito — Reprodução / Freepik
Imagem ilustrativa. Crédito — Reprodução / Freepik

Agosto Dourado é o mês de conscientização sobre a importância do aleitamento materno, reconhecido como um dos principais fatores para a saúde e o desenvolvimento dos bebês.

Ao mesmo tempo, especialistas alertam para outro cuidado igualmente essencial: acolher mães que, por diferentes motivos, não conseguem amamentar da forma como imaginaram durante a gestação.

Para a psicóloga Bruna Augusto Maiani, que atua com desenvolvimento emocional na infância, vínculo entre pais e filhos e saúde mental materna, a amamentação não pode ser tratada como um critério para medir o amor ou a competência de uma mãe.

“O leite materno tem benefícios amplamente reconhecidos, por isso o incentivo à amamentação é tão importante. Mas também precisamos olhar para a saúde emocional dessas mulheres. Muitas mães vivem um sofrimento silencioso quando não conseguem amamentar exclusivamente no peito ou precisam interromper esse processo antes do que desejavam.”

A especialista explica que fatores físicos, emocionais e até condições clínicas podem dificultar a amamentação. Dor intensa, baixa produção de leite, dificuldades na pega, prematuridade do bebê e questões relacionadas à saúde materna estão entre as situações mais comuns.

Segundo Bruna, transformar essas dificuldades em motivo de culpa pode agravar um período que já costuma ser marcado por intensas mudanças físicas e emocionais.

“Existe uma expectativa social muito grande de que a amamentação acontecerá de forma natural, mas nem sempre isso corresponde à realidade. Quando a mãe acredita que falhou, ela pode desenvolver sentimentos de culpa, tristeza, ansiedade e inadequação justamente em um momento em que precisa de acolhimento.”

A psicóloga ressalta que o vínculo entre mãe e bebê não depende exclusivamente da amamentação ao seio. O contato físico, o olhar, a voz, o colo, a responsividade e os momentos de cuidado também são fundamentais para o desenvolvimento emocional da criança.

“O vínculo é construído na relação cotidiana. O bebê precisa sentir que existe um adulto disponível, sensível às suas necessidades e capaz de oferecer segurança. Isso pode acontecer durante a amamentação, mas também enquanto recebe uma mamadeira, durante o banho, no colo ou em qualquer momento de cuidado e afeto.”

Bruna também chama atenção para a importância de evitar julgamentos, inclusive entre familiares e pessoas próximas. Comentários que colocam em dúvida a dedicação da mãe podem aumentar o sofrimento emocional e dificultar a adaptação à nova rotina.

“Em vez de perguntar por que ela não está amamentando, talvez a pergunta mais importante seja: ‘Como você está?’. Muitas mães precisam mais de escuta do que de conselhos. Acolher sem julgamentos faz toda a diferença nesse período.”

Durante o Agosto Dourado, a psicóloga reforça que incentivar o aleitamento materno e acolher as mulheres que enfrentam dificuldades não são atitudes opostas, mas complementares.

“Promover a amamentação também significa cuidar da saúde mental materna. Quando uma mulher se sente respeitada, orientada e acolhida, ela consegue viver a maternidade com mais leveza, independentemente do caminho que a amamentação tomar.”

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