A Coluna Viagens Literárias traz ” Triste fim de Policarpo Quaresma e do leão Cecil. E da Humanidade?”

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Por Tino Ansaloni Publicado em 11/08/2015, 21:52 - Atualizado em 11/08/2015, 22:02
Divulgação - Priscilla Porto Crédito-João Almeida Nascimento Policarpo Quaresma, personagem do clássico de Lima Barreto do século XIX, morre injustiçado em uma prisão. Em “nosso” século XXI, um leão morre caçado em um país africano, no início de julho. Há alguns dias, uma onda de indignação mundial faz o caçador virar caça, graças a sua ostentação na internet. Um dentista americano que mata um leãozinho? Mas não era um leãozinho qualquer. Tratava-se de Cecil, um leão lindo, imponente e que - para sorte exibicionista anterior, mas azarado exibicionismo posterior - tratava-se de um animal monitorado e estudado cientificamente. Além de ser uma das maiores atrações do Parque Nacional do Zimbábue e um símbolo do país. Fato de repercussão mundial, advindo de uma caça ilegal. E caças lá, nos tempos e séculos atuais deveriam ser legais? ...mais uma ação estranha de uma Humanidade supostamente evoluída... Quaresma e Cecil – patriotas ímpares e símbolos de coragem que tiveram, igualmente, tristes fins. Um ingênuo funcionário público, imbuído de projetos incomuns a pessoas comuns. Cecil, por sua natureza, não um animal ingênuo, mas com triste fim que o tornou ingenuamente vítima de uma espécie supostamente superior. Mas, talvez até em sua morte e por causa dela, o leão Cecil se configurou em um ser diferenciado, ao despertar a indignação de quem ainda estranha tal prática. Ou apenas, ao ainda, se indignarem. E também ao levantar a discussão sobre práticas pré-históricas praticada em um mundo moderno, “que de algum modo fizesse crer aos seus algozes que eles tinham o direito de matá-lo”. Policarpo Quaresma, como o leão Cecil, são encurralados covardemente. Vítimas de quem não aceita o que parece estranho aos outros? Afinal, o diferente acaba se posicionando, muitas vezes sem querer, em uma sociedade ou em um habitat em que a impressão que temos é a de que todos querem ser iguais. No que tange à aparência, pelo menos. Policarpo Quaresma tinha três grandes sonhos: aprender a tocar violão; retirar de seu sítio – terra brasileira – o próprio sustento; assim como, transformar o país. Cecil poderia ter também alguns sonhos, como: ter o que comer no dia seguinte, ter um pouco de sossego, e, talvez principalmente, não morrer de forma tão injusta. E se para Quaresma, a língua seria a mais alta manifestação da inteligência de um povo, e se para os estudiosos, somos superiores aos animais justamente porque raciocinamos; para Cecil, essa suposta superioridade foi a causa de sua morte. Quaresma e Cecil – esse talvez inconscientemente – eram símbolos de ideais e de coragem, bem como representantes do orgulho de uma nação; os quais, talvez exatamente por isso, acabaram morrendo por ela. Afinal, muitas vezes, boas intenções não são entendidas e terminam por serem, exatamente pelos mal intencionados, exterminadas. Priscilla Porto Autora dos livros “As verdades que as mulheres não contam” e “Para alguém que amo – mensagens para uma pessoa especial”. Contato: www.priscillaporto.com

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