“Banda de Cima” comemora 163 anos com alvorada festiva em Cachoeira do Campo, neste domingo (27/10)

O anúncio da comemoração veio junto à notícia de que agora a Banda Euterpe Cachoeirense abdicará definitivamente do uso de fogos de artifício durante a alvorada.

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Por João Paulo Silva Publicado em 24/10/2019, 12:40 - Atualizado em 24/10/2019, 12:39
Foto-Banda Euterpe Cachoeirense se apresenta em frente ao Museu da Inconfidência. Crédito-Reprodução/Site oficial.

A Banda Euterpe Cachoeirense (BEC) comemora 163 anos de fundação no dia 25 de outubro. Durante mais de um século, a agremiação musical de Cachoeira do Campo, distrito de Ouro Preto (MG), mantém as suas atividades ininterruptas, sendo considerada a mais antiga de Minas Gerais e uma das mais tradicionais do país. Com motivos de sobra para comemorar, a “Banda de Cima”, como também ficou conhecida ao longo dos anos, realiza, no dia 27 de outubro, a partir das cinco horas da manhã, mais uma de suas famosas “Alvoradas Festivas”.

Em meio às comemorações de uma data tão importante, a Banda Euterpe Cachoeirense, visando o bem-estar da população cachoeirense, publicou em seu site oficial um relevante comunicado.

“Apesar de reconhecer que se trata de uma tradição já consolidada, em respeito às pessoas residentes em Cachoeira do Campo (principalmente aquelas ao longo do trajeto da alvorada), aos animais domésticos e silvestres e ao meio ambiente (evitar queimadas), a Diretoria considerou por bem abdicar definitivamente do uso de fogos de artifício durante a alvorada”.  

Foto-Banda Euterpe Cachoeirense faz alvorada no Bairro Santa Luzia, em Cachoeira do Campo, em comemoração aos seus 147 anos de vida. Crédito-Rodrigo Gomes.

Conforme informou a sua diretoria, a medida já tinha sido tomada parcialmente no ano passado, como teste, e agora será adotada oficialmente. “Portanto, pedimos encarecidamente que tanto acompanhantes da alvorada quanto moradores e admiradores evitem soltar fogos, principalmente antes e durante a alvorada. Desde já, agradecemos o apoio de todos”.

Uma postura que acompanha os novos tempos

Trata-se de uma atitude que reflete a necessidade de rever uma postura, digamos, conservadora, em uma época em que vários conceitos estão sendo colocadas em xeque, seja no campo artístico, político e até mesmo acadêmico. Alguns não ficarão surpresos com a atitude da banda, visto que a mesma já nasceu política.

Ao contrário de muitas bandas em Minas Gerais, que eram constituídas sobre o ideal religioso, a Banda Euterpe Cachoeirense do século XIX foi constituída com interesses mais partidários e políticos que propriamente “sagrados”. A banda, conforme relato em seu site oficial, “representava um instrumento de propaganda ideológica, aliado nas disputas eleitorais na medida em que era mais um empreendimento para as populações que votavam e uma espécie de benefício para o povo em geral”.

Saiba mais – Como surgiu a Banda Euterpe Cachoeirense?

Com um trabalho organizado e amparado por consistentes fatos históricos, o site oficial da Banda Euterpe Cachoeirense pode ser um prazeroso passeio pelo passado, principalmente aos amantes da música.

Único coreto particular do Brasil

A Banda Euterpe Cachoeirense é tão original, a ponto de possuir o único coreto particular do Brasil. Situado na Praça Felipe dos Santos, bem ao lado esquerdo (para quem olha de frente) da Igreja Matriz de Nossa Senhora de Nazaré. Seu ano de construção provavelmente ocorreu em torno de 1923. Outra curiosidade: por muitos anos, a parte de baixo do coreto da Banda de Cima abrigou o bar do Sr. Antônio Tavares, músico histórico da corporação que se encontra atuando até a presente data.

Foto-Único coreto particular que se tem notícia no país pertence à BEC. Crédito-Reprodução/Site oficial BEC.

Importante papel social

Além de manter viva a cultura e tradição cachoeirense, a BEC também cumpre importante papel social na comunidade. A realidade mostra dificuldade em se manter sem apoio do poder público ou verba financeira de qualquer espécie. Ainda assim, a banda consegue manter uma escola de música em atividade.

Nos últimos anos, a Banda Euterpe Cachoeirense reestruturou seu ensino musical por meio de uma nova escola denominada Mestre Chico, em homenagem ao grande mestre da música.

“No entanto, mantê-la funcionando tem sido um desafio. Aliás, há alguns anos a escola encontra-se em operação precária nas dependências da sede. Faltam professores, materiais e demais necessidades para um mínimo de estrutura de ensino. Atualmente, a BEC está mobilizando uma comissão interna entre músicos e membros da Diretoria para uma nova reestruturação da escola”.

Uma rivalidade sadia

No dia 8 de setembro, outra joia musical de Cachoeira do Campo fez aniversário. A Sociedade Musical União Social ou Banda de Baixo, completou 155 anos e contou com homenagem da “Bandalheira Folclórica” de Ouro Preto.

Bandalheira Folclórica Ouro-Pretana homenageia “Banda de Baixo” em Cachoeira do Campo

Banda de Cima e Banda de Baixo cultivam uma rivalidade sadia, porém apaixonada, como aquela paixão dos torcedores dos clubes mineiros Atlético e Cruzeiro. No entanto, ambas continuam rompendo séculos, garantindo o seu legado e alegrando aqueles que estão à toa na vida, esperando a banda passar.

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