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Reinado A Fé que Canta e Dança fortalece a cultura afro-mineira em Ouro Preto com mais um grande acontecimento

Respeito às manifestações religiosas de matriz africana e a importância da cultura popular como patrimônio vivo
Data de publicação: 09/01/2026 21:24
Última atualização: 09/01/2026 22:07
Arte - Arlindo Diorio e Lindenberg Campos
Arte - Arlindo Diorio e Lindenberg Campos

O Reinado A Fé que Canta e Dança, realizado em Ouro Preto, é uma das mais importantes expressões da cultura afro-mineira e da religiosidade popular em Minas Gerais. Mais do que uma festa, o Reinado representa memória, resistência, fé e ancestralidade, reunindo diferentes guardas, comunidades e tradições que mantêm viva a herança dos povos negros no estado.

No próximo fim de semana, os Reinados Negros de Minas Gerais viverão um momento histórico e inédito. Pela primeira vez nos festejos reinadeiros, os três Tambores Sagrados do Rosário dos Homens Pretos de Minas Novas, no Vale do Jequitinhonha, estarão presentes em Ouro Preto, levando suas bênçãos, força ancestral e espiritualidade para as celebrações da Festa do Reinado – A Fé que Canta e Dança.

Tambores sagrados e ancestralidade

Os Tamborzeiros de Nossa Senhora do Rosário de Minas Novas se juntarão aos tambores das guardas de Minas e à memória de Chico Rei, figura simbólica da resistência negra em Ouro Preto. Juntos, irão reverenciar a afro-religiosidade do povo mineiro por meio de cantos, danças e batuques, reafirmando o papel dos tambores como instrumentos sagrados de comunicação, celebração e proteção espiritual.

Os tambores Santana, Santaninha e Jeremias conduzirão os ritmos de Moçambiques, Congados, Marujadas, Caboclos e Catupés, que percorrerão as ladeiras históricas de Ouro Preto, transformando a cidade em um grande território de fé, alegria e devoção. A presença dos três tambores sagrados simboliza a união entre diferentes territórios, gerações e tradições do Reinado.

Ouro Preto como território de fé e memória

A chegada dos Tambores Sagrados do Vale do Jequitinhonha a Ouro Preto marca um encontro inédito entre regiões e histórias, reforçando a cidade como um espaço de preservação da memória afro-brasileira. O evento abre o ano de 2026 com a energia dos tambores sagrados, levando a força da “mãe do Vale” para toda Minas Gerais.

O Reinado A Fé que Canta e Dança reafirma o compromisso com a valorização das tradições negras, o respeito às manifestações religiosas de matriz africana e a importância da cultura popular como patrimônio vivo. É um momento de celebração coletiva, devoção e reconhecimento daqueles que mantêm a fé viva por meio do servir, do cantar e do dançar.

Viva quem Serve! Salve Maria!

Texto – Sidneia Santos – Historiadora
Arte – Arlindo Diorio e Linderberg Campos

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