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Exposição valoriza saber ancestral das folhas sagradas em Cachoeira do Campo, em Ouro Preto

Presença de Casas de Ouro Preto reforça o caráter coletivo e comunitário da ação
Publicado em Agenda Cultural, Cultura
Data de publicação: 06/04/2026 14:09
Última atualização: 06/04/2026 14:12
Arte criada por IA
Arte criada por IA

A tradicional feirinha de Cachoeira do Campo, distrito de Ouro Preto (MG), será palco de um evento que une cultura, espiritualidade e conhecimento popular. No próximo sábado, dia 18, às 10h, será realizada uma exposição de ervas medicinais e folhas sagradas, utilizadas em práticas de religiões afro-brasileiras. A atividade acontece próxima à rodoviária do distrito e é aberta ao público.

A iniciativa busca exaltar e esclarecer a importância da chamada “ciência das folhas”, um saber ancestral preservado nos terreiros e transmitido ao longo de gerações. Mais do que elementos simbólicos, as folhas têm papel fundamental em práticas cotidianas, sendo utilizadas em chás, banhos, rituais de cuidado e fortalecimento espiritual, além de aplicações ligadas à saúde tradicional.

Participam da exposição alguns Terreiros de religiões afro-brasileiras, como a Associação Cultural Ofá Logunedé do Bába Diquinho, do distrito de Cachoeira do Campo, o Terreiro Choupana de Xapanã, da Mãe Vanessa, do distrito de Santo Antônio do Leite e o Terreiro Tenda de Ogum, do Bába Pedro também em Cachoeira do Campo. A presença dessas Casas reforça o caráter coletivo e comunitário da ação.

Segundo os organizadores, o evento pretende aproximar o público de um conhecimento muitas vezes pouco compreendido, mas profundamente enraizado na cultura brasileira. A exposição vai apresentar, sobretudo, as folhas mais populares de uso medicinal, muitas delas amplamente utilizadas também nas comunidades e distritos da região.

O saber sobre as ervas carrega influências diretas de povos africanos, especialmente de regiões como Nigéria, Benim, Congo e Angola, e foi sendo adaptado ao longo do tempo no Brasil. Com a ausência de algumas espécies originais, praticantes desenvolveram formas de reconhecer, adaptar e cultivar novas plantas, mantendo viva a essência dessa tradição.

Mais do que uma exposição, o encontro se propõe a ser um espaço de educação, respeito e valorização das religiões afro-brasileiras, destacando a riqueza de seus conhecimentos e a contribuição histórica para a formação cultural do país.

A expectativa é de que o evento atraia moradores, visitantes e interessados em conhecer mais sobre práticas ancestrais que seguem presentes no cotidiano, reafirmando a importância do diálogo, da diversidade e do reconhecimento dessas tradições.

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