- Resumo IA
• Afonso Bretas é um artista de Ouro Preto, famoso por esculturas em pedra-sabão.
• Ele conduz oficinas que promovem criatividade e consciência ambiental.
• Bretas utiliza sobras de pedra, evitando a extração direta das montanhas.
• Suas oficinas atraem estudantes de todo o Brasil, incluindo instituições renomadas.
• A arte de Bretas é uma ferramenta de transformação cultural e desenvolvimento humano.
• Ele valoriza a singularidade e o legado artístico de sua família em Ouro Preto.Observação: O resumo é gerado por IA e revisado pela redação.

OURO PRETO (MG) – Em uma cidade reconhecida mundialmente por seu patrimônio histórico e cultural, alguns personagens acabam se tornando parte da própria identidade local. É o caso de Afonso Bretas, integrante de uma das mais tradicionais famílias de artistas de Ouro Preto, conhecida pela produção de obras em pedra-sabão e pela contribuição à preservação dos saberes artesanais da região.
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Muitos moradores e turistas reconhecem Afonso pelo curioso carrinho equipado com sistema de som que, durante anos, se transformou em palco itinerante para o personagem Astrogildo, figura que marcou eventos culturais e atividades educativas na cidade. Mas é na oficina de escultura em pedra-sabão que o artista encontrou uma de suas maiores formas de expressão e compartilhamento de conhecimento.
No último dia 31 de maio, o jornalista Tino Ansaloni acompanhou uma oficina ministrada por Afonso em sua residência, na Rua Miguel Alves Pereira, no bairro São Francisco. A atividade reuniu 29 estudantes do Colégio Salesiano Santa Rosa, de Niterói (RJ), que tiveram a oportunidade de conhecer de perto uma das mais tradicionais artes ligadas à história de Ouro Preto.
Mais de três décadas ensinando arte
A trajetória como educador começou há mais de 30 anos, quando um projeto foi incorporado pela Prefeitura de Ouro Preto e passou a integrar atividades da rede municipal de ensino.
Na época, os alunos frequentavam a casa da família Bretas, na Vila São José, onde participavam de oficinas durante o horário escolar. Posteriormente, a iniciativa seguiu em Passagem de Mariana e continuou alcançando novos públicos.
Hoje, Afonso voltou a oferecer oficinas em seu próprio bairro, com o objetivo de aproximar moradores e visitantes da cultura local.
“Já são mais de 30 anos dando oficina. Agora voltei a trabalhar aqui para trazer cultura, arte e movimentação para o bairro. Tem dado muito certo”, conta.
A pedra-sabão como patrimônio vivo
Ao falar sobre o material que moldou sua trajetória, Afonso demonstra uma relação quase afetiva com a pedra-sabão.
Para ele, a rocha que há séculos faz parte da história dos Inconfidentes continua sendo uma das maiores riquezas da região.
“O ouro os estrangeiros levaram embora. A pedra-sabão ficou. Hoje eu a chamo carinhosamente de nosso ouro”, afirma.
Presente em esculturas, panelas, peças decorativas, mobiliário, monumentos e elementos arquitetônicos, a pedra-sabão está profundamente ligada à identidade cultural de cidades como Ouro Preto, Mariana, Congonhas e Ouro Branco.
Segundo o artista, o material gera trabalho, movimenta a economia e cria conexões humanas.
“Praticamente tudo que conquistei na vida devo à pedra-sabão. Ela me deu trabalho, me trouxe amizades e me aproximou de pessoas do Brasil inteiro.”
Arte livre e criatividade
Nas oficinas conduzidas por Afonso, não existem moldes ou modelos obrigatórios.
Cada participante escolhe seu próprio pedaço de pedra e decide o que deseja criar.
A proposta é estimular a criatividade e permitir que cada pessoa desenvolva uma relação particular com o material.
“A pedra-sabão não aceita violência nem pressa. Ela aceita carinho e paciência”, explica.
O resultado são peças únicas, produzidas a partir das emoções, experiências e percepções de cada aluno.
Para Afonso, a verdadeira arte nasce justamente dessa singularidade.
“Quando você coloca o coração na ponta dos dedos, o que produz passa a ser único no mundo.”
Sustentabilidade e reaproveitamento
Outro aspecto importante do trabalho desenvolvido pelo artista é a preocupação ambiental.
Em vez de retirar matéria-prima diretamente das montanhas, ele utiliza sobras descartadas por oficinas e artesãos que trabalham em escala comercial.
A prática reduz desperdícios e mostra aos participantes que é possível produzir arte a partir de materiais reaproveitados.
“Nunca vou à montanha tirar pedra. Trabalho com aquilo que seria descartado. É uma forma de ensinar arte e também consciência ambiental.”
Alunos de todo o Brasil
Ao longo dos anos, milhares de pessoas passaram pelas oficinas de Afonso Bretas.
Entre elas estão estudantes de escolas públicas, visitantes de diversas regiões do país e até filhos de empresários e personalidades conhecidas.
O artista recorda que já recebeu grupos de instituições de ensino de alto padrão de São Paulo e do Rio de Janeiro, incluindo a filha da apresentadora Xuxa.
Apesar da diversidade dos públicos, ele afirma que o encantamento é sempre o mesmo.
“Os alunos chegam sem nenhuma experiência. Quando percebem que conseguem criar algo com as próprias mãos, ninguém quer ir embora.”
O legado da família Bretas
Afonso também faz questão de destacar a importância dos irmãos, reconhecidos pela excelência artística em trabalhos com pedra-sabão.
Entre eles está Liboro Bretas, referência na produção de oratórios e esculturas que unem técnica, pesquisa e inovação.
Com humildade, Afonso prefere se definir como um transmissor de conhecimento.
“Eu ensino a técnica. Artista ninguém ensina ninguém a ser. O importante é que quem passar por mim consiga me superar.”
Essa visão resume a essência de sua trajetória: utilizar a arte como ferramenta de transformação, preservação cultural e desenvolvimento humano.
Em uma cidade onde a pedra-sabão ajudou a construir igrejas, monumentos e parte da identidade local, Afonso Bretas continua moldando não apenas esculturas, mas também histórias, memórias e novas gerações de apreciadores da arte ouro-pretana.
Todas as fotos são de José Storry


















































