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21 de março: da memória global à valorização das Religiões de Matrizes Africanas em Ouro Preto

Lei municipal amplia reconhecimento e combate à intolerância
Publicado em Cultura
Data de publicação: 21/03/2026 12:01
Última atualização: 21/03/2026 12:09
Foto - Durante um Gira - participantes em trajes brancos reunidos em roda, ao som de atabaques e cantos sagrados, em um momento de fé, tradição e conexão com os orixás - na Casa Ilê Axé Ofá Logunedé Omi Oxum - Associação Cultural Ofá Logunedé Casa Vô João de Aruanda no distrito de Cachoeira do Campo   /   Foto Tino Ansaloni
Foto - Durante um Gira - participantes em trajes brancos reunidos em roda, ao som de atabaques e cantos sagrados, em um momento de fé, tradição e conexão com os orixás - na Casa Ilê Axé Ofá Logunedé Omi Oxum - Associação Cultural Ofá Logunedé Casa Vô João de Aruanda no distrito de Cachoeira do Campo / Foto Tino Ansaloni

O dia 21 de março é reconhecido em todo o mundo como o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU). A data surgiu em memória ao Massacre de Sharpeville, ocorrido em 1960, na África do Sul, quando 69 pessoas foram mortas durante uma manifestação pacífica contra as leis do apartheid. O episódio marcou a história mundial como símbolo da violência racial institucionalizada e reforçou a urgência de combater o racismo em todas as suas formas.

Mais de seis décadas depois, o 21 de março segue como um chamado global à reflexão, à resistência e à promoção da igualdade racial. Em Ouro Preto (MG), essa data ganhou um novo significado ao se tornar também um marco de reconhecimento cultural e religioso.

Lei municipal amplia reconhecimento e combate à intolerância

Em 2025, o prefeito Angelo Oswaldo sancionou a lei que institui o Dia Ouropretano de Religiões de Matrizes Africanas, Indígenas e Afro-brasileiras, celebrado anualmente em 21 de março. A Lei surgiu por iniciativa do vereador Alex Brito, apoiado por todos os vereadores.

A legislação representa um avanço significativo ao reconhecer, valorizar e promover o respeito às tradições religiosas que fazem parte da formação cultural do Brasil e, especialmente, de Ouro Preto — cidade profundamente marcada pela presença e pela contribuição dos povos africanos e indígenas.

Mais do que simbólica, a lei propõe ações concretas, como:

  • Eventos culturais e celebrações públicas
  • Atividades educativas e debates
  • Manifestações artísticas tradicionais
  • Campanhas de combate à intolerância religiosa e ao racismo

Ouro Preto: memória, identidade e diversidade cultural

Em uma cidade onde a história foi moldada pela força do povo negro e pelas influências culturais africanas, reconhecer as religiões de matrizes africanas, indígenas e afro-brasileiras é também preservar a própria identidade local.

Saberes ancestrais, práticas religiosas, manifestações culturais e tradições resistem ao tempo, mesmo diante de séculos de preconceito e invisibilização. A criação da data no calendário municipal fortalece esse reconhecimento e amplia o debate sobre liberdade religiosa e igualdade racial.

Combate ao racismo e promoção do respeito

Ao unir a relevância internacional do 21 de março com uma conquista local, Ouro Preto transforma a data em um instrumento de conscientização e transformação social.

A iniciativa fortalece o diálogo entre diferentes crenças, combate estigmas históricos e reafirma o compromisso do município com uma sociedade mais justa, plural e respeitosa.

Por que essa data importa?

Mais do que lembrar o passado, o 21 de março aponta para o futuro. Em Ouro Preto, a data se consolida como um marco de:

  • Resistência contra o racismo
  • Valorização da cultura afro-brasileira e indígena
  • Promoção da liberdade religiosa
  • Educação para o respeito e a diversidade

Ao reconhecer oficialmente essas tradições, o município não apenas celebra sua história, mas também avança na construção de políticas públicas que combatem a intolerância e promovem a inclusão.

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