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“Não são só números”, escreve Valdete Braga em sua nova crônica para o JVA

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Por Valdete Braga Publicado em 07/05/2021, 18:38 - Atualizado em 07/05/2021, 18:38

Ainda impactada pela morte do excepcional humorista Paulo Gustavo, deparo-me com a notícia de que centenas de pessoas estão se organizando em caravanas para se encontrarem na porta do hotel para onde foi a vencedora do reality show Big Brother, no Rio de Janeiro.

Devido ao peso do dia de hoje, não me lembrei de que seria a final do programa, com a oficialização do resultado já conhecido por todos. Oficializou-se como vencedora a participante Juliette, já consagrada campeã há tempos.

Não liguei a televisão hoje e após a notícia do falecimento de Paulo Gustavo, não voltei em sites da internet, o que me fez esquecer completamente desta final. Nada a dizer sobre o programa ou o resultado, mas esta história de caravanas, centenas de pessoas, etc, é de estarrecer, especialmente neste dia.

Paulo Gustavo foi vítima do vírus da covid 19, causador de uma pandemia sem precedentes em nosso país, quiçá no mundo. O mais triste é que, segundo familiares e amigos, ele se cuidava, mas infelizmente, de alguma forma, o vírus chegou até ele.  Foi uma vítima a mais, a somar entre as mais de quatrocentas mil no país inteiro. Ele não é um número, como nenhum dos quatrocentos mil são. São todos nomes e rostos, corpos e almas. Tinham família, amigos, eram gente.

Não existe mais desculpa. Ignorância, falta de aceitação, nada justifica. Todo mundo sabe que o foco da proliferação são as aglomerações, não existe justificativa para se formar caravana neste momento, para nada. Para o endeusamento de uma vencedora de reallity, então, é surreal. Vou além: se essa moça for a metade do que dizem dela, ela vai ser a primeira a repudiar este tipo de atitude.

Ninguém em sã consciência pode aprovar um monte de gente aglomerada em frente a um hotel para ver seu ídolo, neste momento, nem mesmo o próprio ídolo, e por tudo o que foi dito e mostrado no programa, a vencedora parece ser uma pessoa consciente, chegando inclusive a falar sobre o vírus, algumas vezes, sempre motivando as pessoas a se cuidarem.

Destes que se preparam para aglomeração em frente ao hotel muitos, se não todos, devem ter lamentado a partida precoce do Paulo Gustavo, no entanto, ao mesmo tempo, vão em busca da morte, que pode ser deles ou de outros. São centenas. Destes, alguns podem não se contaminar, outros se contaminarem e nem saberem, outros morrerem pela contaminação. Alguns podem gritar bastante o nome de sua “rainha” no meio da turma, voltarem para casa leves e soltos, não sentirem absolutamente nada e estarem com a mãe, ou pai, ou irmão, ou mesmo um amigo, entubados daqui a uma semana, pelo vírus que foi buscar e levou para eles. Isto já é muito mais do que ignorância ou irresponsabilidade, isso é não ter sentimento.

Que Paulo Gustavo, que com sua genialidade fez tanta gente rir e agora faz tantos chorarem, siga na luz. Que assim como ele, todos os que foram vítimas desta doença cruel encontrem a paz. Que todos os nomes, rostos e almas possam seguir no outro Plano com a compreensão do porquê de tudo isto. E que Deus tenha piedade dos que insistem em enxergar neles apenas números.

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