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Leia “Não se trata de etiqueta, mas de respeito”, por Valdete Braga

Não perca mais uma crônica inédita da colunista do JVA.
Publicado em Colunas, Valdete Braga
Data de publicação: 13/05/2026 13:42
Última atualização: 13/05/2026 13:42
Valdete Braga / Arquivo pessoal.
Valdete Braga / Arquivo pessoal.

Neste mundo de pressões e correria, precisamos tomar cuidado para não perdermos a essência de coisas tão simples e óbvias como educação e respeito ao próximo. Gestos aparentemente inofensivos e normais podem dizer o quanto estamos perdendo essa essência tão óbvia.

Um exemplo clássico e muito conhecido, é o hábito, cada vez mais natural, de se atender o celular durante uma conversa. Cada vez mais pessoas fazem isto, e cada vez mais isto é visto como natural. Não é, ou pelo menos não deveria ser.

O que parece à primeira vista um gesto pequeno, quase automático, na verdade é muito mais do que isto, é a forma como estamos lidando com as pessoas. Uma conversa exige presença, não apenas física, mas emocional e mental. Quando interrompemos este momento para atender o celular, estamos sinalizando, ainda que sem intenção, que a conversa não é prioridade.

Conversar é mais do que só falar, é escutar, é se importar, é oferecer atenção ao outro. Pequenos gestos de consideração, como silenciar o celular ou esperar a pausa da conversa, carregam um significado enorme: o de reconhecer o valor de quem está ali, na nossa frente.

Quando alguém decide atender uma ligação enquanto está conversando com outra pessoa, algo sutil acontece: a conversa deixa de ser prioridade, fragilizando o vínculo, e isto faz com que a presença se desfaça. O diálogo torna-se menos importante do que o que vai chegar pela tela, e isto incomoda, ainda que poucos, quase ninguém, se sintam confortável para verbalizar isto.

Infelizmente, este comportamento está se normalizando e nem todos percebem que, além da falta de educação, ele também demonstra falta de sensibilidade ao não perceber o impacto disto no outro, porque respeito está também nestes detalhes.

É triste estar conversando com alguém, seja um assunto sério ou mesmo “jogando conversa fora” e perceber que de fato não estamos presentes, quando tudo se quebra com o brilho de uma tela. É triste de repente nos darmos conta de que aquele momento compartilhado, independentemente de qual seja ele, é facilmente substituível, como a dizer “há algo mais importante do que você, agora”. Refletir sobre isto não significa demonizar a tecnologia, mas analisar nossas escolhas.

Em tempos em que estamos cada vez mais conectados, paradoxalmente estamos nos tornado especialistas em ausências, fisicamente pertos e com a mente vagando para outros lugares.

Não se trata de regra de etiqueta, mas de respeito. De entender que momentos não voltam e que cada conversa interrompida é uma oportunidade perdida de conexão genuína. Nada substitui o olhar atento, a escuta sincera e a certeza de que, naquele instante, a pessoa realmente importa.

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