Leia “Intolerância”, a nova crônica de Valdete Braga para o Jornal Voz Ativa

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Por JornalVozAtiva.com Publicado em 08/05/2019, 12:29 - Atualizado em 04/07/2019, 23:16

Por Valdete Braga

Nunca esta palavra foi tão utilizada. Falada ou ouvida, lida ou escrita, presencialmente ou no virtual, nos deparamos com ela a toda hora. A tal “intolerância” virou tema de todas as conversas. Discursos intermináveis, debates inflamados, todo mundo quer dar a sua opinião, expor suas idéias, e, claro, cada um se achando certo.

É inegável e indiscutível que qualquer tipo de intolerância precisa ser combatido, rechaçado e, em caso de crime, investigado e punido. Ninguém nega isto, e, se negar, deve viver em outro mundo.

Porém, está acontecendo um fenômeno, no mínimo, interessante. Se observarmos com olhos críticos e sem paixões, a verdade é que, salvo exceções (elas sempre existem) muitos, mas muitos mesmo, dos que gritam e levantam bandeiras contra intolerância, são os mais intolerantes. Na ânsia de mostrarem que o seu posicionamento é o correto, as pessoas se agridem, se ofendem, perdem o bom senso.

Gritam contra a intolerância, mas não admitem o contraditório. O intolerante é sempre o outro. Quem nunca viu ou ouviu alguém pregando contra o ódio, por exemplo, em um discurso repleto de ódio? É incoerência em cima de incoerência. E aí não há como não nos reportarmos às redes sociais. Existem coisas boas nelas? Claro que sim. Mas ainda há muito que se aprender.

O dia em que as pessoas aprenderem a usá-la, essa ferramenta, hoje propagadora de tanta coisa ruim, poderá vir a ser um bem à sociedade. Por enquanto, o bem que faz ainda é muito tímido diante do mal, cada vez mais crescente, infelizmente. Por enquanto, a intolerância ainda predomina, até quando se prega contra ela mesma.

Quem observa de forma neutra, enxerga claramente a incoerência da situação. A pessoa, ou pessoas, seja nas redes sociais ou informalmente, querem combater algo ruim e isto é louvável. O problema é que esta ou estas pessoas se utilizam de um discurso repleto exatamente daquilo que está combatendo. O fanatismo cega, e que fique claro que não falo apenas de política partidária. Pode até ter começado assim, mas atualmente vivemos em um mundo onde a palavra “intolerância” predomina em vários setores. Ninguém tem paciência, ninguém tem empatia, todo mundo quer que o outro seja como ele.

Como alguém pode falar contra o discurso de ódio, estando ele mesmo cheio de ódio? Como pode pregar contra intolerância em palavras impregnadas de intolerância? Falta coerência, bom senso, sensibilidade. Falta colocar-se no lugar do outro. Falta compreensão.

Não podemos, ou pelo menos não deveríamos pregar contra algo nos utilizando do mesmo. Vamos falar sobre a intolerância sim, vamos tentar combatê-la sim, vamos lutar contra ela com todas as forças. Mas antes de fazermos tudo isto, e até mesmo para podermos fazê-lo, temos que bani-la de nossas vidas, ou estaremos jogando palavras ao vento. Somente o ser humano tolerante tem autoridade para falar contra a intolerância. E, sejamos sinceros, os seres humanos tolerantes estão cada vez mais raros. Infelizmente.

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