Leia “Influencer”, a nova crônica de Valdete Braga para o Jornal Voz Ativa

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Por JornalVozAtiva.com Publicado em 23/07/2019, 21:12 - Atualizado em 23/07/2019, 21:12

Por Valdete Braga

Eu não tenho Instagram. Nunca me interessei e não é relevante para o uso que faço da internet. Nada contra, obviamente, e conheço muitas pessoas que têm e fazem bom uso. Apenas não é do meu interesse, por enquanto. Talvez um dia seja, quem sabe? Não digo que nunca terei, apenas neste momento não me é interessante.

Exatamente por não ter, o acontecimento que viralizou este final de semana, envolvendo uma blogueira, segundo os entendidos, bastante conhecida, me deixou pasma. A questão é que o fato foi tão bizarro, que viralizou na mídia em geral. Fiquei tão horrorizada, que minha primeira reação foi verificar se não seria notícia falsa (fake news existem nos EUA, aqui é notícia falsa, mesmo). Para meu espanto, não era. Era real, e bem real, com o tal do “storie” explodindo para todo lado.

Não vem ao caso aqui o nome da blogueira “digital influencer” e nem o que ela “influencia”. Não cabe a mim e nem quero julgar a pessoa, mas o fato é digno de repúdio de qualquer um com o mínimo de humanidade.

Esta tal “influencer” estava gravando um vídeo em uma rodoviária, cuja cidade não é citada. Enquanto filmava, uma senhora idosa, aparentando ser moradora de rua, se aproxima e pede dinheiro. A moça, super hiper maquiada (a meu ver, até demais, mas isso é uma opinião pessoal) e muito bem vestida (afinal, estava gravando para os seus influenciados) a princípio responde que não tem e vira o rosto. Isto já não seria muito bonito, mas dá para entender. O que acontece em seguida é que é assustador demais. A senhora recolhe a mão e um rapaz que acompanhava a “influencer” faz uma “brincadeira”: “Dê a ela cem reais”, ele diz. E a moça fala para a pedinte “tem troco para cem reais?” enquanto os dois, ela e o rapaz que filmava junto, caem na gargalhada.

Vejo aí duas questões seriíssimas: a humilhação gravada e compartilhada e a exposição da senhora que parecia nem ter se dado conta do tamanho da humilhação que sofrera. Fico tentando entender (eu que não tenho instagram) o que será que esta blogueira “influencia”, tendo este tipo de atitude. Segundo uma das matérias que pesquisei, ela perdeu a metade dos seguidores, depois desta postagem. Acho pouco. Deveria ter perdido todos.

A verdade é que esta palavra sempre me incomodou. “Influencer” vem de influenciar, e com as facilidades do youtube, qualquer carinha bonita vira influenciador ou influenciadora de uma juventude cada vez mais “plugada”. Assuntos sérios, necessários, educativos, são muito menos acessados do que temas fúteis ou coisa pior. Se é para influenciar, por que não fazer algo útil, positivo, que de alguma forma ajude as pessoas? Que divirta, eduque, leve mensagens positivas? Com certeza não há nada de positivo em se humilhar uma pedinte de rua. Mas como o vídeo deixa claro, para os “influencers” tanto a moça quanto o rapaz, foi algo “engraçado”.

Após a reação das pessoas ao vídeo, a “influencer” chorou, disse que não fez por mal, fez uma “live” de não sei quantos minutos dizendo-se “incompreendida”, pediu desculpas aos milhares de seguidores, etc, etc.

Fica a dúvida: ela se arrependeu do que fez, ou dos seguidores que perdeu? Dúvida esta bem fácil de sanar, aliás. Não sei quem é, sobre o que seu blog fala, o que ela influencia, mas assisti ao vídeo, confirmei se não é falso antes de escrever esta crônica, e tudo isto veio confirmar o que sempre pensei: posso até vir a ter instagram um dia, mas com certeza, não vai ser para ser “influenciada”.

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Leia “Influencer”, a nova crônica de Valdete Braga para o Jornal Voz Ativa2019-07-23T21:12:39-03:00

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