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Colunistas | Leia “Fanatismo”, por Valdete Braga

Não perca mais uma crônica inédita da colunista do JVA. 'Se nos tornarmos incapazes de escolhermos nossos dirigentes, que sociedade…
Publicado em Valdete Braga
Data de publicação: 30/04/2025 12:04
Última atualização: 30/04/2025 12:06
Valdete Braga / Arquivo pessoal.
Valdete Braga / Arquivo pessoal.

Independentemente de nomes, siglas ou partidarismo, independentemente de direita ou esquerda, está ficando surreal o nível das brigas, presenciais ou virtuais, entre pessoas fanáticas por “ídolos” políticos.

Não existe outra definição do que fanatismo para o que está acontecendo. Gente brigando, se agredindo, amizades se desfazendo e muitos se tornando inimigos por questões que extrapolam a política, transformando-se, em alguns casos, em rixas pessoais.

Endeusam o seu político preferido como se ele fosse um enviado dos céus, aquele que vai resolver tudo, um anjo encarnado na terra, messias para a salvação de todos os problemas do mundo.

Pior ainda, ele ou ela pode cometer a maior atrocidade, que o fanático apoia, pela pessoa e não pelo ato, da mesma forma que uma atitude positiva, por mínima que seja, é vista como algo extraordinário.

Existe uma viseira que impede o fanático de enxergar os fatos como realmente são, ainda que óbvios, fazendo com que vislumbrem apenas o que lhes interessa. Transformam seres humanos em deuses, criando verdadeiras seitas, onde impera um radicalismo cego e altamente nocivo, inclusive para os próprios apoiadores.

Passam a viver em bolhas onde só a sua verdade impera, onde só as suas ideias existem e assim se alienam mais a cada dia, embotando o cérebro e a alma. Sem contraponto, sem aceitarem opinião contrária, se robotizam e perdem o essencial da vida, que é a capacidade de avaliação, por si mesmos, do que os rodeiam.

Discordar faz parte de qualquer discussão. Na política, como em tudo na vida, existem pensamentos diversos e o respeito a opiniões diferentes é a tônica da democracia, e este extremismo que nos assola não é nada democrático. Quando tanta gente prefere se alienar em torno de um único pensamento, seja ele de que lado for, recusando-se a ouvir qualquer outro, o próprio pensamento se perde.

Fanatismo não leva ninguém a lugar nenhum. Pelo contrário, ele embota a mente, e uma sociedade com a mente embotada perde a sua capacidade de escolha.

Se nos tornarmos incapazes de escolhermos nossos dirigentes, que sociedade teremos?

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