Franco e Elise eram amigos muito próximos, mas uma mordida numa maçã transformou essa amizade numa linda história de amor.
Elise estava na feira que aos domingos se instala no bairro Barra na mineira, bela, montanhosa e encantadora cidade de Ouro Preto. Comprou algumas hortaliças e frutas, mas como ainda não havia tomado café, resolveu comer uma maçã. Para lavar a fruta, ela utilizou uma garrafa de água que trazia a tiracolo.
Como as outras barracas ainda não haviam começado a atender, ela sentou-se no ponto do ônibus e ficou esperando as outras barracas começarem a atender. Era cedo, o sol ainda se escondia por detrás das montanhas que circundam a cidade, apenas o colorido alaranjado tingia as bordas dos montes, dando a entender que o astro-rei não tardaria em chegar.
Ainda sentada no ponto do ônibus em frente a feira, teve uma grande surpresa. Avistou do outro lado desembarcando de um ônibus que seguia em direção a praça Tiradentes, uma pessoa bastante conhecida.
A mordida que daria na maçã foi pausada, o ato a seguir foi chamar a pessoa que acabava de desembarcar. Franco foi o nome que bradou em alta voz, o homem acenou demostrando certa alegria em vê-la. Na verdade, eles se conheciam, mas não se viam a pelo menos sete meses, um abraço caloroso marcou o encontro dos dois. Franco e Elise permaneceram no ponto do ônibus, sentaram-se e começaram a conversar.
Ela gentilmente perguntou se queria uma maçã, Franco não respondeu nem que sim, nem que não, instintivamente pegou a maça da mão dela e mordeu saboreando um naco daquela suculenta fruta.
Elise falou para Franco que iria pegar uma para ele, pois aquela maçã já havia sido mordiscada. Ele respondeu que não precisava de cerimônias com ele, mas ela insistiu que ele deveria comer uma maça que não havia sido comida (babujada).
Franco percebeu que ela estava muito séria e disse uma frase que a princípio seria apenas uma explicação, mas teve um impacto além do esperado. Ele tentando explicar, disse a ela que estava tudo bem, pois a mordida na maçã tinha o mesmo efeito de um beijo, ou seja, a saliva da maça seria a mesma que ao toque dos lábios se tornariam uma, só não teria as sensações do toque. E prosseguiu dizendo que ela era muito, mas muito beijável, ele ficou receoso quando a existência do termo, mas ao perceber que ela havia entendido, prosseguiu na sua fala dizendo que não tinha motivo para temer comer da mesma maçã que ela.
Elise ficou um tanto quanto surpresa porque as palavras de Franco não pareciam vir de um amigo, mas de alguém que havia prestado muita atenção nela. O fato é que Franco não havia premeditado dizer nada do que falou para Elise, mas sem perceber revelou um segredo que estava oculto no mais íntimo do seu ser.
Elise e Franco silenciaram e ficaram a pensar em tudo aquilo. Ela imaginava sendo beijada, ele incrivelmente tinha desenhado em sua mente o mesmo pensamento. Aquela amizade de anos, começava a tomar rumos diferentes, os olhares que antes traziam fortes laços de amizade, agora repaginado continha um alto teor de sentimento que sugere amor.
A mordida na maçã aliada as conversações que o ato gerou, acendeu em ambos algo novo, os olhares se cruzavam e expressavam sentimentos e desejos inexplicáveis. Naquele momento, os sorrisos tinham componentes que os incomodavam (no bom sentido), não eram mais aqueles sorrisos afetuosos próprios de grandes amigos.
Algum tempo depois, a feirinha de domingo do bairro Barra, já funcionava com todas as barraquinhas abertas, Franco e Elise começaram então a circular entre elas para comprar víveres para seus lares.
Ainda atordoados pela virada de chave nos seus relacionamentos, partiram de mãos dadas entre uma barraca e outra.
Embora encantados um com o outro, não falaram de namoro, apenas curtiram o momento juntos, no íntimo de cada um estava presente a sensação de intensa alegria que se manifestava aos toques de mão na mão, nas trocas de olhares e sorrisos repletos de sentimentos.
Chegada a hora de irem embora, combinaram um encontro para aquele mesmo domingo, ficaram de se encontrar a tarde no coreto da praça da estação.
As 15:30 horas, Franco que já estava no coreto a olhar todo o movimento da praça, viu ao longe num lindo vestido azul, Elise que caminhava lentamente parecendo deslizar cuidadosamente sobre as pedras retangulares que acolhiam seus passos delicados e sincronizados. Sua cabeça ergueu-se quando o coreto entrou no seu raio de visão, e de imediato um sorriso se formou ao notar a presença de Franco. Ele como que em resposta aos olhares dela, deixou emergir de seus lábios seu melhor sorriso.
Ele desceu do coreto e foi de encontro a ela, ao se encontrarem um caloroso abraço e um pomposo beijo atestavam que se tratava de um encontro de amor.
Com os braços envoltos ao ombro de Elise, Franco a conduziu para dentro do coreto, o silêncio pairava enquanto os dois estavam mergulhados em um gostoso abraço, olhavam os arredores, e só quebravam silêncio quando oportunamente pontuavam a beleza dos montes vistos de onde estavam.
A comunicação entre ambos, se desenrolava sem o auxílio das palavras, gestos, olhares, sorrisos e sensações, eram a tônica do momento. Até que Franco ousou um pouco mais e com movimentos lentos, buscou os lábios de Elise e a beijou impetuosamente. Após o beijo permaneceram abraçados por alguns minutos sentindo com frenesi a respiração um do outro. O abraço os colocaram de forma que o queixo de ambos, repousavam sobre os ombros, os ouvidos sentiam a respiração um do outro que as vezes acelerava, em outras se acalmava. Nessa toada Franco sussurrou baixinho em tom interrogativo no ouvido de Elise:
— Estamos namorando?
Elise também com a boca próxima ao ouvido de Franco disse com sua voz doce e aveludada:
— Acho que sim. Agora somos mais que amigos, ou diria amigos e enamorados.
Os rostos foram se afastando de forma que os olhares se encontravam de forma frontal, o silêncio dizia tanta coisa, de tão profundo os olhares pareciam se tocarem. Os lábios como que atraídos por uma força fora do comum, se procuravam como que o céu e as estrelas.
De novo o beijo aconteceu, para os anônimos que transitavam no perímetro, era apenas duas pessoas apaixonadas num encontro de amor, mas para Franco e Elise o momento significava encontro, reencontro, magia, descoberta e sentimentos ainda sem explicação.
Franco disse uma frase para Elise que a fez encher-se de incontrolável alegria. Disse Franco:
— “Seu beijo tem gosto de maçã”.
Depois do excelso momento, os dois caminharam juntos rumo a rua Vitorino Dias, rua Paraná, se misturando as maravilhas que compõe a cidade de Ouro Preto.
E assim Franco e Elise começaram a viver juntos os novos dias do resto de suas vidas.
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