- Resumo IA
• Álvaro se apaixonou por Alina, mesmo sabendo que ela era comprometida.
• Ele admirava sua beleza e simpatia, mantendo o amor em silêncio.
• Trabalhando juntos, ele valorizava sua amizade com Alina.
• Álvaro rejeitou oportunidades de trabalho para estar próximo dela.
• Ele expressava seu amor em cartas que nunca entregou.
• Alina via a amizade, sem saber do amor secreto de Álvaro.Observação: O resumo é gerado por IA e revisado pela redação.

Álvaro apaixonou-se por Alina, mesmo sabendo que ela era comprometida, não conseguiu evitar. Os encantos da bela mulher foram ao longo dos anos se revelando naturalmente, Álvaro se deixou envolver aos poucos, sem perceber; quando deu por si, já estava irremediavelmente apaixonado.
Nem deu tempo de tomar qualquer medida que amainasse esse amor que nascia avassalador.
Álvaro não resistiu a simpatia, a beleza, a simplicidade de Alina, era para ser uma amizade sólida construída com a convivência diária, mas em algum momento seu olhar para Alina tomou conotações de desejo. Tudo muito discreto e comedido, tanto que ela nem percebeu que os olhares de Álvaro estavam transbordantes de amor.
Alina era nascida e criada na cidade de Ouro Preto, um cantinho único e mágico entrelaçado nas montanhas das Minas Gerais.
Álvaro era ouro-pretano de coração, morava na cidade a mais de trinta anos.
O fato de trabalharem no mesmo prédio fez nascer entre eles uma grande amizade, daquelas que solidificou uma grande parceria.
Ela, trabalhando na administração, cuidava de suprimentos e de pessoal; ele atuava no setor de arquivos, encarregado de registrar as entradas e saídas diárias da firma. A empresa onde ambos trabalhavam situava-se no bairro Bauxita, conhecido por sediar a UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto) e ser bastante diferente da parte central da cidade.
A explicação para o amor de Álvaro estava no instante em que ele abriu a guarda e se permitiu um olhar mais sensível e observador na direção de Alina.
Foi pego no olhar meigo, no jeito gostoso dela falar. Esqueceu-se de que seu coração não levava em conta o fato dela ser comprometida.
Mas como era um homem de princípios, não revelou nada a ninguém. Entendeu que o silêncio era uma forma de respeitar o espaço dela e não causar dentro do ambiente de trabalho qualquer tipo de desconforto. Silenciar seu sentimento não significava repressão, mas canalizar, desapegar da ideia de “conquistá-la” e focar em manter o convívio profissional saudável.
Mas o tempo foi passando e seu amor só aumentava, tanto que recusou trabalho em outra empresa, só para ficar perto dela.
Álvaro no seu silêncio contemplativo, arrumou maneiras de viver seu amor, observando sempre o fato dela ser comprometida, criou um mundo paralelo onde pudesse admira-la, e render-se aos seus encantos, já no plano real, ele assumia uma postura que não deixava transparecer qualquer sinal de sua paixão.
Umas das formas ocultas de amar Alina, foi colocada em ação por ele já nas primeiras horas da manhã. Como ele morava no bairro Taquaral embarcava no coletivo bem cedinho, rumo ao trabalho no bairro Bauxita. Ele sabia que todos os dias, salvo algumas exceções ele a veria em algum ponto da rua Pandiá Calógeras, se deslocando vagarosamente rumo ao trabalho.
Depois de escolher um assento estratégico (coisa que fazia sempre antes de embarcar), aguardava ansiosamente o momento de vê-la, seu coração acelerava quando seus olhos a avistava na ascendente, desbravando a subida do Gambá (nome popular da rua Pandiá Calógeras) via de ligação ao bairro Bauxita. Os passos sincronizados davam ao seu corpo pequeno um gingado suave, leve, solto e único.
Os cabelos a altura do ombro agitavam levemente, o fone de ouvido de cor branca estava conectado ao celular, dando a entender que ouvia música, naquela hora a rua se transformava numa imensa passarela onde ela protagonizava o mais belo espetáculo.
E assim os dias de Álvaro foram sendo vividos próximo a Alina, que não sabia nada do que ocorria, acolhia a amizade Álvaro, sem saber que era amor. E ele procurava tomar café com ela, esquentar sol em tempo de frio, enfim, aproveitar ao máximo os momentos em que as forças ocultas os levavam a estarem juntos.
Quando seu coração doía escrevia num papel desabafos silenciosos como o relato a seguir:
Eu não sei ao certo quando tudo começou, mas hoje preciso pedir perdão, não por sentir, mas por sentir tanto. Desculpa, não por te olhar de um jeito diferente, mas por não ter conseguido controlar o que o meu coração se rendeu impotente.
Sei que você é de alguém, mas mesmo assim meu coração escolheu se apegar.
Não foi uma escolha consciente, foi um misto de admiração, carinho e proximidade que cresceu devagar, sem que eu percebesse o perigo.
Por isso, em silêncio, peço para que você não se sinta culpada por nada.
Guardo esse amor como quem guarda uma música que não pode ser cantada em público, bonita demais para ser fingida, intensa demais para ser exposta.
E prosseguiu:
Se um dia eu te olhar diferente, perdoe-me, se eu calar algo que deseje desabafar perdoe-me, por que o amor que aprendi vai muito além de apenas ter a pessoa amada.
Aprendi que devo amar sem exigir nada em troca, porque essa é uma forma de amar tão sublime. O amor é meu e lhe dou de todo o coração.
Ele desabafou escrevendo numa folha de papel sobre um amor proibido, como se as palavras tracejadas à tinta pudessem segurar o que o coração não tinha permissão de viver em voz alta. Depois de reler o que escreveu, rasgou o papel, destruindo as coisas de amor escritas como desabafo, porque aquele sentimento era proibido e não tinha lugar além do silêncio do seu coração.
Alina era sua alegria diária, ela pensava que todo o carinho do rapaz fosse fruto de uma amizade que eles cultivavam a anos, mas havia muitas coisas no ar que ela nem fazia ideia.


















