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Prosa na Janela: Leia “Quando somos o mundo”, por Roberto dos Santos

Leia mais uma colaboração inédita de Roberto dos Santos para o JVA.
Publicado em Prosa na Janela
Data de publicação: 16/03/2026 11:06
Última atualização: 16/03/2026 17:45
A escrita de Roberto dos Santos. colunista cativo do JVA, transita entre a prosa, o conto e a crônica. Crédito – Arquivo pessoal.
A escrita de Roberto dos Santos. colunista cativo do JVA, transita entre a prosa, o conto e a crônica. Crédito – Arquivo pessoal.

Na vida nada é absoluto, nenhum conceito é fechado ou acabado, um acontecimento que vivi quando trabalhava na portaria principal da UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto), me ajudou a compreender o dinamismo da vida.

Era um dia de sábado, o mês e ano não me lembro mais. A portaria principal da UFOP, fecha nos fins de semana para trânsito de automóveis, sendo permitido somente o ingresso de pessoas a pé. Nesse dia chegou um carro e parou bem perto da cancela, dando a entender que desejava entrar na Universidade. A placa era de Florianópolis Santa Catarina. O homem ao volante abriu o vidro do carro, e educadamente solicitou permissão para entrar.

Quando terminei de explicar para ele as normas do fim de semana, e que as restrições tinham a ver com a segurança do campus, ele já se mostrou satisfeito, contudo apresentou no banco de trás do carro, uma jovem que estava desejosa de conhecer a UFOP, pois havia passado em Medicina e ainda não havia decidido onde estudar. A Universidade ouro-pretana era uma das opções. Além da jovem e de seu pai, também estavam no carro um irmão e a mãe da jovem.

Então tive um insight, veio a minha mente um panfleto afixado no quadro de aviso do Centro de Convergência UFOP, pela PROGRAD (pró-reitora de graduação). Nele havia uma chamada para os estudantes, algo assim “venha estudar na UFOP”. Ressaltando que durante a semana eu trabalhava na portaria do Centro de Convergência e nos finais de semana na portaria principal.

Essa frase foi a responsável por uma reflexão relâmpago, onde em segundos eu precisava decidir entre deixar ou não aquela família entrar nas dependências da Universidade.

Chamei a moto que patrulhava o campus durante o dia, responsável pelo monitoramento do fluxo de pessoas, e autorizei a família a entrar. Antes orientei que todos permanecessem dentro do carro durante o deslocamento, disse ainda, que tínhamos placas identificando os prédios, e depois os situei quanto a localização do prédio de Medicina, autorizando-os a desembarcarem quando lá chegassem.  Liguei para o porteiro de plantão no prédio da Medicina e o deixei ciente.

A volta completa no campus durou cerca de vinte minutos. Foi quando os avistei perto da Escola de Minas se deslocando para a saída. Ao chegarem diante de mim, agradeceram a acolhida, pediram mais algumas informações sobre a cidade, transporte, moradia, segurança, e eu os informei de tudo.

Todos os ocupantes do carro agradeceram e seguiram em direção ao centro da cidade para almoçar e depois irem a alguns lugares, palavras do homem ao volante.

Qual a lição podemos tirar de tudo isso?

O episódio da estudante e sua família que queria visitar a UFOP, mostra que as vezes representamos uma instituição inteira, a impressão que deixamos é a que levarão. Não sei se a estudante de Florianópolis optou pela UFOP, mas eu enquanto porteiro da instituição de ensino, os municiei de informações e elementos importantes para que decidissem em favor da UFOP.

Como estavam em família eu condicionei a decisão da jovem ao contexto familiar. Quando chegassem em casa lá no sul do pais, certamente iriam dizer que foram bem tratados em Ouro Preto e que na UFOP, as pessoas são acolhedoras e educadas. Claro que existiam outros fatores que influenciariam na decisão dela, contudo estou certo de que saiu da UFOP, com as melhores impressões. Isso era notório.

Naquele momento eu representava uma cidade inteira e uma conceituada instituição de ensino sediada nela.

Tem momentos que somos o mundo, e precisamos pensar rápido, senão não conseguiremos apresentar os diferenciais que nos fazem melhores. E o que difere uma pessoa da outra, ou uma instituição da outra são as especificidades. Não percamos a oportunidade de mostrar esses diferenciais, pois eles muitas vezes são fatores primordiais em nossas escolhas.

E assim vai, as vezes precisamos assumir um papel grandioso, olhar em que escala o fato acontece, situa-lo no espaço e tomar a melhor decisão.

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