- Resumo IA
• Luna adorava passear pela Avenida das Andorinhas em Ouro Preto.
• Encontros com Samir transformaram sua rotina de caminhadas.
• Samir, novo na cidade, buscava inspiração para seu romance.
• A conexão entre olhares e sorrisos criou uma procura silenciosa.
• Samir presenteou Luna com seu livro, revelando seu amor.
• Eles se apaixonaram, selando o amor com um beijo na estrada.Observação: O resumo é gerado por IA e revisado pela redação.

Luna era uma ouro-pretana que amava a cidade, morava no Morro São Sebastião e tinha como prática comum, passear ao longo da Avenida das Andorinhas e rua Rio Piracicaba, observando o verde e os contornos dos montes ao longe. Era comum vê-la entre o Morro São João e o Morro São Sebastião, bairros limítrofes que a famosa avenida das andorinhas e a rua Rio Piracicaba fazem trajeto. Depois de muito tempo nessa saudável e gostosa rotina, algo novo aconteceu, transformando esse hábito numa incessante procura.
Era um dia de sábado, pouco antes do nascer do sol, Luna já havia caminhado até o início da estrada da Purificação que dá acesso ao Distrito de Antônio Pereira. Ela sabia que o percurso dessa tricentenária estrada, estava repleto de belezas naturais e de história.
A estrada da purificação era umas das mais importantes estradas, quando Ouro Preto ainda era Vila Rica, por lá passou o último monarca do Império do Brasil, Dom Pedro II.
Mas como de costume ela não passava da entrada de um condomínio existente bem no começo da via, uma placa suspensa de um canto a outro, dizia que ali começava a tricentenária estrada.
Ela tinha muita vontade de adentrar um pouco mais no caminho, porém nunca ousou ir além, por questões de segurança.
De volta para casa, quando já havia passado em frente a capela São João, já a alguns metros na rua Rio Piracicaba, encontrou um homem que seguia em sentido contrário. Era Samir que morava a pouco mais de três meses no Morro São Sebastião, lugar escolhido devido à proximidade de áreas verdes, inspiração para escrever um romance, projeto antigo agora em execução.
Nas horas que não estava trabalhando como professor na rede de ensino da belíssima Ouro Preto, se dedicava a viajar pelo mundo imaginário da escrita, sem rigor da academia, dando fluência aos seus pensamentos e transformando em palavras, inspirações e desejos ocultos.
Os olhares se cruzaram, mas ninguém disse nada, apenas uma ponta de sorriso em ambos os lábios foi o que se desenhou naquele brevíssimo encontro.
Samir ainda olhou para traz e encontrou de novo o olhar de Luna, que também não resistiu.
No dia seguinte Luna voltou a rotina das caminhadas, mas um detalhe era importante observar, era domingo e ela não acostumava a caminhar nesse dia. Inconscientemente era queria encontrar Samir, alguma coisa se acendeu dentro dela, que a levava na direção dele.
Às seis e meia de domingo, ela já estava de volta da caminhada quando encontrou de novo com Samir, não era exatamente no mesmo lugar do dia anterior, mas ainda dentro da rota habitual que costumava seguir.
Olhares e sorrisos na hora dos cumprimentos, foi o que marcou o momento do encontro que aconteceu em algum ponto da avenida das Andorinhas. Esses encontros se sucederam por mais uns dez dias, sendo alguns em dia de semana, outros aos sábados e domingos. Luna ficou confusa pensando porque queria tanto provocar esses encontros com Samir, ela nem sabia o nome dele.
Mas a sequência de encontros foi interrompida da mesma forma como começou, sem mais nem menos. Por quatro dias seguidos ela fez o trajeto costumeiro e não encontrou com Samir. Traçou planos de caminhar em horários diferentes, embora o tempo disponível não possibilitasse, faltou de trabalho e percorreu o trajeto habitual de caminhada em horários diferentes do seu dia, mas em vão foram suas investidas, nem sombra de Samir.
Essa procura silenciosa durou trinta e três dias, fazendo com que retomasse a rotina normal sem os excessos dos últimos dias. Descobriu onde morava, foi até a casa dele, e não tinha ninguém na residência. Acreditou então que tivesse mudado e não mais o veria.
Quarenta dias após o primeiro encontro, ela o encontrou de novo no trajeto da sua caminhada. Estava parada no passeio olhando para os montes ao longe quando ele apareceu na curva da rua, não havia mais ninguém além deles, foi como se o caminho tivesse guardado aquele instante só para eles.
Ela não sabia o que sentir, alegria ou indiferença, mas dentro dela algo parecido com uma explosão percorreu seu corpo por inteiro, mas ela não queria sentir aquilo que nem sabia o que era. Embora fosse bom.
Então fingiu normalidade e continuou a olhar os contornos dos montes ao longe, mesmo estando radiante de felicidade por dentro.
Mas dessa vez tudo aconteceu diferente, Samir a cumprimentou e parou. Luna ao ouvir a voz do homem diante dela, estremeceu-se toda e sem saber o que dizer, retribuiu a saudação e virou-se. Na mão de Samir estava um livro intitulado “o lindo lago do amor”. Ele a presenteou com um exemplar e a convidou para caminharem juntos no dia seguinte, ela aceitou prontamente. Ele que vinha em trajes de caminhada, voltou dali mesmo em companhia de Luna que voltava para casa. Na praça principal do morro São Sebastião ela foi na direção da rua Rio de Janeiro e ele para a rua Rio das velhas. Antes marcaram encontro para o dia seguinte, onde começa as duas ruas, para a caminharem juntos. Parecia que Samir tinha alguma coisa para falar com Luna, mas ela anestesiada por sensações indescritíveis, não conseguiu perceber nada. Apenas se permitiu viver e deixar fluir as sensações que dentro dela provocava um turbilhão de emoções.
Durante a noite Luna leu o livro quase todo, impulsionada pelos instigantes capítulos que relatava a história de uma linda mulher que se misturava ao verde de um determinado lugar, que o autor dizia que não sabia precisar o que era mais bonito. Uma mulher que seus olhos parecia um lindo lago cristalino e no fundo desse lago tinha tanta coisa bonita. Um lago que o autor relatava querer se afogar, mas esse lago o ato de se afogar era um êxtase que incitava a querer adentrar mais e mais.
Chegou então o dia do encontro. Luna tomou banho colocou seu perfume preferido, e partiu em direção ao local onde as ruas Rio de janeiro e Rio das velhas se encontravam. Esperando por ela estava Samir que a recepcionou com um abraço. O primeiro contato corporal entre eles. Ninguém falou nada, apenas deixou que o abraço se prolongasse por alguns minutos. Foi o silêncio mais barulhento da vida dos dois, no peito, alheios ao mundo, turbilhões de emoções bombardeavam seus corações, expressando alegria e contentamento em resposta ao abraço que fora deles os unia.
Seguiram então em caminhada, conversando e andando lentamente, tudo de propósito, só não pararam o tempo porque não tinham esse poder.
Algum tempo depois Luna e Samir chegaram ao local onde Luna finalizava suas caminhadas, ela parou como fazia sempre, e explicou a Samir porque não passava dali. Ele então a convenceu de prosseguirem juntos, para que ela visse o que havia além daquele ponto.
Entre o verde da parte inicial da estrada da purificação, Samir perguntou se ela havia conseguido dar uma foleada no livro que ele a presenteou. Ela respondeu que tinha lido quase tudo, faltou pouco para finalizar.
Luna então o elogiou pela bela história, disse ainda que se emocionou bastante com a sensibilidade e riqueza de detalhes, coisas que ninguém presta atenção.
Samir agradeceu e explicou o porquê do livro se chamar “O lindo lago do amor”.
Sem rodeios ele falou que o lindo lago do amor era os olhos dela, e ela sem entender a fala repentina, pediu que explicasse pois não havia entendido.
Samir então disse que desde o primeiro dia que a encontrou, apaixonou-se por seu olhar e explicou que as gotas de suor que umedeciam seu rosto pareciam transbordar de seus olhos. No primeiro dia não deu para ver tudo isso, mas os dias que sucederam foram mostrando uma beleza indescritível. Foi então que decidiu escrever sobre os olhos dela, o lindo lago do amor. Nele mergulhou inúmeras vezes, ao encontra-la e a cada mergulho vivenciava as mais gostosas sensações. Eram breves momentos, as vezes não duravam nem um minuto e já era o suficiente para que ela se eternizasse nele.
Os olhos de Luna estavam transbordando, eram lágrimas de amor, as palavras de Samir deixaram-na emocionada, tanto que o silêncio foi a única resposta que ela conseguiu dar, mas ele suavemente com seus dedos, tentava conter uma ou outra lágrima que insistia em percorrer aquele rosto bonito. E Samir teve a certeza de que os olhos de Luna eram mesmo o verdadeiro e lindo lago do amor que ele não cansava de admirar.
Quando já estavam longe, quilômetros dentro da estrada da purificação decidiram parar, outra vez nenhuma palavra foi dita. Com sutileza, Samir acariciou o rosto de Luna e, em movimentos lentos, buscou os lábios dela, que não ofereceram resistência. Um beijo foi a resposta silenciosa de ambos ao amor que já se revelava entre eles.
Ficaram abraçados por algum tempo, tendo apenas o vento ouro-pretano que ao tocar os arbustos ao redor, parecia executar a trilha sonora do amor dos dois.
Antes de voltarem para suas casas, Luna perguntou a Samir porque ele “sumiu” por algum tempo. Ele respondeu que tirou férias do trabalho, foi terminar de escrever o livro e posteriormente cuidar das questões de impressão. Precisou de quarenta dias para fazer isso.
Disse que sentiu falta dela, mesmo sem terem se falado, e sem saber se um dia daria certo, e complementou que a ausência o ajudou a ter certeza do que sentia por ela, um amor que o impulsionou a declara-lo nas páginas de um livro.
Samir disse que ela veria ao ler o final, que se tratava de uma declaração de amor, dele para ela, mesmo que nas entrelinhas. A mulher mais linda do mundo, cujo olhos é o lindo lago do amor, lugar onde Samir declara o desejo de mergulhar sem medo, de experimentar nas profundezas do olhar de Luna a calmaria e a paz de um amor infindo.

















