Leia “Um professor nota mil”, por Roberto dos Santos

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Por Roberto dos Santos Publicado em 12/09/2022, 11:22 - Atualizado em 12/09/2022, 11:24
Foto – Roberto dos Santos. Crédito – Arquivo pessoal. Siga no Google News

Educar exige alegria e esperança, palavras do conhecidíssimo Paulo Freire, referência na educação mundial.

Essa alegria eu pude experimentar no convívio com o professor Luciano Souza Dias, professor de Geografia na escola estadual Dom Velloso na cidade de Ouro Preto.

Um professor nota mil, que da aula com a alegria de quem tem o prazer de ensinar. O conhecimento em suas mãos trafega em mão dupla, alcança o desejo de aprender de seus alunos, ao mesmo tempo em que retorna para si acrescido dos saberes prévios dos educandos, dando ao conhecimento uma largueza sublime.

Os sorrisos abundantes em sua face torna o ambiente mais leve, ensinar e aprender é para ele um gesto de amor.

Seu jeito de dar aulas evidencia a tão falada esperança de “Freire”, tira do ambiente escolar o caráter impositivo do tradicionalismo educacional, possibilitando a reflexão crítica da realidade.

O professor Luciano Souza Dias traz transbordante a sensibilidade no trato mediador do conhecimento.

Certa vez ele chamou ao quadro um aluno, e numa forma dialogada de ensinar percebeu que o jovem tinha dificuldade de escrever as palavras. Pediu aos colegas que o ajudasse soletrando enquanto ele escrevia, e assim foi até a aula terminar. Eu que estava no primeiro estagio referente ao curso de Geografia, cujo objetivo inicial é a observação, logo vi que a intenção do inteligente professor era maximizar o conhecimento. Enquanto ele ensinava Geografia, aproveitou para introduzir em suas práticas geográficas, elementos da língua portuguesa visando contribuir com o engrandecimento do seu aluno para além da geografia. Uma percepção digna de quem estava impregnado pela essência educacional que busca o crescimento do ser de forma plena.

E todos os dias lá vinha ele com o globo na mão em direção à sala de aula. Os alunos o recebiam com sorrisos e palavras afáveis. Isso significava que a relação professor x aluno, se processava dentro dos limites do respeito e admiração. Ele não impunha temor aos alunos, que em contrapartida saboreavam os assuntos propostos como que a degustar o suprassumo do saber.

Foi um dos grandes momentos de minha vida, poder estagiar com um professor que no primeiro contato já me ensinara algo considerável, a alegria de ser professor. Motivador nas palavras simplificava a informação com exemplos de fácil assimilação e as coisas fluíam com naturalidade sem fugir do seu controle.

Num desses maravilhosos dias ele explicando o poder do capitalismo, parou diante da carteira de um aluno propôs uma queda de braço. Aquela ação pensada rapidamente tinha o intuito de explicar o poder dos Estados Unidos da América dentro da evolução do capitalismo. Um jeito que tirou a complexidade do assunto e o tornou inteligível.

Achei o máximo e registrei em minha mente, não a dinâmica em si, mas o aprendizado acerca da necessidade de descobrir formas de fazer o conhecimento povoar as mentes juvenis.

Ao final do estágio me senti engrandecido, aprendi tanta coisa, dentre elas estabelecer na sala de aula um ambiente de alegria, onde ensinar e aprender aconteça com naturalidade e leveza.

O professor Luciano Souza Dias é como uma vírgula no seu emprego adequado, como uma canção de ninar ou um poema ritmado. No seu olhar tem calma, paciência, compreensão, através do olhar ele comunica aos seus alunos que estão juntos na construção do conhecimento. Que não saber é tão importante quanto saber, afinal é nessa atmosfera que o conhecimento transita e num dado momento cada um há seu tempo terá evoluído.

E assim a educação protagonizada pelo professor Luciano, representa o que deseja todos os educadores, ou seja, a plena evolução do ser, onde os conteúdos ministrados são parte dessa evolução, mas também há outros fatores a considerar.

O professor Luciano Souza Dias é nota mil.

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