Ocultar anuncios
Role para baixo para ler nossas matérias
Corrida / Atitude ALMG 01/10/2025
Saneouro 17/09/2025
PMOP 26/08/2025
Cooperouro 04/08/2025

Prosa na Janela: Leia ‘O simbolismo dos elos de uma corrente’, por Roberto dos Santos

Leia mais uma contribuição inédita de Roberto dos Santos para o JVA.
Publicado em Colunas
Data de publicação: 21/11/2025 12:25
Última atualização: 21/11/2025 12:25
A escrita de Roberto dos Santos. colunista cativo do JVA, transita entre a prosa, o conto e a crônica. Crédito – Arquivo pessoal.
A escrita de Roberto dos Santos. colunista cativo do JVA, transita entre a prosa, o conto e a crônica. Crédito – Arquivo pessoal.

O mundo está cheio de símbolos, e uma dessas representações pode ser vista nos elos de uma corrente. Ouso dizer que se trata de uma figura de linguagem das mais expressivas, já que normalmente ela representa algo sólido, bem amarrado, tendo em sua composição partes separadas que se interligam.

As correntes são símbolos de resistência e força, usadas para fechar portões, nas indústrias são forjadas para suportarem ambientes hostis, nos guindastes sua resistência e tração são testadas no máximo, na ancoragem de embarcações assume inúmeras funções. Seu uso vai de simples utilizações, até situações bem complexas.

Todo esse preâmbulo é para dizer que um simples pedaço de corrente, ao ser olhada de forma crítica e reflexiva pode suscitar reflexões profundas para a nossa vida. Cheguei a essa conclusão quando encontrei em minha casa uma corrente usada nos tempos idos para fechar um portão de madeira que já não existia mais. Ela tinha na sua composição vinte e dois elos, que com o auxílio de um cadeado fechava o portão de entrada da casa.

Ao encontrá-la, inconscientemente fixei os olhos nos elos que a compunha, e fiz uma viagem por imagens que se desenhavam em minha mente.

Observei o primeiro elo e refleti a importância daquela pequena argola a sustentar todas as outras. Prosseguindo na inocente observação, e olhando os elos seguintes, notei que o primeiro elo não sustentava os outros, mas que era parte de um todo, não importando a posição que ocupava, cheguei a essa conclusão quando vi que qualquer um deles que se rompesse comprometeria toda a estrutura, sendo assim embora peças individualizadas, ao se entrelaçarem se tornavam uma única peça.

E minha imaginação continuou a analisar aquela corrente de vinte e dois elos. Dessa vez troquei o olhar de praticidade por um olhar de humildade. Concentrado no primeiro elo o vi como protagonista no ato de fechar o portão, sendo os demais coadjuvantes, porém numa análise mais profunda tudo caiu por terra, concluí que para se formar uma corrente havia a necessidade de entrelaçar os elos, ação que denotava uma função para cada argola dentro da estrutura, uma não tinha sentido sem a outra, porém era inevitável que um deles fossem o primeiro.

Minha visualização foi reforçada quando vi que o primeiro e o último não existiam na estrutura da corrente, pois se fossem olhadas da esquerda para a direita ou de forma contrária, não tinha como definir a ordem correta, início ou fim. Então não havia primeiro nem último, mas uma estrutura composta por argolas diferentes, assim como em um teatro que existe os atores esperados para entrarem em cena, há também aquele que abre e fecha as cortinas, acende e apaga a luz, uma sequência de ações que visam o resultado final.

Por fim, aquele pedaço de corrente me fez refletir o ser humano como encadeamentos articulados, com potencial de promover união e vida. A partir daquele momento a expressão “elo de uma corrente” foi substituído por “interação entre sujeitos”, enfatizando que na vida para formar um todo, é preciso considerar as especificidades de cada ser, e se no meio dessa articulação   houver um elo mais frágil, ele deve ser fortalecido pelas vias da união, do respeito e do amor. As pessoas atuando no lugar certo com suas habilidades natas e observando as regras primordiais de convivência, não tem como dar errado.

No mais, conclamo que sejamos sensíveis à existência humana e que essa sensibilidade possa nos fazer refletir a vida a partir dos seus acontecimentos, seja ao encontrar uma corrente, ou uma folha seca caída ao chão, ou ainda qualquer outro acontecimento que a grosso modo pareça não dizer nada.

O exercício da sensibilidade pode nos capacitar na construção de relacionamentos fortes, autênticos e aflorar em nós sentimentos como a empatia, confiança, alegria, contentamento, além de harmonizar os ambientes de nossa inserção.

A vida é assim, viver e deixar viver, uma possibilidade de vislumbrar horizontes, nesse palco de diversidades que chamamos de mundo.

Matérias Salvas