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Prosa na Janela: Leia ‘Lembranças de um sonho bom’, por Roberto dos Santos

Leia mais uma contribuição inédita de Roberto dos Santos para o JVA.
Publicado em Colunas
Data de publicação: 13/10/2025 10:10
Última atualização: 13/10/2025 10:23
A escrita de Roberto dos Santos. colunista cativo do JVA, transita entre a prosa, o conto e a crônica. Crédito – Arquivo pessoal.
A escrita de Roberto dos Santos. colunista cativo do JVA, transita entre a prosa, o conto e a crônica. Crédito – Arquivo pessoal.

Neder se acomodou na escadaria do Morro da Forca, em Ouro Preto, Minas Gerais, e ficou observando as belezas que fazem parte da cidade, Igrejas centenárias, montanhas abraçando a cidade e seus contornos irregulares, chão de pedra por todos os lados a acolher os passos dos visitantes, moradores nascidos no lugar e daqueles que adotaram a cidade como sua casa.

O vento característico da bela cidade de Ouro Preto afagava o rosto de Neder, ocasionando certo relaxamento. A calmaria do momento trouxe-lhe uma gama de pensamentos, incluindo um sonho que teve com uma mulher chamada Giovana. Para ele era a mulher mais linda da cidade. Ela tinha os olhos tão lindos, dizia Neder para si mesmo em pensamento.

O sonho no qual lhe povoava a mente, aconteceu numa noite de outubro quando dormia após um dia de intenso trabalho. Ele conhecia Giovana a pelo menos quatro anos, e se tornaram grandes amigos.

Os momentos que viveu com Giovana em seu sonho não pareciam típicos de uma relação de amizade, cenas que na vida real são próprias dos apaixonados. Um prenúncio de que estava enamorado, deixando vir à tona algo que a muito tempo estava dentro dele.

No versado sonho, Neder estava abraçado a Giovana acariciando seus cabelos, e ela de olhos fechados aceitava suas carícias, inerte ela aproveitava o momento como que degustando o mais sublime alimento, nesse caso o alimento da alma. No transcorrer do sonho, Neder num movimento suave, afastou Giovana sem deixar que o abraço se desfizesse, tal ação tinha a intenção de encontrar o olhar dela, foi um impulso momentâneo e incontrolável. Quando os olhares se encontraram foi como se o mundo parrasse para reverenciar tão maravilhoso encontro.

A supramencionada cena sugeriu um caloroso beijo, o que foi inevitável. Aquela mulher de cabelos pretos e andar natural, porém provocante, não disse nada. Foi o silêncio mais barulhento vivido por Neder, os dois continuaram unidos pelo interminável abraço.

Neder estava sentado no décimo sétimo degrau da escada que dá acesso ao morro da forca, de olhos fechados continuava nas malhas de um pensamento que traziam lembranças de um sonho bom.

Seus pensamentos e devaneios foram interrompidos por um anônimo que caminhava em direção ao ponto mais alto do morro da forca. Ao ver Neder inerte parecendo estar em transe, o forasteiro resolveu perguntar se estava tudo bem. A resposta positiva de Neder fez com que o rapaz continuasse na ascendente em busca do ponto mais alto do morro.

Neder permaneceu no local por mais quinze minutos, tempo suficiente para tomar a decisão de procurar Giovana e contar seu sonho, algo dentro dele dizia que devia ser assim.

Três dias depois os dois se encontraram e Neder não perdeu a oportunidade de contar a Giovana sobre seu sonho. Ela ficou surpresa ao ouvir palavras contundentes repaginando o sentimento que outrora era descrito como amizade.

Alguns minutos depois Giovana confessa encabulada que também já havia sonhado com Neder, ele então indagou o porquê de ela nunca ter falado. Ela respondeu dizendo que foi em respeito a amizade dos dois.

Neder então falou que pensava muito nela, encantado com sua beleza, e jeito de ser. Giovana ainda falava pouco, mas era notório em seu semblante traços de alegria e contentamento.

E se estivermos apaixonados um pelo outro? Foi essa pergunta que Neder dirigiu a ela sem hesitar. Giovana não respondeu à pergunta admitindo no seu íntimo a possibilidade de estar sentindo algo um passo além da amizade. Estavam com fortes sintomas de amor.

Neder silenciou-se já pensando como seria daquele momento em diante, após essa conversa bastante reveladora. Impulsivamente sem romper o silêncio do momento, ele segurou a mão de Giovana de forma delicada, e com todo cuidado a puxou vagarosamente na sua direção até que os rostos se encontraram. Por alguns segundos ficaram mergulhados no âmago de um olhar infindo, até que num ato de ação e atração os rostos moveram os centímetros que faltavam, e num caloroso beijo se tornaram “um”. O silêncio perdurava porque não haviam palavras para descrever o que sentiam, então a comunicação se dava de alma para alma.  O abraço que já se fazia há algum tempo, se tornou o melhor lugar do mundo para se estar.

Mas esse silêncio não durou para sempre, Neder com a boca bem pertinho do ouvido de Giovana em decorrência do interminável abraço, proferiu em sussurros um pedido de namoro ao pé do ouvido. Giovana foi envolvida por um calafrio nunca sentido, e com a voz trêmula conseguiu dizer apenas uma palavra. Essa expressão monossilábica era o “sim” que confirmava o começo do namoro dos apaixonados.

Quando o encontro terminou ambos foram para casa, Neder não deixava o sorriso em seu rosto se desfazer numa reação espontânea. Giovana enquanto caminhava para sua casa era bombardeada por sentimentos inexplicáveis, nunca antes sentido. Por fora mantinha uma postura calma, serena e comedida, o que contrastava com seu interior que parecia querer explodir. Formas distintas de expressar extrema felicidade.

E assim Neder e Giovana transformaram a grande amizade que tinham no mais gostoso amor, ou será que o tempo todo era amor?

Penso que a lembrança de um sonho bom desencadeou a descoberta de um amor oculto entre gentilezas e bem querer, confundido com amizade, porque um amigo de verdade é um bem precioso, é também uma forma de amor. Mas no caso de Neder e Giovana a amizade foi um estágio para se chegar ao amor, não é uma regra, só sei que foi assim.

Agora é viver os dias de amor como se não houvesse amanhã, porque o amanhã a Deus pertence e vivê-lo não está em nossas mãos, é graça de Deus.

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