- Resumo IA
• Adriel nutre amor por Doralice, vizinha de beleza discreta e alma serena.
• Eles se viam diariamente, até Doralice mudar-se para o bairro Bauxita.
• Adriel sonha com ela e decide procurá-la, mas descobre que ela pode estar namorando.
• Ele observa Doralice de longe, percebendo que está acompanhada.
• Adriel sente dor, mas aceita que amor é tê-la dentro dele, não ao lado.
• Doralice vive sem saber do amor de Adriel em Ouro Preto.Observação: O resumo é gerado por IA e revisado pela redação.

Naquela tarde de julho de 2024, quando o sol dourava as ladeiras de Ouro Preto, Adriel pensava em Doralice com a doçura de quem guardava no peito um sentimento muito especial. Para ele, ela era a mulher mais linda do mundo. Era uma mulher de beleza discreta, alma serena e olhar de quem nunca desconfiou do quanto era amada.
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Eram vizinhos. Moravam no Morro da Queimada. Todas as manhãs, exceto sábados e domingos, se viam enquanto caminhavam em direção à Rua Quinze de Agosto para embarcar no ônibus que os levariam ao bairro Bauxita. Seriam trinta a quarenta minutos de viagem até o citado bairro.
Essa rotina constante fez com que Adriel prestasse atenção em Doralice a ponto de se apaixonar. A cada dia, descobria algo novo nela.
Além da beleza há muito sentida e vivida, enaltecia os cabelos pretos, o passo miúdo e harmonioso que marcava seu andar, o “sorriso casado”, ou seja, a junção entre o sorriso e o olhar, formando um combo de pura beleza, não esquecia o gostoso som da voz da bela mulher, trilha sonora dos seus dias. A imagem linda de Doralice, quase sempre com o corpo adornado por vestes pretas, não saia da sua mente.
Doralice tinha uma elegância que enchia os olhos de Adriel. Em seu rosto, viam-se traços de maturidade e encantamento. Mas Doralice não era só o que se via: tinha qualidades que se somavam aos seus encantos. E Adriel, por ser vizinho e estar bem próximo a ela, observava a bela mulher sem ir além dos limites aceitáveis de convivência.
Bondade, sensibilidade, humildade, simplicidade foram alguns adjetivos que Adriel foi descobrindo na convivência com Doralice. Praticavam a política da boa vizinhança e interagiam sempre, tendo o respeito mútuo como prática comum.
Mas, em um dia de junho de 2024, Adriel viu um caminhão em frente à casa dela. Doralice estava se mudando para o bairro Bauxita, mais próximo do trabalho. Ele até ajudou na mudança, sem dar conta de que os dias que seguiriam seriam de muita saudade.
Depois de um mês da partida de Doralice, Adriel, de tanta saudade, sonhou com ela. Em seu sonho, beijou-a sem o menor juízo; depois, ajoelhou-se aos pés dela, beijou-os e disse que ali depositava todo o seu amor. Ela não disse nada, mas também não condenou o ato. Na sequência, ficaram frente a frente, já de pé, e ele mergulhou no olhar dela e, sem dizer nada, chorou como única resposta possível diante da extrema sensação de realização.
Quando Adriel acordou, teve a certeza de que estava amando Doralice. Foi o sonho mais lindo de toda a sua vida.
Os dias que seguiram foram de muita saudade, até que ele decidiu procurá-la. Sua busca durou uns três dias, mas não teve um final feliz. A pessoa que informou o paradeiro de Doralice disse, embora sem dar detalhes, que ela parecia estar namorando. Isso teve um efeito devastador em Adriel, que, ainda assim, não desistiu de Doralice.
Depois de alguns dias de saudade, decidiu ir ao bairro Bauxita para vê-la, nem que fosse de longe. Inteirou-se da rotina dela e descobriu que estava cursando Direito na UFOP, Universidade Federal de Ouro Preto. Traçou uma possível rota, que se confirmou posteriormente. Pensou em três pontos de observação e, em três dias seguidos, seguiu à risca o que havia planejado.
Posicionou-se nos três pontos escolhidos: o primeiro, próximo à portaria que dá acesso à Rua João Pedro da Silva; os outros dois, ao longo da rua; sendo o último, um pouco antes da rotatória próxima à Delegacia de Polícia Civil de Ouro Preto.
Nas três incursões programadas, vestiu roupas diferentes para não ser reconhecido. O tempo de espera variava de uma hora a uma hora e meia.
A ideia era não sair do carro quando ela passasse; mas, se saísse, que não se afastasse muito do veículo, uma medida de segurança para não ser visto.
Em todas as vezes, ela estava em companhia de outro homem. Adriel ficou arrasado, mas em compensação, pôde vê-la linda, em trajes de frio.
No último dia de observações, ele a viu passar, toda linda, porém o homem estava ao lado dela.
Enquanto ela se dirigia à Rua Perimetral, ele saiu do carro e sentou-se num dos bancos da pracinha, bem lá no fundo, e chorou, imaginando que sua história de amor havia terminado sem nem mesmo começar.
Levantou-se, enxugou as lágrimas e disse a si mesmo, em tom sussurrante:
— Não é sobre tê-la ao meu lado, e sim dentro de mim.
Voltou para o carro e seguiu para casa, envolto por sentimentos esquisitos: a satisfação de revê-la, a certeza de que amava Doralice e os pensamentos sobre como seriam os dias que viriam.
Enquanto isso, Doralice tocava a vida sem saber que, em Ouro Preto, a secular cidade, havia um homem que a amava muito.



















1 comentário
texto maravilhoso 👏👏👏👏❤️