- Resumo IA
• Adriel ama Doralice em segredo, mas tenta esquecê-la.
• Decide vê-la em Ouro Preto e percebe que ela está sozinha.
• Doralice convida Adriel para um sorvete, estreitando laços.
• Adriel pergunta sobre o homem que a acompanhava.
• Doralice explica que o homem era apenas um amigo.
• Eles se beijam e iniciam um relacionamento.Observação: O resumo é gerado por IA e revisado pela redação.

Depois de acompanhar a rotina de Doralice pós faculdade, seguir seus passos e ver que ela ia para casa sempre acompanhada de um homem, Adriel recuou nos seus intentos e resolveu manter seu amor por Doralice, só para ele. Ela não sabia que ele estava apaixonado, afinal a convivência dos dois se restringia a encontros rotineiros antes de embarcarem para o trabalho, e quando ela mudou para o bairro Bauxita isso nem acontecia mais. Mas unilateralmente Adriel buscava vê-la, tomando cuidado para não ser notado.
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A última vez que a viu, decidiu definitivamente permanecer incógnito, estava forte dentro dele o pensamento de que Doralice mantinha um relacionamento amoroso.
Essa ideia fixa virou certeza para ele, foi então que ficou dois meses sem ir ao bairro Bauxita durante a noite, não queria ver Doralice, o plano agora era outro, esquecê-la.
Mas a verdade é que não estava tendo sucesso com essa nova diretriz, Doralice continuava a povoar seus pensamentos e fazer seu coração bater mais forte. Seu amor pela bela mulher conseguiu sobrepor-se a sua ideia de não mais vê-la.
Numa noite de setembro, quando estava na janela de sua casa no morro da queimada olhando Ouro Preto, um espetáculo natural de pura beleza, Adriel sentiu dentro dele uma vontade avassaladora de ver Doralice.
Bastaram dois minutos para que ele renunciasse ao propósito de permanecer distante dela. Deixou para trás a luz noturna de Ouro Preto, um dos seus maiores encantos, o céu azul cravejado de estrelas e as montanhas adormecidas ao longe, recolhidas no silêncio da escuridão, e seguiu, impulsionado pelo coração, em direção ao bairro Bauxita.
Quarenta minutos depois, já estava na pracinha da Bauxita, sentado no mesmo banco em que a vira pela última vez. Ali permaneceu por mais de uma hora, entregue à espera e à esperança, até que ela surgiu no encontro da rua João Pedro da Silva com a rua Francisco Pignatário, bem em frente ao número cento e onze.
Para sua surpresa, ela estava sozinha e andava apressada, como se quisesse chegar logo em casa. Diferente da última vez em que ele a vira passar por ali, agora ela olhava constantemente para todos os lados, sem a tranquilidade que antes costumava transparecer.
Foi num desses olhares atarantados, que seus olhos encontraram Adriel. Quando ele viu que havia sido descoberto, retribuiu o aceno dela com outro, embora tenha ficado sem graça. Doralice endireitou seus passos na direção de onde ele estava e perguntou se havia mudado para aquele bairro.
Ele disfarçando o nervosismo, disse que não, mas que gostava de estar ali. Disse ainda que a atmosfera do lugar o atraía de uma forma que não sabia explicar. Doralice também disse sentir a mesma coisa, gostava de ir aquela pracinha sempre que podia. Sem maiores detalhes ela perguntou se Adriel voltaria no dia seguinte. Ele que nem havia pensado nisso, disse que sim, ela então combinou de tomarem um sorvete juntos, pois só teria duas aulas, as vinte e uma horas já estaria livre. O convite foi aceito prontamente e aquela sexta feira a noite se transformou num momento de extrema alegria.
Ela então seguiu para casa, minutos depois ele também embarcou fazendo o caminho de volta. Aquela noite e o dia seguinte, duraram uma eternidade para ele. A ansiedade em encontrá-la se misturava ao temor provocado por uma pergunta que ecoava fortemente em sua mente. E o homem com quem ela ia para casa? Cadê ele que não estava com ela?
Mesmo sem respostas as perguntas indagadas a si mesmo, esperou a noite, colocou sua melhor roupa, perfumou-se e foi encontrar com ela. Pensou em comprar uma rosa vermelha para ofertar ao encontrá-la, mas achou ousado demais. Preferiu esperá-la bem próximo ao prédio de Direito da UFOP, Universidade Federal de Ouro Preto, a uma distância segura onde pudesse vê-la e saber se o homem a acompanhava.
O carro havia ficado perto da pracinha, ele foi caminhando trabalhando suas emoções, afinal o momento esperado era de suma importância.
Quando ela apareceu na esquina do prédio de Direito, indo em direção ao prédio de Nutrição, lá estava ele a esperá-la, atento ao fato dela estar acompanhada, mas observou que estava sozinha.
Aquilo era bom, uma quase confirmação de que o homem não estava nas imediações. Ela espantou-se ao vê-lo caminhando em sua direção. Adriel já foi se desculpando e dizendo que resolveu ir até a Universidade, mas ela o interrompeu dizendo que foi bom, assim iriam conversando até a sorveteria.
Percorreram a rua João Pedro da Silva, falando de uma porção de coisas, do curso dela, do trabalho dele, e outros assuntos. Adriel queria perguntar sobre o homem que a acompanhava nas noites passadas, mas não teve coragem. O tempo entre o encontro e a parada para o sorvete, durou uma hora e dez minutos. Após esse tempo ela disse que teria que ir embora, ele tirou uma coragem não se sabe de onde e ofereceu-se para acompanha-la até a casa dela, usou como justificativa o fato de ter pouca gente na rua. Ela aceitou e caminhou com ele, chegando em casa se despediram e ele foi embora. Achou invasivo demais perguntar sobre o homem e ficou calado.
Os encontros se sucederam em noites subsequentes, ora para um sorvete, ora para uma pizza, ou mesmo em um passeio pela cidade.
Um mês depois, já estando bem mais próximos um do outro, ele despiu-se de seu pudor, e entre um gole e outro de cerveja, desferiu como que num golpe potente a pergunta que estava presa em sua garganta:
— E o homem que a acompanhava sempre após a aula?
Ela assustou-se e olhando para ele e perguntou:
— Como sabe disso, quando me viu indo para casa com ele, revelando o nome.
Adriel pensou que Doralice fosse ficar brava, e imediatamente a eximiu da esperada revelação, na sequência propôs irem para casa.
Ambos pediram um carro de aplicativo e foram embora, pois já haviam combinado anteriormente essa medida, sabendo que Adriel não poderia dirigir.
Ficou um clima meio estranho entre os dois o que resultou em três dias sem se verem.
Na noite do quarto dia, Doralice ligou para Adriel e convidou para caminharem pela cidade, pois a noite estava linda. Ele não hesitou em aceitar o convite. Quando chegou na casa dela para buscá-la, assim que ela entrou no carro e afivelou o cinto de segurança, Adriel pediu desculpas, dizendo-se inconveniente no encontro anterior. Ela em resposta disse que o homem citado por Adriel morava duas casas a frente da dela, cursava direito, já havia formado, por isso não tinha mais a companhia dele para ir para casa.
Um misto de alivio e vergonha ruborizou o rosto de Adriel, pois já havia lido nas entrelinhas dos acontecimentos que o homem não passava de uma companhia que Doralice aproveitava para não ir sozinha para casa.
Impulsivamente, movido por uma alegria sem tamanho, ele projetou-se na direção dela e a beijou demoradamente. Doralice não ofereceu nenhuma resistência e viveu aquele instante em toda a sua plenitude.
Após o beijo, ela desafivelou o cinto, e os dois se entregaram a um abraço que durou longos minutos. As palavras perderam o sentido, e suas mentes tornaram-se como que páginas em branco. Naquele instante, sentir significava muito mais do que qualquer declaração seria capaz de traduzir.
O silêncio, por si só, transformou-se na mais sublime declaração de amor. Depois seguiram para uma pizzaria não muito longe da casa dela, foi a pizza mais gostosa de suas vidas, pois além das delicias palatáveis, tinha o amor como o maior ingrediente, sentimento que já se enraizava em ambos.
Adriel disse a Doralice que sempre a amou, que tudo começou nas observações de quando ela ainda morava no morro da queimada. A ausência dos encontros contemplativos diários, resultou numa saudade que mais tarde descobriu ser amor. Aproveitando o momento, Doralice quis dizer que gostava de ser observada naqueles encontros matinais, mas que nem passou pela cabeça algo que remetesse a um interesse amoroso. Mas disse algo que alegrou profundamente Adriel.
Disse ela:
— No dia que foi encontrar comigo na UFOP eu senti algo que não sei explicar, penso que seu gesto de ir até mim, tenha me passado segurança, depois se preocupou em me levar em casa. Atos de cuidado que soaram como um abraço mesmo sem nos tocarmos. Acontecimentos nunca antes vividos por mim, inclusive naquele dia que te liguei eu senti saudade, uma vontade de te ver.
Adriel não cabia em si de felicidade, foi então que fez uma pergunta:
— Isso quer dizer que está apaixonada por mim?
E Doralice respondeu:
Apesar de já convivermos a alguns meses, não sei se é amor, nunca senti isso por ninguém, mas digo que essa experiência nova está proporcionando uma felicidade indescritível. Mas se você quiser podemos descobrir juntos.
E ele respondeu:
— Convite aceito, amanhã será o primeiro dia de um caminho novo, cheio de esperança, no qual nossos passos começarão a revelar (eu creio), com delicadeza, se o que nasceu entre nós é apenas encanto passageiro ou verdadeiro amor, de minha parte confirmo de antemão que a amo como nunca amei ninguém.



















