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Prosa na Janela: “Amor proibido”, por Roberto dos Santos

Leia mais uma contribuição inédita de Roberto dos Santos para o JVA.
Publicado em Colunas
Data de publicação: 22/09/2025 10:49
Última atualização: 16/03/2026 16:39
A escrita de Roberto dos Santos, colunista cativo do JVA, transita entre a prosa, o conto e a crônica. Crédito — Arquivo pessoal.
A escrita de Roberto dos Santos, colunista cativo do JVA, transita entre a prosa, o conto e a crônica. Crédito — Arquivo pessoal.

Marjorie e Adrian trabalhavam juntos numa empresa sediada na cidade de Ouro Preto em Minas Gerais. Já fazia mais ou menos três anos que se conheciam. Trabalhavam em setores diferentes, porém no mesmo prédio.

Adrian se apaixonou por Marjorie inconscientemente, nem ele mesmo sabia que o sentimento que nutria pela mulher era amor. Ele gostava de vê-la chegar para o trabalho todos os dias, notou com a constância dos encontros rotineiros que Marjorie gostava de vestir preto, cor que se harmonizava com o tom da sua pele.

Marjorie era uma novidade diária para ele, sempre que ela chegava para trabalhar, nunca era a mesma coisa, parecia ser a primeira vez. Aquele rosto arredondado e lindo trazia expressões únicas a cada encontro, os cabelos pretos vez por outra com mechas amarronzadas eram tocados pelo vento parecendo carícias. O olhar parecia espada afiada quando encontrava o de Adrian, de tão profundo tocava-lhe a alma.

Sua voz era como uma bela canção de amor a acariciar seus ouvidos. O andar lento e cadenciado dava a impressão de que estava deslizando, parecendo a chuva fina a resvalar nas calçadas centenárias da cidade monumento mundial.

Marjorie era encantadora.

Adrian a cada dia que passava sentia mais a necessidade da presença de Marjorie, sem saber ele estava se apaixonando perdidamente por ela. As conversas diárias pelos corredores, os cafés, foram momentos que pareciam simples e comuns, mas para ele tinham uma importância sem tamanho.

Mas um dia tudo acabou, Marjorie foi demitida da empresa e Adrian ficou sem a companhia da sua amada. Foi nesse momento que descobriu que a amava de verdade, pois não conseguia parar de pensar nela, e seu desejo era vê-la de novo e de novo.

Essa descoberta deixou Adrian muito triste e confuso porque ele sabia que Marjorie era comprometida. Ele nunca havia ousado pensar que estivesse amando, tinha para si, que o que sentia era uma grande amizade, não mais que isso.

Com o passar dos dias ele foi sentindo muita falta dela, mas o respeito que sempre teve a ela, não deixava que desse um passo além. Constantemente dizia a si mesmo que esse amor era impossível, proibido e que não devia alimenta-lo, mas logo pensava que impossível e proibido de ser sentido não era, senão não tinha se apaixonado, porém proibido de ser vivido isso sim ele concordava.

Adrian então pensou em frear seus pensamentos, sentimentos e apagar a imagem belíssima de Marjorie da sua mente, mas ela era difícil de esquecer.

O pensamento em esquecê-la ia de encontro a uma grande saudade, saudade essa que só aumentava a cada dia.

Um tempo depois ele a encontrou por acaso num desses shows promovidos na linda cidade de Ouro Preto, tremeu dos pés à cabeça, mas se conteve, apenas acenou cumprimentando-a educadamente.

O tempo ia passando e Adrian não conseguia esquecer Marjorie, uma tortura para ele, pois a dinâmica da vida não o levava na direção dela.

Entregue aos seus sentimentos, Adrian resolveu não mais resistir, não iria tentar esquecer Marjorie, mas também não iria além de onde estava. Iria viver seu amor unilateralmente, porque só de pensar em Marjorie já valeria a pena.

Então aquela mulher de estatura pequena e cheia de encantos, não seria tirada de dentro do seu coração, mas ganharia nele um espaço VIP, exclusivo e inviolável que só ele teria acesso. Para visitá-la em seu coração fecharia os olhos e viajaria em companhia do silêncio até o mais íntimo de si, até que imagem dela se formasse e poria fim a viagem.

E assim é o amor, criativo, intenso, emocionante, carinhoso, afetuoso, que extrapola as vias da razão. Cabe aquele que ama administrá-lo, procurando vivê-lo no espaço real ou na imaginação, porque o amor tem que ser vivido mesmo que acolhido e oculto na vastidão da nossa essência.      

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