- Resumo IA
• Canções nacionais nem sempre revelam seus verdadeiros significados.
• “Resposta” de Skank foi rejeitada por Cássia Eller inicialmente.
• “Lanterna dos Afogados” foi inspirada em uma viagem de moto.
• O solo de “Ovelha Negra” foi feito em um único take.
• “Flor de Lis” não surgiu de um luto pessoal de Djavan.
• “Exagerado” foi inspirado no produtor Ezequiel Neves, não em Cazuza.Observação: O resumo é gerado por IA e revisado pela redação.

Existem canções que, seja pelo sucesso ou pelas várias possibilidades de interpretação, acabam por esconder seus verdadeiros significados ou inspirações. Por isso, listamos aqui 7 músicas nacionais que possuem histórias curiosas e que mostram que, nem sempre, a arte é exatamente o que a gente ouve.
Vem com a gente e desvende o mistério de 10 clássicos do nosso cancioneiro que marcaram gerações e revelam muito mais do que todos acham que sabem. E, ao final, tem um bônus que envolve Ouro Preto, o Clube da Esquina e uma inspiração diferente do que muitos repetem por aí.
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1 | Cássia Eller ouviu “Resposta” antes do Skank e não gostou
Presente no álbum Siderado de 1998, Resposta é uma composição de Nando Reis que muita gente sabe que foi feita após o término do romance do ex-titã com Marisa Monte. Mas o que poucos conhecem é que, após finalizar a letra, Nando teria mostrado à Cássia primeiro e a cantora achou que era “um punhado de clichês”.
Com o Skank, a canção se tornou um megahit e foi responsável pela guinada para um som mais pop (e menos reggae) que os mineiros abraçaram a partir de Maquinarama (2001),
2 | Lanterna dos afogados surgiu em cima de uma moto
O livro Jubiabá, lançado em 1930 por Jorge Amado, conta a história de Antônio Balduíno, que frequentava um bar com o nome “Lanterna dos afogados”, no cais do porto de Salvador. Foi ele quem deu o nome para o clássico dos Paralamas do Sucesso lançado em 1989, no álbum Big Bang.
Entretanto, ao contrário da versão muito difundida na internet, não há qualquer história que relaciona a lanterna com mulheres que aguardam os maridos voltarem do mar. Nela, contam que elas ficam com lanternas acesas e as apagam quando cada homem retorna. Logo, a lanterna dos afogados seria a de quem não retornou.
Apesar de bela, a história é falsa. Ao contrário do fato da música ter surgido para Hebert Viana, segundo ele narra em sua biografia, enquanto pilotava de casa para um restaurante em Ipanema. Ao chegar no local, pediu caneta e papel e escreveu em dez minutos.
3 | Um único take para o solo épico de Ovelha Negra
Outra lenda do rock que já foi desmentido pela própria Rita Lee envolve seu maior sucesso, Ovelha Negra. Ela chegou a dizer que quando seu pai ouviu a canção, ficou furioso porque fazia parecer que ela tinha sido expulsa de casa ou teve a rejeição da família. Contudo, nada disso aconteceu.
Porém, a música – que tem um dos solos mais famosos do rock nacional – guarda uma curiosidade já compartilhada por seu criador, o guitarrista Luis Carlini. Segundo ele, o disco estava pronto mas ele continuava achando que “faltava algo” em Ovelha negra, até que numa madrugada o produtor concordou que ele tentasse algo.
Após terminar o solo, ele sugeriu que gravassem algo parecido com o que tinha feito. Porém a primeira versão tinha sido tão incrível que resolveram usá-la. É a que está no disco, sem qualquer alteração.
4 | As borbulhas de amor são mais sexuais do que parecem
Em 2010, durante uma entrevista na Feira Literária de Paraty, o poeta e letrista da versão em português de Burbujas del amor, de Juan Luiz Guerra, confessou uma curiosidade um tanto pornográfica sobre a canção.
Ainda que seja possível compreender as analogias sexuais da música, Gullar foi mais enfático ao responder o que era o tal peixe que queria passar a noite em claro dentro de alguém. “É a p*****”, confessou ele.
A seguir, você pode assistir o trecho da entrevista em que ele conta sobre isso.
5 | Não houve luto como inspiração de Flor de Lis de Djavan
Outra lenda urbana da música brasileira conta que Djavan compôs Flor de Lis após o falecimento de sua esposa e filha durante o parto. O próprio cantor desmentiu a história em 2010 e explicou que suas canções quase nunca são sobre ele.
Mesmo sendo menos interessante, a verdade sobre a música é apenas uma: o alagoano fala apenas sobre um relacionamento que não deu certo, com erros que levaram ao término, mas de uma forma leve, sem tristeza profunda.
6 | Exagerado não foi feita para falar de Cazuza
É claro que quem conhece a história de Cazuza há de concordar que Exagerado é a música que melhor o representa. Todavia, quando ele, Leoni e o produtor Ezequiel Neves compuseram a canção, o personagem foi inspirado neste último, que era tido por todos como o “verdadeiro exagerado”.

Leoni conta que Cazuza começou a escrever usando frases que Ezequiel usava com frequência, como “mil rosas roubadas”. Ainda, segundo ele, o exagero do produtor era tanto que, ao sair junto com Iggy Pop, o ícone do punk rock teria pedido para ele pegar leve.
7 | O clássico recém-descoberto de Erasmo que Roberto Carlos escreveu sozinho
Por causa do sucesso da filme “Ainda estou aqui” (que levou o Brasil a ganhar o seu primeiro Oscar, muita gente redescobriu a canção “É preciso dar um jeito, meu amigo” lançada no disco de 1971, “Carlos, Erasmo”. Contudo, aos que acreditaram que a música mostrava que o Tremendão sempre foi mais “politizado” que seu parceiro Roberto Carlos, há um equívoco enorme nisso.
Na biografia de Erasmo e também na de Roberto, ambos explicam que apenas Roberto Carlos é o autor da música. Contudo, era uma época em que ambos faziam como Lennon/MacCartney e dividam os direitos autorais de todas as canções. Ou seja, ainda que a jovem guarda como um todo fosse avessa a abordar assuntos políticos, Roberto Carlos está presente em uma das músicas mais icônicas da época da Ditadura Civil-Militar brasileira.
8 | A homenagem de Renato Russo ao filho de Cássia Eller
Gravada no primeiro álbum de Cássia Eller,1º de julho foi composta por Renato Russo como homenagem à cantora quando ela ainda estava grávida. A Legião Urbana também colocaria a música no álbum “A tempestade”(1996), usando inclusive, a mesma demo que o compositor enviou como cópia para Cássia.
O que muitos não sabem é que, mesmo com essa data no título, Chicão nasceu em 28 de agosto de 1993 e tinha apenas 5 meses quando o primeiro disco oficial da mãe foi lançado. Ele não chegou a conhecer Renato Russo e tinha pouco mais de 3 anos quando o legionário morreu. A razão da data na canção em sua homenagem, nunca foi explicada.
9 | A música feita com frases de para-choques de caminhões
Frete foi composta por Renato Teixeira especialmente para a série da TV Globo “Carga Pesada”, que foi exibida originalmente entre 1979 e 1981, e teve um revival entre 2003 e 2007. A música se tornou tema de abertura da série, primeiro com o próprio compositor e depois com Chitãozinho e Xororó.
Segundo o compositor, a letra surgiu quando ele começou a prestar atenção nas frases em para-choques de caminhão, enquanto percorria as estradas do Brasil para sua turnê. Daí vieram versos “Por onde eu passei deixei saudade”, “A poeira é minha vitamina” e “Nunca misturei mulher com parafuso, mas não nego à elas os meus apertos”.
10 | O verdadeiro nome de Janaína é Gessy
Gessy Bispo foi empregada doméstica na casa de Bruno Gouveia, vocalista do Biquíni Cavadão, por mais de 40 anos. Ela é a personagem real por trás do sucesso Janaína, lançado pelo grupo em 1998.
De acordo com Bruno, a banda foi tocar em Miguel Couto, na região metropolitana do Rio de Janeiro, quando ele decidiu fazer uma visita à Gessy. E no caminho, percebeu como o lugar era longe, complicado de chegar e, ao encontrar aquela mulher que o conhecia desde os 5 anos, apresentou a elas essas questões. E ela, sem tirar o sorriso do rosto, contou que acordava às 4:30, caminhava 20 minutos para pegar o trem até a Central do Brasil e, depois, um ônibus até a Zona Sul, onde o cantor morava. E que, apesar de tudo, tinha sonhos.
Gessy faleceu em 2023, mas deixou um depoimento belíssimo para Bruno, que foi publicado no perfil de sua neta. Assista aqui.

+1 | A janela lateral não é de Ouro Preto (nem Diamantina)
Todos sabemos que o charme de Ouro Preto e Diamantina renderiam ótimas inspirações para a música brasileira. Inclusive, mesmo com os autores explicando como a canção “Paisagem da janela” surgiu, ainda há pessoas que teimam em dizer que a tal janela é de uma das duas principais cidades do barroco mineiro.
Mas não é.
Um dos seus compositores, Fernando Brant, já declarou em entrevista que escreveu a letra inspirado na vista da janela do quarto de dormir da casa dos seus pais, no bairro Funcionários, em Belo Horizonte. Ou seja, a igreja que ele via como “Sinal de glória” era a Igreja de Nossa Senhora de Lourdes, situada na rua da Bahia, em Belo Horizonte.
Mas comente aí: sabia de todas essas curiosidades?
















