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Leia “O Brasil de chuteira ainda vive”, por Beatriz Breves

Para a psicóloga e escritora, o Brasil de chuteira continua vivo e pulsante, apesar de todos os desafios.
Publicado em Colunas
Data de publicação: 13/05/2026 13:25
Última atualização: 13/05/2026 13:25
Imagem ilustrativa. Crédito — Reprodução / Freepik.
Imagem ilustrativa. Crédito — Reprodução / Freepik.

Brasil, pentacampeão mundial! Pensar a seleção como um grupo de 22 jogadores e uma comissão técnica é reduzir demais o que ela representa. Ela sempre foi muito maior do que o próprio esporte, pois a cada partida, o país parece reencontrar algo raro: um sentimento coletivo de pertencimento. Fato é que, por algumas semanas, 22 atletas se tornam 214 milhões de torcedores. A nação lembra que ainda sabe torcer junto, sonhar junto, vibrar junto. Enfim, o futebol vira espelho de uma autoestima tantas vezes ferida no cotidiano. 

Quando a bola rola, sem sombra de dúvidas, não são somente onze em campo, mas o imaginário de milhões projetado em cada passe, em cada defesa, em cada gol. É como se cada pessoa estivesse ali driblando as dificuldades da vida, transformando as frustrações em persistência, buscando, simbolicamente, o gol da esperança. 

Mas o país mudou, e o futebol sentiu. O que sempre foi território neutro agora parece atravessado por disputas que antes ficavam do lado de fora do estádio. As cores da camisa, antes símbolo de união, passaram a ser vistas por alguns como algo a ser rejeitado, a ponto de quererem modificar as suas cores. Jogadores são julgados por ideias, não por jogadas. Até um italiano como técnico da seleção brasileira desperta estranhamento, ironia maior ainda com a Itália fora da Copa. 

É natural que a política, tão presente no dia a dia, acabe também representada no futebol. O problema é quando chega de forma ruidosa, desgastante, tirando a leveza, abafando a alegria, diminuindo o brilho da esperança. 

Resultado: muitos já não sabem os nomes dos convocados, nem a data da estreia, nem o adversário inicial. Quem imaginaria isso algum dia? Assim, aquilo que deveria ser um momento de descontração, se torna espelho das tensões que transbordam para todas as outras áreas da vida nacional. A euforia é contida. A paixão vira disputa. O que antes unia, agora divide. 

O campo reflete a mesma fratura presente na vida da população, que reconhece a condição política do país, mas ainda encontra dificuldade para superar essa divisão que insiste em permanecer. Inclusive, tentando tirar o brilho e o encanto de ser brasileiro. 

Mas, o Brasil é Brasil. O futebol continua sendo uma das poucas linguagens que todos nós, de algum modo, entendemos quando faz desconhecidos se abraçarem na rua, desperta orgulho, emoção e pertencimento. E ao mostrar para o mundo um país que, mesmo ferido, continua vibrante. 

Talvez o desafio seja resgatar o futebol como exemplo de um espaço de encontro, celebração e compartilhamento, não de separação. Somos torcedores de, em média, 1000 times, que apesar das diferenças, com a seleção brasileira, se unem por um único ideal: o de uma nação vitoriosa, com um povo feliz. 

Sim, apesar de tudo, o Brasil de chuteira segue vivo. E basta o apito inicial para lembrar que, no fundo, ainda vamos conseguir vibrar juntos e, como na canção de Miguel Gustavo, cantar “De repente é aquela corrente pra frente, parece que todo o Brasil deu a mão. Todos unidos na mesma emoção, tudo é um só coração. Todos juntos vamos, pra frente Brasil…”. 

LAISA DE SOUZA PHOTOGRAFIA  37
Beatriz Breves é psicóloga, psicanalista e escritora, autora do livro Eu Fractal – conheça-te a ti mesmo.
Crédito – Laisa de Souza
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