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“Idosos usam cada vez mais internet no Brasil”, por Fabiano de Abreu

Por Fabiano de Abreu, jornalista, filósofo, psicanalista e neurocientista Pelo Há um número cada vez maior de usuários da terceira…
Publicado em Fabiano de Abreu
Data de publicação: 07/07/2020 15:34
Última atualização: 24/02/2021 00:11
Imagem ilustrativa. Crédito - Atribuição não requerida/Grátis para fins comerciais.
Imagem ilustrativa. Crédito - Atribuição não requerida/Grátis para fins comerciais.

Por Fabiano de Abreu, jornalista, filósofo, psicanalista e neurocientista

Pelo Há um número cada vez maior de usuários da terceira idade ativos no universo digital. A internet passou a ser um meio para suprir a solidão ou apenas um complemento da vida quotidiana. É uma nova forma de distração, comunicação e aprendizagem. Um novo mundo que abriu novas portas aqueles que têm mais tempo para o explorar mas que muitas vezes não o conseguem fazer fisicamente. No entanto, nem só de aspetos positivos vive esta experiência. O lado negativo também ensombra a sua utilização mas nada que não possa ser ultrapassado.

O filósofo,
psicanalista, especialista em tecnologia e
especialista em estudos da mente humana Fabiano de Abreu vai explicar exatamente em que consistem estes processos.

Para o filósofo, ” o principal benefício da internet é a distração. Os idosos já
não
têm mais as mesmas ocupações e a reforma (aposentadoria) faz com que tenham um tempo livre que nunca tiveram em
toda a sua vida. Isso pode trazer tristeza e sensação de solidão. A internet é uma enorme distração que se bem administrada, pode ser a
solução para uma melhor saúde mental.”.

“Como um processo de neuroplasticidade, a internet ajuda na memória dos idosos reduzindo o número de esquecimentos. Mexer no computador e navegar na
web diminuem os riscos de demência dos idosos em até 40% e os riscos de depressão diminuíram 30% para idosos que mantém contado com outras pessoas na mídia social.”, elucida Abreu.

A internet passou a ser uma companhia virtual com uma infinidade de funções.
Cada descoberta é uma aprendizagem.

“Se distrair com atividades divertidas que incluem jogos e vídeos interativos que ajudam no conhecimento e no equilíbrio. Disfarçar a solidão em meio às
interações e manter-se a par dos acontecimentos. Ter aulas de atividade física sem sair de casa, cursos online para uma melhor aprendizagem e para
que possa passar o tempo, por exemplo, aprender a cozinhar e praticar na
cozinha. Ouvir músicas das suas coleções antigas e relembrar velhos e bons momentos.”,
esclarece o psicanalista.

No entanto, nem tudo são rosas neste mundo virtual e, há muitos perigos à
espreita de apanhar os mais crédulos e desprevenidos.

Para Fabiano de Abreu, “a vulnerabilidade do idoso na rede social se dá pela fragilidade de lidar com este mundo novo e desconhecido. O facto de
ser virtual dá
a falsa sensação de que nada de negativo
pode acontecer. Na terceira idade, os problemas são administrados de forma
diferente. A capacidade e ou vontade de os resolver já não é a mesma.”.

Outro aspecto menos positivo pode surgir da dependência em exagero desta nova forma de distração. A comodidade pode criar um desapego
face a outras experiências que podiam usufruir saindo de suas casas.

“O exagero pode ser prejudicial elevando a ansiedade e levando ao estresse podendo resultar em síndrome do pânico e depressão. Evitar estar bitolado por assuntos que tragam pensamentos negativos ou de irritabilidade. É crucial que a internet seja usado para o lazer mirando no conhecimento para pensamentos positivos de aprendizagem e conhecimento. Sempre numa dosagem equilibrada.”, refere o filósofo.

O filósofo Fabiano de Abreu. Crédito – Reprodução/Instagram.

Como alerta Abreu, os usuários, “não devem expor a vida pessoal. Comente, dê a sua opinião de forma segura para não ser mal interpretado ou que seja
motivo de ataques. Não exponha número de telefone, endereço e
fotos que mostrem os detalhes da casa. O ideal é ter uma conta apenas para amigos e bloqueado para estranhos, portanto,
recomenda-se que não aceite pedido de amizade de pessoas estranhas.”.

Mas as recomendações não se ficam por aqui.

“Os idosos são o alvo principal para golpes na internet. Temos que
orientar os idosos de que banco não se comunica pela internet com o cliente.
Nenhum dado é solicitado via internet e sim, apenas, na agência bancária diretamente com o gerente ou atendente.

Se muitos jovens caem em golpes de compras online, imagina os idosos que
ainda estão adaptando-se com a internet. Não comprar em sites de marcas não confiáveis e desconhecidas e avaliar detalhes de segurança no portal de compras. É aconselhável que
sempre veja nos sites de reclamações se há muitas queixas da loja que
quer comprar.”, continua.

No que diz respeito a aplicações de comunicação há também cuidados a ter.”Cuidado com pedidos no whatsapp. Não clique em nada que seja enviado e lembre-se que nenhum dado deve ser passado online. Qualquer assunto relacionado a banco, trata-se diretamente com o banco e principalmente que seja pessoalmente. Qualquer problema relacionado a email ou aplicativo, trata-se diretamente com o aplicativo. O ideal é que a pessoa nunca responda e sim contacte. Se alguém te solicitar algo se passando pela empresa, não atenda, desligue imediatamente e entre em contato com a empresa para confirmar o motivo da procura.”, concluí o especialista.

Referência e dados em estudos que comprovam o relatado no texto

https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0044239
http://www.upf.br/biblioteca/noticia/internet-pode-beneficiar-a-memoria
https://msutoday.msu.edu/news/2014/internet-use-can-help-ward-off-depression-among-elderly/

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